Outra forma da divisão das Obras de Platão e um Pequeno Comentário

Faço agora esse complemento quanto ao tópico sobre as  Obras de Platão, a fim de destacar uma outra visão de como as obras deste grande filósofo clássico podem ser divididas. Temos 27 diálogos, tratando-se dos que são considerados realmente de Platão, sem falarmos da doutrina não escrita a “Agrapha Dogmata”.

Quero destacar os 4 diálogos que falam claramente do que viria posteriormente a ser denominado “Teoria da Ideias” relembrando que em nenhum momento o próprio autor declara esse termo. Esses diálogos são: Banquete, Fédon, Fedro e A República onde merecem destaque os livros VI e VII (no livro VII é apresentada a famosa “Alegoria da Caverna”). A “Teoria das ideias” também chamado “mundo das ideias” transpõe  uma dualidade entre o mundo tangível (nosso mundo) e o mundo intangível  (mundo das ideias). Essa dualidade da realidade vai dizer que a verdade é transcendente.

Embora possa não parecer para alguns,  Platão foi um revolucionário em sua época ao buscar o “conhecimento”, a “explicação pela razão”, e não só pela “explicação das musas” (ou dos deuses)

Não é muito dizer que a história do Ocidente tem muito do seu pilar apoiados nos livros VI e VII do diálogo A República.

Entre outras coisas no diálogo Banquete Platão fala do Eros (amor); no Fédon fala da morte de Sócrates; no Fedro fala da retórica; na República, fala da Justiça, no livro X deste diálogo, fala do cosmos – Mito de Er.

Nos diálogos há: um anonimato platônico;  há um protagonista, mas estaria esse protagonista dizendo o que Platão pensa?; há um movimento Dramático.

Quando lemos Platão, tanto quanto aos outros escritos que podemos considerar obras arqueológicas, precisamos nos lembrar desse fato, estamos em nossas mãos com obras escritas há 2500 anos atrás como é o caso de Platão.

Lista dos diálogos de Platão – através da divisão estilométrica (estilo da escrita, em cada período)

Considerados da primeira fase – os diálogos ditos Socráticos, são:

Apologia; Criton; Íon; Protágoras; Láquesis; República I  (note que é só o livro l que aparece nesta classificação); Lisias; Carmides; Eutifron; Eutidemo; Gorgias; Hipias Maior; Hipias Menor; Crotilo; Menon; Banquete; Fedon.

Neste grupo há aqueles que defendem a ideia de que EutifronApologia; Criton e o Fédon, seriam a Via Crucis de Sócrates.

Nesta primeira fase não vemos a separação do Sensível X Inteligível, característica da “teoria das ideias”, que só aparece claramente na segunda fase.

Destacamos também que Ménon pode ser considerado um diálogo de transição, onde já se “esboça” algo da “teoria das ideias”.

Em uma fase intermediária teríamos:

Fedro; Republica (dos livros II a X); Teeteto e Parmênides

Nesta segunda fase a “teoria das ideias” é apresentada mais claramente. Os diálogos Banquete, Fédon, Fedro e República (livros II a X) foram escritos após a viagem a Siracusa quando Platão teve contato com os Pitagóricos e desenvolve a “teoria das ideias”.

É bom destacarmos que a ideia da alma imortal vem de antes de Platão cerca de 600 a.C vindo do Oriente.

Em uma terceira e última fase teríamos:

Sofista; Político; Filebo;  Timeu;  Crítias e as Leis (contendo 12 livros e que é uma obra inacabada sendo considerada a última obra de Platão.)

Destaco o Timeu – diálogo cosmológico onde Platão fala do Mundo.

Essa divisão apresentada acima se dá através da estilografia ou estilométrica onde se verificando um estilo de escrita, a estilística, determina-se uma fase. Assim os grupos acima têm uma estilística própria e bem parecida. Estudou-se o estilo da escrita platônica nos primeiros diálogos que são escritos logo após a morte de Sócrates, depois se verificou o estilo apresentado na última fase que inclui as Leis, sabendo-se  que esta se trata da última obra de Platão. Por fim todas as obras que não se encaixam nem na primeira fase nem na última, ficam na fase intermediária.

Alguns vão dizer que há algumas “contradições” em Platão, por exemplo, no Fédon ele diz que a alma tem uma única parte, já na República ele diz que a Alma tem três partes. Mas isso pode caracterizar que o pensamento de Platão tem uma “evolução”, aliás isso ocorre com todo mundo, não é mesmo?

Outros vão dizer que há uma seqüência em alguns dos livros de Platão, como é o caso dos citados como sendo a Via Crucis de Sócrates. É claro que em alguns diálogos isso fica claro e expresso pelo Próprio autor, como é o caso de Timeu e Critias. Parece o mesmo com relação ao Sofista e o Político, para dar alguns exemplos.

Bem, de qualquer maneira estamos aqui estudando Platão depois de 2500 anos de suas obras serem escritas, imaginemos quanto já se falou e quanto ainda se falará de Platão.

Abraço do Benito Pepe

Esta postagem tem relação e sequência com o  texto: Platão, uma visão geral de sua obra e doutrina.

Benito Pepe

Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica em: Administração de Empresas, com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião e Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

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[…] Outra forma da divisão das Obras de Platão e um  Pequeno Comentário […]

Magda
11 anos atrás

Gostei muito do seu site, pois fala dos temas que estou precisando para a realização de trabalho, mas infelizmente não encontrei nada sobre Sócrates aqui, será que poderia me ajudar em uma pesquisa? pode enviar a resposta pelo meu email, aí vai a pergunta:
Você ousaria discordar de Sócrates? Esse filósofo foi considerado em sua época como o homem mais sábio entre os demais. Além disso, foi e continua sendo referencial de sabedoria para milhares de outros filósofos. Entretanto, como seres livremente pensantes, temos a prerrogativa de concordar ou não com Sócrates ou qualquer pessoa. Analise as idéias do filósofo abaixo descritas e cite sobre cada uma delas, os pontos onde você concorda ou discorda, se for o caso. Não se limite em dizer apenas que concorda ou não, mas justifique cada uma de suas posições, numa tentativa de argumentar “a altura” de Sócrates.
– A melhor maneira de obter o auto-conhecimento é o auto-exame.
– A sabedoria age a partir do interior da pessoa (sabedoria centrífuga) (de dentro da pessoa para fora dela). Para ele, apenas aquilo que é decidido de dentro para fora é autêntico e libertador.
– O filósofo considerava que o autoconhecimento acontece na medida em que conhecemos o outro. A alma do outro é o espelho da nossa alma, . Assim Sócrates considerava o autoconhecimento de uma maneira que podemos chamar de ação centrípeta (de fora da pessoa para dentro dela) de sabedoria.
– “Conhece-te a ti mesmo” esta frase não foi dita pelo filósofo mas foi atribuída à ele. para ele o auto exame evitaria o vexame de ser julgado pelas pessoas.

Desde já agradeço!
Beijinhos carinhosos em seu coração!
Magda

Leila
10 anos atrás

Bendito,

Amei esse Site, correspondeu com o que eu buscava………..um grande abraço

Leila

10 anos atrás

Olá Leila, obrigado pelo comentário, Valeu pelo Bendito mas meu nome é Benito hehe

Abraços do Benito Pepe

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