Sabedoria e Arte de Viver: os Árabes Antigos em Evidência

Este texto que segue foi baseado em Mansour Chalitta: As mais belas páginas da literatura árabe. E compilado por JM Dias.

Que é a sabedoria? A Enciclopédia Britânica define a sabedoria como a soma da cultura intelectual dos séculos. Em grego, a palavra “filosofia” significa “amor à sabedoria”. Mais adequadamente talvez, poderíamos definir a sabedoria como o ponto do saber teórico e o saber prático. A sabedoria procede da cultura, mas visa à ação. Um homem pode possuir todos os conhecimentos e viver irracionalmente. A sabedoria inclui ao contrário a arte de viver.

Diz um provérbio árabe: “o vento da adversidade nunca sopra no reino da sabedoria”. Pois o sábio, conhecendo os homens e a vida, sabe o que deles esperar e nunca é decepcionado. Sabe também prever e evitar as infelicidades, como sabe aceitá-las com serenidade quando são inevitáveis.

A sabedoria não é igualmente repartida entre todos os homens e todos os povos. Dois elementos a determinam: um dom natural com que o destino favorece certos indivíduos e certos povos e o tempo que amadurece os homens como amadurece as colheitas.

Sob esses dois aspectos a literatura árabe é uma literatura privilegiada. Nenhuma região do mundo foi talvez tão generosamente cumulada com os dons da sabedoria quanto as daquelas terras abençoadas do Oriente Médio, berço dos sábios e dos profetas. E nenhuma outra literatura tem tido a perenidade da literatura árabe. Quando ela começou a produzir obras-prima, o homem ainda viajava a dorso de camelos e media o tempo pela progressão da sombra que a palmeira projeta sobre a areia do deserto. E ela continua a produzir obras-primas na era das viagens interplanetárias e das máquinas fotográficas que dividem o segundo em 1000 avos.

No decorrer desses  milênios, a literatura árabe se desenvolveu nos meios mais diversos e em quatro das cinco partes do mundo, desde o deserto árido da Península Arábica até a flora Andaluzia da Espanha Muçulmana, desde os meios rigorosamente moralista dos primeiros tempos do Islã, até os meios dissolutos da Bagdá “das Mil e Uma Noites”, desde as tendas primitivas dos beduínos até as cidades cosmopolitas de Beirute, Cairo, Damasco e mesmo São Paulo e Nova Iorque onde surgiram alguns dos maiores poetas e escritores da moderna literatura árabe.

No decorrer desses séculos  também a literatura árabe acompanhou o homem em épocas de paz e de guerra, de ordem e revoluções, de prosperidade e de miséria, de justiça e tirania, de progresso e de marasmo, de grandeza e mesquinhez, e incorporou ao seu patrimônio os ensinamentos sugeridos por tantos espetáculos.

Acrescentemos que, com extensão do Islã, a língua árabe foi adotada por povos de civilizações, raças e religiões diversas que a enriqueceram ainda mais com suas tradições próprias. Assim o dom natural e a experiência concorreram harmoniosamente para dotar a literatura árabe de sua proverbial sabedoria.

Fonte:

Mansour Chalitta: As mais belas páginas da literatura árabe.

Abraços do Benito Pepe

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

2 comentários em “Sabedoria e Arte de Viver: os Árabes Antigos em Evidência

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    COMO SE MANIFESTA A SABEDORIA

    Em primeiro lugar, na própria atmosfera, mais consistente e mais densa, que envolve toda a literatura árabe e que é o reflexo da perspicácia e da experiência dos que a produziram . Pois, pela mesma forma com que o homem manifesta a qualidade de sua mente e de sua cultura quando fala ou escreve sobre qualquer assunto, assim uma literatura reflete em todos seus gêneros a qualidade da mente dos povos que a criaram.
    Em segundo lugar, essa sabedoria se manifesta em anedotas, reflexões, aforismos, cheios de sutileza e de esperteza, nos quais se analisam com impiedosa habilidade o comportamento e os sentimentos humanos. Caracteristicamente, muitos desses aforismos são anônimos, como se expressassem as idéias não de um autor, mas de um povo inteiro. Em alguns exemplos expressivos:
    A metade do mundo ser-te-á sempre adversa; se
    Fores mau, os bons te combaterão; e se fores bom os
    Maus te combaterão
    Um profeta disse a Deus: “Senhor, peço-vos uma
    Coisa só: livrai-me da língua dos caluniadores. E Deus
    Respondeu-lhe: “Meu filho, você que ser melhor do que
    Eu?”
    Três são os causadores da perdição do homem :
    Sua boca, seu estômago e a mulher do próximo.
    Os muçulmanos põem na boca de Jesus a seguinte
    Sentença: Curei o paralítico, o cego e o leproso …
    Mas não consegui curar o insensato.
    Bom meu câmara!
    A onipresença de Deus, por exemplo, numa noite preta, sobre uma mesa de mármore preto, uma formiga preta. Deus a vê”
    A generosidade da vida, que recompensa às vezes com inesperada profusão nossos modestos empreendimentos , é simbolizada por Gibran nesta luminosa parábola “ Não ouviste falar do homem que cavava a terra a procura de raízes e descobriu um tesouro?”
    É meu querido amigo, eu não esqueço jamais, que na posição da minha vida, há sempre dois níveis a observar: os que estão acima e os que estão abaixo de mim, procuro sempre colocar-me, as vezes na posição das pessoas superiores a mim, e outras vezes na posição de pessoas abaixo do meu eu, pois assim consigo compreender os problemas que surgem dos dois lados. E desta forma consigo ajudar melhor a uns e a outros. É por isto, que em minhas orações ao mestre, diariamente peço-lhes que me dê somente duas coisa SABEDORIA E SAÚDE, pois nada mais tenho que pedir e sim agradecer.
    E para você, que o nosso mestre cada vez mais ilumine a sua vida com bênçãos e SABEDORIA.
    Mais um grande abraço do amigo J.M.Dias.

    A fonte deste comentário foi o livro As mais belas páginas da literatura Árabe
    De Mansour Challita .

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    Valeu meu camarada JM Dias. Ótimo complemento ao texto. Muito belo…

    Abraços, Benito Pepe

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