O mundo vai acabar? O homem pode ser eterno no Planeta?

Este texto terá mais perguntas do que respostas, desde já agradeço ao leitor que queira contribuir com um comentário ou venha a ajudar com alguma eventual resposta ou mesmos com novas perguntas.

Começamos então com alguns questionamentos:


Se o Mundo nunca acabasse e se o homem conseguisse ser eterno no Planeta o que isso acarretaria?

A possibilidade da eternidade no Planeta seria uma dádiva ou maldição?

Bem, se pensarmos seja no magistério da Fé, ou ainda no da Ciência, são poucas as pessoas que não ambicionariam a eternidade. Certamente as pessoas religiosas pleiteiam a eternidade no pós-vida material; as pessoas não religiosas ou que não creiam em uma vida espiritual também desejariam uma eternidade aqui mesmo neste Planeta ou em outro planeta para o qual possamos viajar no futuro.

Notamos facilmente que até mesmo pessoas religiosas, ainda que não questionem ou reflitam os seus dogmas religiosos relativos ao pós-vida, querem prolongar a vida aqui na terra ao máximo possível. Dificilmente encontramos pessoas relativamente jovens que digam de coração sincero: – “viver é bom mas eu preferiria já estar na outra vida…”

Bem amigo leitor, independentemente da religião de cada um, na maioria das vezes queremos prolongar nossa vida aqui na Terra o quanto seja possível, aliás não é por isso e para isso que buscamos nos alimentar bem, fazer exercícios, lazer e até mesmo cuidar da vida espiritual? Alguns vão dizer: – “eu faço isso para viver melhor, não para aumentar o meu tempo de vida neste planeta”. Bem, isso é verdade sei que há pessoas que pensam assim, mas esses são poucos.

Fizemos com que a Vida Humana fosse prolongada, e isso está ocorrendo aos poucos no Planeta. A vida humana de fato está se prolongando na Terra. Hoje temos, ainda que para poucos, poucos mesmo! Uma condição de habitação, alimentação, saúde, condições hospitalares, operações cirúrgicas, transplantes, medicamentos, vitaminas, academias, diversos locais para o lazer, e possibilidade de viagem do hemisfério que esteja frio para o quente ou vice-versa em poucas horas. E tantas outras condições materiais que de fato fazem com que algumas pessoas possam viver melhor e durante mais tempo.

A prova disso é o problema com a previdência que já está ocorrendo em vários países no mundo. A média de estimativa de vida está subindo verdadeiramente e progressivamente a cada década, a cada ano que passa.

Há paises desenvolvidos que a idade média é muito alta, muito alta mesmo e são tantos aposentados que o risco de “quebra” da previdência já é eminente .

Como seriam as condições quanto à previdência (aposentadoria) para um homem eterno?

Já temos hoje esse problema com a Previdência. E isso só pelo fato da vida humana está durando mais, imagine se a vida fosse eterna aqui no planeta, como seria? Ou não haveria condições de aposentadoria e você teria que trabalhar eternamente, ou você morreria por não ter condições de se alimentar e subsistir (lembremos que mesmo máquinas precisam de energia e manutenção) e assim de qualquer maneira acabaria com a possibilidade de sua eternidade.

Aí está um bom motivo para procurar trabalhar em algo que você ame mesmo fazer, imagine ter que trabalhar toda a eternidade em algo que não lhe dê prazer? Então independentemente de sua eternidade procure fazer isso desde já, que tal?

Outra questão que devemos lembrar que provavelmente ocorreria em algum momento, se é que já não esteja ocorrendo, ainda que por outros motivos, é a questão da natalidade controlada rigorosamente devido ao excesso de humanos que passariam a existir neste nosso planetinha azul, aliás será que ele continuará azul? O mundo era imenso, mas está “cada dia menor”. Se não passássemos a um controle rigoroso, viveríamos como ratos uns sobre os outros…

No início do século XIX, aproximadamente em 1802, éramos “apenas” 1 bilhão de habitantes. Hoje somos em 6,6 bilhões (6.600.000.000) de habitantes, nossa população está em explosão demográfica desde a Revolução Industrial que começou na Inglaterra em meados do século XVIII. Há uma estimativa que no final deste século XXI a população mundial atinja a extraordinária quantidade de 11 bilhões (11.000.000.000) de pessoas vivas no Planeta Terra.

Qual seria a quantidade de humanos que estariam aqui no Planeta, quando e se alcançássemos a possibilidade da eternidade? Como seria o planeta com a eternidade, um mundo de idosos? Ou, eternos jovens? Em que momento pararíamos o nosso envelhecimento? Com que idade conservar-nos-íamos. E as crianças e os velhinhos como iriam ser tratadas? Quantos seriam?

Outra questão para considerarmos é a questão econômica, qual seria o limite de crescimento imposto e quem controlaria esse crescimento? A possibilidade de prosperidade se daria para um percentual menor ainda do que se dá hoje? E o pior: nem todos poderiam ser eternos?

Sabe-se hoje que muitos morrem cedo, por não terem condições mínimas de saneamento básico, alimentação, moradia etc, isso é um fato para a maioria da população mundial, de qualquer maneira morrem mas sabem que os outros (“ricos”) morrerão também, mas saber que outros serão eternos enquanto você vai morrer é outra coisa.

Como ficariam as questões dogmáticas religiosas?

Como seria para as pessoas que tem fé na vida após a vida saber que poderiam optar em se manter aqui eternamente ou morrer para nascer na vida espiritual? É provável que, como vimos, essa vida eterna na Terra não seria para todo mundo, só para um grupo privilegiado que conseguisse alcançar as condições financeiras necessárias para a eternidade terrena e esses teriam que decidir seus destinos… Ficar aqui ou ir para o “milagre-surpresa” do pós-vida? Esses “privilegiados”, teriam que escolher o seu destino: A Vida Eterna na Terra, ou A Vida Eterna na Espiritualidade (e sem saber que vida teriam lá…)

Estou começando a achar que o paraíso é mesmo para os “pobres” e que é mais fácil um Rico passar pelo buraco de uma agulha do que entrar no Céu.

Em fim, será que a Natureza ou Deus não sabe o que faz? Creio que seja melhor, nascer, crescer, viver, aprender e depois morrer. Assim se dá chance a novos seres humanos nascerem, viverem e morrerem. Esse é um processo natural da Vida e é um aprendizado dos mais profundos que se possa imaginar. Desse Jeito nós refletimos, e pensamos de maneira não egoísta, tive a minha chance, agora é a vez das novas gerações…

Você ainda quer ser eterno? Bem, procure fazer algo para a humanidade, algo que faça as pessoas lembrarem de você, os seus filhos, os seus netos e outras gerações, assim você será eterno. Plante uma árvore, escreva um livro, tenha um filho, ou pelo menos poste um comentário neste artigo…

Abraços do

Benito Pepe

P.S. Dedico este texto ao amigo Vicemar Barbosa

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Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

30 thoughts on “O mundo vai acabar? O homem pode ser eterno no Planeta?

  • 13 de junho de 2009 em 7:49 PM
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    Meu amigo filósofo,
    Sem conotaçao religiosa, se somos formados por moléculas, e estas moléculas de átomos, e sendo os átomos eternos, logo… já somos eternos!!! Um grande brinquedo da "Lego", de montar e desmontar!!! Mas certamente eterna é a nossa amizade. Um forte abraço.

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  • 13 de junho de 2009 em 9:36 PM
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    Querido Fábio, obrigado por seu comentário.

    A noção de eterno já vem a muitíssimo tempo, e de fato esse ponto de vista colocado por você quanto aos átomos, é interessante. Há um livro bem legal que fala dessas questões, a referência é: ANDREETA, José Pedro. Quem se atreve a ter certeza? : a realidade quântica e a filosofia. São Paulo: Mercuryo.

    Andreeta comenta sobre essa questão da “eternidade”, “mutação” e das “trocas” que temos constantemente entre os átomos uns dos outros, somos o todo da Terra, do Sistema Solar, da Galáxia, enfim do Universo, desse ponto de vista sim, nós já somos eternos.

    Para você ver onde há textos meus em que eu cite o “Andreeta”, basta ir em “pesquise neste site” e você irá encontrar diversos textos em que cito esse mestre da física.

    Para começar leia o meu texto: “A origem do universo e da vida” (veja o link aí em cima) e “A astronomia e o esquecimento do céu” (link aí em cima também).

    Espero seus comentários por lá também.

    Forte abraço do Benito Pepe

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  • 1 de julho de 2009 em 11:52 AM
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    Caro Benito Pepe, segue algumas considerações de minha alma:
    O sistema de valoração pela moral está atrelada essencialmente a idéia de finito, onde o ser humano constrói seu arcabouço ético sob a referência da mortalidade. Concluo assim porque temos a necessidade de viver uma vida dígna na concepção moral da palavra, e mesmo aqueles que divergem, ao final, pela proximidade da morte, persegue o seu arrependimento.
    A morte então seria um mecanismo de balanço moral, onde computamos os nossos acertos e crescimento em comparação com nossas faltas e vicissitudes, resultando numa conclusão de uma vida proveitosa ou desperdiçada.
    A vida eterna então, a meu sentir, no privaria de um próposito, de um sentido existêncial, de um fim maior. A eternidade acabaria com a percepção de juízo de valor periódico, afastando de nós o dever de conduzir-nos numa vida dígna.
    Cita o texto as questões sociais, antropológicas e econômicas de uma sociedade imortal, mas ao analisarmos a história antiga, remontando o império romano, podemos perceber o comportamento dos líderes que acreditavam na imortalidade.
    A imortalidade pagã era baseada na idéia de que após a morte as pessoas que recebiam o ritual funebre, viveriam uma outra vida com as mesmas características de sua vida mortal, inclusive com os escravos, que eram mortos com seu senhor, os bens que eram enterrados, além de toda a fortuna de falecido. Esse contexto ajudava a disciminar a idéia de imortalidade, e com esse idéia de pano de fundo, foram cometidas as maiores atrocidades.
    Essas informações podem ser colhidas no livro: Cidade Antiga do autor Fustel de Colanges.
    Em breve, continuarei o comentário….

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  • 2 de julho de 2009 em 12:07 AM
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    Vicemar Viana, obrigado pelo profundo comentário (e que me deixa sem condições de acrescentar algo mais tal é sua amplitude).

    Mais uma vez te agradeço pela inspiração para escrever esse texto o qual dediquei a você.

    Aguardo seu complemento e novos comentários em outras postagens.

    Abraços do Benito Pepe

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  • 12 de julho de 2009 em 10:56 PM
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    Caro Benito,
    A questão é deveras instigante. Como poderíamos mudar o ciclo da vida? continuaríamos a ser seres humanos? Somos assim hoje, porque temos uma consciencia desse ciclo. nossa programação alterar-se-ia substancialmente se isso acontecesse. nossas ações, reações, emoções e sentimentos, seriam de forma substancialmente diversa, coisa inimaginável. Até as relações humanas e estas com o principio religioso seriam afetadas. talvez uma nova humanidade, se assim podemos chamá-la. Um grande beijo
    terenzio

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