O tempo está passando mais rápido?

Esta é uma pergunta que muitos fazem constantemente, e a resposta é sempre afirmativa para a maioria das pessoas, pois sentem realmente o tempo “voando”, entretanto a resposta está Certa e Errada. É, Sim, o tempo está “expandindo” rapidamente, porém também é Não! (não tem como percebermos).

 

Ela é Sim pois de fato há uma aceleração da expansão do universo e portanto do tempo, mas isto ocorre em escalas que não podem ser sentidas pelos seres deste planeta, isto é tão imensamente maior, que nossos sentidos não podem perceber o que ocorre, é como se puséssemos uma formiga em um automóvel e acelerássemos este carro, ela lá dentro não perceberia o que está ocorrendo. Eu exagerei neste exemplo para ficar bem claro que a expansão do universo ainda que em aceleração não faz diferença para nós que na verdade não somos formigas neste carro, mas algo bem menor do que bactérias invisíveis para o cosmos.

Então a resposta também é Não! O tempo não está passando mais rápido? Não, não está passando mais rápido. Por que então nós sentimos que um ano, por exemplo, passa cada vez mais rápido do que o outro, começamos no dia 1* de Janeiro, daqui a pouco já é carnaval, logo chega a páscoa, depois vem as festas juninas e o inverno logo passa (refiro-me ao hemisfério sul) é chegada a primavera, vem o verão… é natal novamente e… pronto. Acabou mais um ano, mas isto ocorre mesmo? Como pode ocorrer isto?

Isto é apenas uma consequência da Percepção, da Observação, da Rotina em que vivemos. A sensação do tempo depende de nossa vida e das experiências vivenciadas. A nossa mente sente o tempo passar através dos movimentos percebidos, das observações, ou da Rotina e isto é computado em nosso cérebro de forma similar ao computador que entra em uma pagina da internet pela primeira vez de forma mais lenta e depois de “conhecer” o caminho “carrega” mais rapidamente a página da próxima vez, assim quando vivemos uma nova experiência a vivemos mais lentamente, ela parece mais demorada, ela é mais observada mais percebida pois nosso cérebro precisa apreender as novas informações os novos caminhos. Outro exemplo facilmente compreensível é propriamente os caminhos para uma viagem de automóvel. Normalmente quando vamos pela primeira vez a algum lugar distante nos parece mais longe do que quando vamos várias vezes depois, isto ocorre porque o cérebro a primeira vez estava com mais atenção e observando tudo à sua volta, o caminho as placas etc., quando já sabemos o caminho de “cor e salteado” não nos preocupamos com detalhes, assim nos “distraímos” com outras coisas e quando vemos já chegamos ao destino.

Outra forma de vermos isto é fazendo uma analogia com o tempo de vida de cada pessoa e a proporcionalidade com o tempo total de sua vida. Considerando uma vida humana em 100 anos para facilitar as contas que vou apresentar. Temos que uma criança de 1 aninho terá vivido apenas 1% do seu tempo, uma criança de 10 anos – 10% e assim sucessivamente. Outra analogia é notarmos que para uma criança de 1 aninho chegar ao próximo natal levará 1 ano como todos nós, mas para ela isto corresponde a tudo o que ela já viveu até agora, ou seja 1 ano, mas se a criança tem 5 anos o próximo natal corresponderá apenas 20% do que ela viveu e se tiver 10 aninhos a apenas 10% de sua vida e isto vai diminuindo gradativamente até no meu caso, por exemplo, 40 aninhos – um ano é tão somente 2,5% de minha vida.

Ninguém deve ficar apavorado com isto. Embora meu propósito seja mais de refletir, para este caso, tenho uma sugestão e que procuro fazer sempre que possível. Em primeiro lugar é necessário viver o mais intensamente o quanto seja plausível, faça coisas novas e diferentes, viaje para lugares diferentes de bela natureza ou culturais, onde a história do local seja estudada por você, assim você vive e sente uma história nova e não apenas passa pelo lugar, quando for em locais de bela natureza pare, sinta a natureza, veja o nascer ou por do sol, viva e experimente que você faz parte deste conjunto. Faça cursos o quanto possíveis forem, leia muito e intensamente, novos conhecimentos sempre nos dão mais vida, ainda que não nos deem mais anos de vida nos darão mais vida nos anos que tivermos pela frente. Assista a bons filmes, vá ao teatro, converse sobre os assuntos e temas mais diversos, mas principalmente por aqueles que não sejam fúteis, a futilidade também é importante para descontrair, para quebrar uma tensão, para relaxar, mas não deve ser uma rotina em nossa vida, pois a futilidade é muito boa para passar o tempo ou seja quando não temos nada o que fazer, mas se isto estiver ocorrendo com frequência é porque já estamos jogando fora o nosso tempo.

Lembro-me bem há alguns anos quando ainda estava no segundo grau no SENAC um professor que disse para a turma – aproveitem o seu tempo agora que vocês podem estudar, fazer outros cursos além deste que vocês fazem apenas durante 4 horas do seu dia, eu ouvia isto e refletia: – é verdade, meu pai e meu irmão ficam no trabalho de 8 horas até as 19 horas e eu só estudo das 13 às 17 horas, isto fez com que eu passasse a fazer outros cursos aproveitando que estava no SENAC fazendo meu 2* grau e lá há diversos cursos bem baratinhos. (perdi a conta de quantos fiz).

Hoje ouço sempre as pessoas dizendo que não tem tempo para isto ou para aquilo, engraçado como estas mesmas pessoas tem tempo para futilidades. Acho que na verdade nós somos por essência preguiçosos, é mais fácil sentar em frente ao televisor e ir apertando o controlo remoto e mudando de uma besteira para outra, de uma futilidade para outra. É… depois quando agente vai ver… já passou um dia, outro, depois um mês, outro e assim vão os anos.

Não façamos isto! Lutemos contra a preguiça, lutemos contra a futilidade, contra a rotina, da mesma forma que devemos lutar contra a doença tomando medicamentos ou nos alimentando, mesmo que o apetite seja perdido na anomalia, como também ocorre para os exercícios físicos: temos preguiça em faze-los, mas depois que passamos a praticar nos sentimos mais dispostos e saudáveis. Corpo sano em mente sana, certo? Muito bem! Vejo o tempo assim também, quando procuramos ocupa-lo sabiamente e o preenchemos com sabedorias ou com um lazer agradável e útil ou com algo que verdadeiramente nos preencha satisfatoriamente, percebemos que o tempo é algo agradável e olhamos para trás com satisfação ao verificar que preenchemos o nosso tempo ou o nosso ser com coisas que podem ser “medidas” e às vezes até reverenciadas por nós mesmos e pelos outros.
Bom tempo, bem ocupado, para você neste ano!!

Abraços do Benito Pepe
 
 

Benito Pepe

Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica em: Administração de Empresas, com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião e Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

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devaneioseloucuras-raquel
12 anos atrás

Tive essa aula, ou esse “papo” sobre a percepção do tempo” quando ainda estava na faculdade. Era uma aula de Teoria Literária e o professor era apaixonado pela matério, o que faz qualquer aula ser inersquecível (o verdadeiro interesse do professor no assunto sobre o qual ele fala). Achei muito interessante.

Gostei da sua complementação pessoal sobre o tema, suas dicas para “otimizar” nossa percepção do tempo.

Parabéns! Gostei de te ler.

abs
Raquel.

Benito Pepe
12 anos atrás

Olá Raquel, obrigado pelo carinhoso comentário. Realmente quando alguém faz algo com paixão e com amor, as coisas fluem maravilhosamente, tanto para o remetente quanto para o destinatário, na verdade ocorre uma troca.

Como dizia Einstein o tempo é mesmo relativo – “por exemplo quando estou próximo a uma linda mulher o tempo parece voar”..

Ocorre o mesmo em uma linda aula, em um passeio maravilhoso. Mas como eu disse no artigo: procuremos fazer coisas novas e diferentes, além de agradáveis é claro.

Bom tempo para você
Abraços do Benito Pepe

Anonymous
11 anos atrás

acredito que o tempo não existe realmente,sua velocidade e duração depende apenas de nossa percepção.

otima matéria,parabéns.

Gladis
11 anos atrás

Benito,

Há muitas pessoas que acreditam que o tempo, ou seja, a rotação da Terra se acelerou. Filmamos um relógio no museu de história de Berlin que foi construído em 1200 e ele badalou as 13:00 h ao mesmo tempo em que nossos relógios marcavam 13:00.

Como disseste não dá para perceber as alterações físicas do tempo. Mas acho que a sensação de que ele passa mais rápido também se relaciona um pouco com nossa capacidade de memória, que melhora à medida que as redes neurais se tornam mais complexas. Assim, tenho lembranças bem vívidas de coisas que ocorreram há dez anos atrás e isso faz parecer que esse tempo não foi longo.

Concordo plenamente que temos que aproveitar o tempo e aprender coisas novas, comecei a estudar piano em 2005 e está sendo uma experiência ótima.

Acho que tempo perdido não deixa marcas e algumas sensações do tempo são de perda, por isso se usa como desculpa ou explicação que ele deve estar mais rápido. Porém que sabe aproveitá-lo percebe o quanto se pode ser e fazer durante um dia.

ótimo seu artigo!

Benito Pepe
11 anos atrás

Olá Gladis, obrigado pelo lindo e abrangente comentário. Apenas posso acrescentar quanto a questão da rotação da terra, (que é o que nos dá o dia de “24 horas”) que ela não está ocorrendo mais rápido como muitos dizem. Não é verdade (como sei que você bem sabe) na realidade o que está ocorrendo é que esta rotação, ao contrário, vai diminuindo, por causa da lua que vem se distanciando da Terra aos poucos (coisa ínfima, imperceptível, mas que fará aos poucos o dia ser mais longo, porém também de maneira imperceptível para nós).

De qualquer forma o fato é que o dia cronológico não está ficando mais curto, será exatamente o oposto como disse. (no entanto talvez, quando esse dia mais longo de maneira sensível vier a ocorrer a espécie humana não esteja mais no Planeta).

Abraços do Benito Pepe

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