O Problema da Satisfação Intrínseca no Cargo e o Feedback

Vários autores que versam sobre a Administração de Recursos Humanos, (melhor chamar de Gestão de Pessoas) preocupam-se em verificar que tipos de condições devem existir para que o trabalho (ou o cargo) encontre satisfação intrínseca como resultado do cumprimento de sua tarefa. Em outras palavras: quais as condições que fazem com que um cargo contenha fatores motivacionais. No entanto é importante lembrar que a maior motivação está em se fazer aquilo que se gosta.

Depois deste ponto primordial para a motivação ou auto-motivação: gostar do que se faz. Três outras condições são básicas:

1. É importante que o indivíduo se sinta pessoalmente responsável pelo sucesso ou falha das tarefas que possa decorrer de seus esforços. Se, em um momento não muito crítico, o supervisor assumir a responsabilidade, o trabalhador poderá sentir que os resultados não são devidos ao seu próprio esforço, e as possibilidades de desenvolver motivação interna a respeito de seu próprio trabalho poderão ser minimizadas.

A dimensão de autonomia de um cargo relaciona-se com o grau em que um trabalho é cumprido através do resultado do próprio esforço do empregado. Em cargos com elevada autonomia os trabalhadores tendem a sentir que “o que fazem é seu”, enquanto que em cargos com baixa autonomia, onde a supervisão é restrita e os procedimentos especificados minuciosamente, é muito raro o caso do empregado sentir-se pessoalmente importante para o cumprimento do trabalho.

2. O que é cumprido deve ser significativo para o indivíduo. Se um indivíduo sente que seu trabalho não faz diferença a ninguém, inclusive para ele próprio, ele se desinteressa em fazê-lo bem, e não será um forte candidato ao desenvolvimento de motivação interna. Há pelo menos duas maneiras pelas quais o trabalho pode ser entendido como uma peça inteira ou global, e os resultados são reconhecíveis: primeiro quando o trabalho torna-se intrínseco e obviamente importante, e quando o empregado identifica-se com a tarefa. A outra maneira ocorre quando o trabalho apresenta um significado pessoal para o indivíduo requerendo dele o uso de uma variedade de habilidades e capacidades que serão valorizadas.

3. O indivíduo descobre seu próprio desempenho enquanto executa o trabalho. Se as duas condições gerais acima estiverem presentes o empregado-colaborador estará apto a recompensar-se por seu bom desempenho através da retroação que poderá vir da própria tarefa ou de algum outro colega-empregado.

No mais a satisfação intrínseca no cargo, depende de outros fatores motivacionais e quando falamos em motivação estamos falando do Motivo para a Ação, no entanto, como vimos, qualquer motivação depende também de fatores internos, fatores intrapessoais, para tanto veja o texto “As Relações no trabalho e os fatores que influenciam reciprocamente nos ambientes, tanto o social como o físico

Depois de analisados estes pontos precisamos treinar nossos funcionários e ministrar palestras com regularidade. O ideal para este ponto é contratar empresas especializadas em treinamento e palestras, aqui cabe o velho e bom lema: “santo de casa não faz milagre.” Se você convidar um colega de dentro da empresa para fazer o treinamento ou ministrar uma palestra, terá um problema de pré-conceito e uma configuração inadequada no contexto empresa-palestrante. Todos estarão olhando o “palestrante” como o “fulano de tal”, e seus olhos e pensamentos estarão influenciados por uma história carregada de emoções, muitas vezes preconceituosas.

Portanto o ideal é chamar alguém de fora da empresa, alguém desconhecido do grupo laboral e que será ouvido sem pré-conceitos e opiniões pré-concebidas.

Por fim “O Feedback na Empresa e em nossa Vida Pessoal”, deve ser constante e, com relação a empresa, deve ter uma periodicidade planejada e relatada pelo Gestor de Pessoal. Não se pode minimizar a importância desta retroalimentação quanto à satisfação intrínseca do cargo.

Abraços do Benito Pepe

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

8 comentários em “O Problema da Satisfação Intrínseca no Cargo e o Feedback

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    Depois que vi algumas definições da palavra gestão concordo plenamente com o Stephen Kanitz quando ele diz que gestão é um grande palavrão no mundo administrativo e que deveria ser banida do vocabulário. Portanto, eu prefiro dizer, Administração de Pessoas, ao invés de gestão de pessoas.
    Gideone Rosa

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    Olá Gideone Rosa, é uma satisfação ver teu comentário no meu Site/blog.

    Bem, eu particularmente não gosto de nenhum desses termos, tanto Gestão de Pessoas, como RH – Recursos humanos, ou mesmo Administração de Pessoas que embora seja mais suave, ainda nos faz pensar em pessoas como recursos ou processos dentro da administração de empresas. Na verdade as empresas são formadas por pessoas e estas são, sem dúvidas, a Vida de qualquer empresa, instituição, organização etc.

    Lembro que há dois ambientes em qualquer empresa: o físico e o social. O Social que é formado por pessoas é de vital importância e sem ele não há o jogo. É como um tabuleiro de xadrez, onde o próprio tabuleiro é o “ambiente físico”, e as “peças” fundamentais para que o jogo exista são as pessoas. Portanto eu particularmente aceito a tua utilização de “administração de pessoas” que é mais suave, ainda assim preferiria utilizar “outro termo”, que não conheço ainda, mas que certamente refletiria melhor a administração do século XXI, que tal pensarmos neste novo termo?

    Por fim lembro que o próprio Stephen Kanitz, tem uma coluna chamada “Gestão de Pessoas” neste Site>> http://www.visaodemercado.com.br/colunas_listagem.php?id=1

    Abraços do Benito Pepe

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    Oi benito, este é um dos assuntos mais interessante em administração ou gestão de empresas. Não me importo tanto com a nomenclatura, o que importa no contexto do teu artigo é relevar a importância do pessoal dentro de qualquer oganização, e no caso deste artigo, o mais importante é lembrarmos da atenção que precisamos dar ao nosso cliente interno e preocuparmo-nos com a satisfação do mesmo no seu cargo. Carlos Maia

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    Olá Carlos Maia, é isso mesmo! Obrigado pelo teu comentário, Você estava sumido hem?

    Abraços do Benito Pepe

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    Vamos fazer o seguinte meu camarada: Gestão de Pessoas, Recursos Humanos e Departamento Pessoal; eu como sou saudosista prefiro o último, mas mesmo assim vamos colocar os três dentro de um liquidificador,bater, que vai sair um suco de orientação de pessoas, que tem por objetivo receber o individuo e distribuir para aquilo que o mesmo se propõe a fazer, e para o qual foi admitido.
    Seja lá como for chamada esta secção, ela obedece rigorosamente as diretrizes passadas pela diretoria da instituição, ela não tem autonomia para admitir, demitir ou mesmo orientar o individuo sem o prévio consentimento dos superiores, ela é apenas na escala hierárquica um elo de orientação e distribuição de tarefas.
    Vejamos agora o individuo. Em qualquer sociedade, cada pessoa desenvolve um padrão distintivo de traços de resposta interpessoal que caracteriza sua conduta social. Esses traços são disposições consistentes e através de respostas, que dirigem o comportamento do individuo em diferentes situações sociais.
    Eu pessoalmente acho que toda instituição, seja do setor privado ou governamental, deveria contratar pessoas de fora, como palestrantes, orientadores em marketing, para orientar os responsáveis por estas secções, para que os mesmos estejam seguros ao passar para o grupo o que as instituições exige de cada um.
    Pois o número de traços interpessoais possíveis é extremamente grande. Existe um número infinito de diferentes nuanças no estilo de reação a outras pessoas, assim como na maneira de lidar com elas. É evidente que muitos dos obstáculos que o individuo encontra estão nas restrições impostas pelo ambiente. Além disso, toda a sociedade pode ter suas necessidade básica bloqueadas pelas características do ambiente físico.
    Muitos indivíduos podem ficar constrangidos quando a orientação para um rendimento melhor, ou mais perfeito, parta de um seu colega, mesmo que este venha ser hierarquicamente superior, porém se esta orientação partir de um grupo de palestrantes, o individuo com certeza vai aceitar com muita satisfação, pois o mesmo vai entender que seus superiores estão zelando pelo engrandecimento seu, e da instituição de que faz parte.
    Bom meu camarada, espero ter entendido o texto, e ter passado algo de positivo neste modesto comentário.
    No mais aquele abraço de sempre, do amigo J.M. Dias

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    Olá JM Dias, gostei do termo “Orientação de Pessoas”, tai uma ótima ideia. Parabéns!!
    Quanto ao todo do teu comentário, maravilha, nada pra acrescentar, obrigado.

    Abraços do Benito Pepe

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    Olá grande Benito. Eu de novo.
    Navegando pela net resolvi, de novo, fazer uma busca com meu próprio nome e cá estou novamente. Curioso esse negócio de por o próprio nome no Google e fazer uma pesquisa viu. Aparecemos em diversos lugares. Experimente.
    Bem, voltando ao assunto.
    Amigos não sou administrador de empresas, mas sim formado em técnicas contábeis e durante o curso a gente vê coisas muito interessantes sobre o tema, sou também radialista e jornalista. Claro que ao longo do tempo, hoje estou com 49 anos, a gente vai aprendendo e enriquecendo nosso intelecto lendo uma coisinha aqui outra alí, vendo, assistindo, conversando com pessoas e interagindo com profissionais das mais diversas áreas e em meio a tudo isso nos deparamos com o retrocesso o retrógrado.
    E uma coisa que até hoje me chama a atenção é com relação a palavra “chefe”, palavra essa que boa parte dos administradores e especialistas em RH não gostam e acham que o termo “líder” é muito mais humano, soa como companheirismo, parceiro e colaboradores. Lembro bem quando fui bancário no finado Banco Nacional nós brincávamos muito com relação a essa nomenclatura “chefe”, dizíamos que no banco tinha mais chefe que índio. Era duro ter que suportar tanto chefe e sabem porquê? Porque eles agiam como tal e não como colegas, colaborador, companheiros ou parceiros, atributos de um líder na minha opinião. Eles, os colegas, achavam o termo chefe uma graça, acho até que alguns tinham quase orgasmos quando eram promovidos à palavra “chefe”.
    O que me deixa triste é que infelizmente hoje existe empresa que ainda adota o termo e outros, funcionários, que também querem ter orgasmos.
    É isso meus amigos. Desculpem se me alonguei tanto. Abraços a todos e sucesso sempre.

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    Olá Gideone Rosa, obrigado pelo retorno, continue voltando sempre, ok?

    Bem, essa experiência de buscar o nosso nome na Internet eu também faço às vezes e meu nome aparece em milhares de páginas, não só do meu Site/blog, mas em várias citações, o que me gratifica muito.

    No mais, Parabéns por seus sábios e enriquecedores comentários, volte sempre…

    Abraços do Benito Pepe

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