Platão, uma visão geral de sua obra e doutrina

Apresentarei agora algumas postagens falando um pouco da vida, obra e doutrina de Platão. Começo com um Comentário Inicial; sigo com uma pequena biografia de Platão e a divisão de sua obra; concluo falando da doutrina de Platão.

Comentários Iniciais

 

É importante destacar que Platão viveu em uma época especial por volta de 450 a.C. ele viveu no lugar certo e na época certa. Isso significa que as condições na Grécia naquela época eram favoráveis e propiciaram  o desenvolvimento de um pensamento até então inimaginável em seu conjunto.

O verdadeiro nome de Platão era Arístocles mas recebeu o apelido de “Platão o que quer dizer em grego “de ombros largos” isso devido a sua constituição física robusta.

Na época de Platão a Grécia passava por um momento político e cultural que poderíamos dizer ter sido excelente e singular, talvez um dos melhores momentos da Grécia. Nessa época a Grécia dominava os mares, mantinha um império de vasto território, e decidia seu destino democraticamente o que favorecia aos debates, ou seja, havia um  ambiente fértil para a filosofia.

Tanto Platão como Aristóteles um dos seus principais discípulos, constituíram Escolas no mais amplo dos sentidos, Platão cria a Academia, e Aristóteles o Liceu. Sendo a Academia de Platão considerada como a primeira universidade do mundo, fundada em 387 a.C. e que permaneceu por mais de longos 800 anos, foi fechada pelos romanos que adotaram o cristianismo e achavam que a Academia poderia ser uma ameaça a essa “nova” religião.

Esta Escola de Platão chamava-se Academia pelo fato de ter sido fundada nos jardins do herói Akademos, era uma área arborizada e banhada por fontes. Além desse parque, Platão adquiriu outro para os alojamentos dos estudantes. A academia permaneceu nesta área até o século 1 a.C. quando foi transferida para o interior da cidade.

Uma das questões fundamentais da filosofia de Platão se dá justamente quanto à problemática do conhecimento. E neste campo Marcondes (2005) nos lembra que aparecem questões como:

  1. A questão da  possibilidade do conhecimento – é possível conhecer a realidade, o mundo tal como ele é?
  2. A questão do método: como é possível esse conhecimento? Ou seja, como se justifica uma determinada pretensão ao conhecimento como legítima, verdadeira?
  3. A questão dos instrumentos do conhecimento: os sentidos e a razão.
  4. a questão do objeto do conhecimento: o mundo material ou a realidade superior, de natureza inteligível, a realidade mutável e perecível ou a essência eterna e imutável?

Platão é Autor de vasta obra filosófica, preocupou-se com o conhecimento das verdades essenciais que determinam a realidade e, a partir disso, estabeleceu os princípios éticos que devem nortear o mundo social. Seu pensamento foi absorvido pelo cristianismo primitivo e, junto com seu mestre Sócrates e o discípulo Aristóteles, lançou os alicerces sobre os quais se assentariam as bases de toda a filosofia ocidental, e porque não dizer de grande parte da cultura e do modo de pensar desse chamado mundo ocidental.

Posteriormente comentarei um pouco sobre essa questão epistemológica em Platão.

Abraço do Benito Pepe

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Referência bibliográfica

MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 9.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário por 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

14 comentários em “Platão, uma visão geral de sua obra e doutrina

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    bem..eu estava procurando mais ideias para fazer uma relação com a alegoria da caverna a linha dividida e a questão do sol como fonte simbólica de um princípio(bem) q possibilitaria o conhecimento..e acabei te conhecendo e simpatizando com as suas idéias.Espero q possamos debater algumas questões algum dia por email ou mesmo msn.
    haa..eu sou do RS!

    abraços, Taci

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    Olá Taci, fico feliz que tenha gostado do meu site/blog, me siga no Twitter ou assine para receber as novidades (novas postagens) no teu e-mail (é grátis hehe)

    Estou pensando em escrever brevemente sobre a linha dividida.

    Abraços do Benito Pepe

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    Sabe, eu achei muita coisa boa nos teus textos, inclusive a abordagem da divisão entre as obras por meio da estilometria..isso já funcionou com outros autores, mas eu não creio q seja algo seguro e falando de Platão temos muitos problemas. Mas em fim, eu esperarei por tua analise sobre a linha dividida, ela demonstra uma forma epistemológica de como podemos conhecer a realidade, ou de graus dessa realidade. Se eu me recordo bem, vc perguntou em um dos textos como podemos saber em q parte da caverna estamos, certo? eu creio q relacionando com os outros escritos como o fédon, podemos perceber que quanto mais nos afastarmos das coisas materiais, mais estaremos perto da “saída da caverna”. A própria divisão entre, imagens e objetos de hipóteses (ou objetos matemáticos) e idéias, nos demonstra esta dimensão de separação entre coisas sensíveis e inteligíveis, sendo q os objetos matemáticos e as idéias se aproximam mais da “saída”. Nos objetos não há metafísica e nem objetos visíveis, mas imagens mentais, abstrações, raciocínios puros, ou seja, uma capacidade d criar conceitos. Por exemplo na matemática, um triângulo equilátero, é uma representação da significância do número 3, abstraímos um todo q sirva de base para a sustentação de algo, um tipo de prova ou explicação mental. Sendo assim..creio q já estamos nos distanciando das “correntes” e q pelo menos já podemos ver os objetos pela luz do fogo. E mesmo q alguns de nós consiga sair da caverna e passar a vê-los primeiramente pelo seu reflexo na água (ainda com os olhos ofuscados), no retorno a caverna eles estarão igualmente afetados. Então é difícil fazer uma ligação pura do que conhecemos e desconhecemos na medida em q não conseguimos expressar o q ainda parece confuso e o q principalmente os outros desconhecem.

    bem..um abraço da Taci, espero a resposta..

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    Olá Taci, sinto-me feliz que você tenha achado “coisas boas nos meus textos”. Quanto à divisão das obras de Platão por meio da estilometria, não fui eu quem escolheu e muito menos fui o idealizador dessa divisão, eu tão somente enumerei uma das possibilidades de estudos que optam por essa divisão. Bem, obrigado pelo teu comentário, muito inteligente como sempre, e que honra e gratifica meu trabalho.

    Eu só posso dizer que você encadeou muito bem o teu pensamento, quanto às questões do sensível e do inteligível e demais pontos. Posso apenas acrescentar que as questões epistemológicas (as questões quanto ao conhecimento) em Platão, não deixam de ser metafísicas, a partir do momento em que ele claramente define “a Alma” como a sede do conhecimento, Platão também “evidencia” que o verdadeiro conhecimento ou seja a “verdade” está no “mundo das ideias” e que aqui neste mundo (terra) agente só pode ter “sombras” mesmo, ou seja o conhecimento mundano (ou melhor no mundo e do mundo) seria, para Platão, algo flexível, mutável, algo que não tem consistência; o verdadeiro conhecimento está tão somente na Alma e a alma pode “lembrar” (reminiscência) do que aprendeu quando esteve com os “deuses” no “mundo das ideias”. È claro que esse pensamento é refutado, é colocado como simbólico, se questiona se Platão queria dizer isso mesmo, etc. Mas dizer que Platão não foi o grande fundador da metafísica, seria demais, neste ponto há grande consenso, Platão foi o fundador e “separador” (divisor) dos mundos, um “Acima” (o “mundo das ideias”), outro embaixo, (o nosso). Dessa maneira eu concordo quando você diz “quanto mais nos afastarmos das coisas materiais, mais estaremos perto da “saída da caverna”.” Sim é verdade, dentro do pensamento metafísico, isso tem muita relação.

    Quanto ao que conhecemos e o que desconhecemos, posso citar mais uma vez o próprio Platão quando diz que se “sabemos” (conhecemos) o que estamos procurando não precisaríamos procurar e se não sabemos o que estamos procurando não adianta procurar, pois ninguém acha algo quando não sabe o que procura. Sendo assim, de fato é difícil o conhecimento, no sentido platônico.

    Mas é claro que Platão não é só isso, ele teve várias etapas em sua vida. Precisamos lembrar que os livros (diálogos) que temos de Platão foram os que ele escreveu para o público em geral, os chamados exotéricos, pois foram feitos para fora da Academia, os livros que ele escreveu para a Academia, os chamados esotéricos, foram perdidos, imagine o que eles continham…

    Abraços do Benito Pepe

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    eu adorei saber dessa historia sobre platão

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    Valeu Aline, continue na leitura há muito que se ler sobre Platão. Espero mais visitas tuas no meu Site/blog.

    Abraços do Benito Pepe

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    Sinto muito “Jao”, nem sempre agradamos a todos hehe
    att. Benito Pepe

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    ola Benito adorei ver os textos de Platao e muito interessante as historias; gostaria de saber qual e o significados destes simbolos (objetos,muro,fogueira,ecos,sombras) fica mais facil para entender o texto obrigada!!!!!

    agradecida josi!!!

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