Sócrates e o Aprendizado. Aprendendo a Aprender com Sócrates

Existem várias maneiras de se aprender, podemos aprender com nossos erros (isso se dá através da prática) ou com os erros dos outros, isso ocorre através da teoria. No entanto o maior mestre do aprendizado foi Sócrates, sabe por quê? Porque Sócrates nos ensinou que só podemos começar a aprender quando tomamos consciência que somos ignorantes e que precisamos estar abertos ao novo, precisamos estar preparados para quebrar paradigmas, mas também despertar o conhecimento que temos em nossa alma.

A famosa frase de Sócrates: “Só sei que nada sei” expressa e sintetiza claramente o verdadeiro sábio e este pensamento. Há algumas diretrizes que podemos aprender com a filosofia de Sócrates, embora ele não nos tenha deixado nada escrito seus discípulos e principalmente Platão o fizeram muito bem.

Uma dessas diretrizes Socráticas é a Arte do Diálogo, seu pai era escultor e sua mãe Parteira. Sócrates dizia que fazia algo parecido com o que sua mãe fazia. Da mesma maneira que sua mãe dava a luz às crianças ele dava a luz aos homens, era um parteiro espiritual. Ele procurava guiar seus interlocutores até a verdade, utilizava-se para isso de uma habilidade extraordinária até então, empregava-se de um questionamento que levava seus interlocutores a descobrirem a verdade por si mesmos e assim criar uma sólida convicção.

Quando limpamos nossa mesa podemos reorganizá-la, é necessário uma tabula rasa para reiniciarmos. O método socrático só funciona a partir daí, ou seja, da consciência de nossa ignorância. É através da descoberta de nossas contradições e reflexões quanto aos nossos paradigmas, muitas vezes equivocados, que chegamos ao novo. É com a indução que o interlocutor conscientizado de sua ignorância fundamenta um novo conhecimento seguro.

Sócrates dizia que o conhecimento já está conosco e, portanto, ele (Sócrates) só precisava fazer um parto, tirar esse conhecimento de dentro do homem. Esse processo conhecido como Maiêutica Socrática é usado até hoje. Quando estamos em um processo de dialética ou fazendo perguntas que nos farão deduzir e chegar a algum “consenso” de entendimento, estamos dialogando no sentido mais amplo da palavra, mas esse processo só funciona se estivermos abertos ao novo e não fixados em nossos paradigmas e opiniões, muitas vezes enraizadas e alicerçadas em nossa alma, porém equivocados.

Só aprendemos quando quebramos paradigmas e quando temos consciência que não sabemos. Aquele que pensa que tudo sabe, nada sabe, pois não está aberto a aprender, portanto nada sabe. Ao contrário aquele que pensa que nada sabe e está aberto a aprender sempre, tudo sabe. Este é o verdadeiro sábio.

O conhecimento já nascera conosco, “ele veio com nossa alma”, porém ele ficou esquecido em nosso corpo. Para relembrarmos o que sabíamos precisamos de um processo dialético. A reminiscência é a rememoração, a lembrança do que sabíamos. De fato o que Sócrates parece querer nos mostrar é que ninguém pode saber se sabe ou não sabe, a não ser através de outro alguém. Ou seja, através do diálogo. (Seja ele pessoalmente ou “através dos livros, Internet, áudio, vídeo etc.”)

Vou fazer um parêntesis para inserir aqui um princípio simples da psicologia, os quatro “EUs”. Todos nós temos quatro “EUs”, temos um “eu” que nós e todo mundo conhece; temos um “eu” que é só nosso, nossos segredos, nossa intimidade; temos outro “eu” que os outros podem observar de nós, mas que nós mesmos não conhecemos; e por fim temos um “eu” que nem nós, nem os outros conhecemos, aí estão nossos enigmas, nosso inconsciente, etc. É através do diálogo aberto e franco que podemos trocar experiências, conhecemos nosso mundo e o mundo dos outros. Só crescemos enquanto seres humanos através do diálogo franco e aberto. Podemos fazer com que os outros nos descubram e podemos fazer com que os outros nos ajudem a descobrirmo-nos. A reminiscência faz acordar o desconhecido em nós, nossas fraquezas e nossas potencialidades podem florescer.

Quem se empenha na ética, busca a autenticidade e transparência e procura fazer o bem encontra a felicidade. Dessa maneira, como Sócrates, temos que buscar a coerência, a ética, ser honestos conosco mesmo e com o mundo. Não há como sermos felizes se vivermos uma falsa verdade. Os sonhos são importantes, mas são para a noite quando estamos dormindo, quando estamos acordados devemos viver a realidade a ação, para isso precisamos nos motivar, sermos pró-ativos, termos atitude. Só aprendemos se quisermos aprender, ninguém aprende e apreende se não quiser.

E então você está pronto para quebrar teus paradigmas? Você quer aprender?

Abraços do Benito Pepe

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

26 thoughts on “Sócrates e o Aprendizado. Aprendendo a Aprender com Sócrates

  • 27 de fevereiro de 2011 em 10:29 PM
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    Olá Benito!
    É importante sim, que tenhamos um bom diálogo. É por meio dele que criamos um acordo com o “mais verdadeiro” nesta jornada rumo ao conhecimento(que´vai ao infinito). Entretanto, onde poderemos encontrá-lo ?
    Como poderemos saber se não dialogamos com as paredes?
    Essa parte do diálogo que cabe ao “outro” e não a nós mesmos é um jogo um tanto arriscado,onde nunca podemos ter certeza se o verdadeiro entendimento ocorre (característica do diálogo válido).Dado a isso, acredito que o diálogo deva vir acompanhado da amizade, pois somente um amigo de verdade estaria aberto o suficiênte para tentar construir acerca de um problema (de qualquer natureza), não colocando em primeiro plano o medo de errar ou a arrogância. Não bastando isso, ainda lhes deve ser necessário o amor pela descoberta em sua forma ampla. O verdadeiro diálogo não é formado de palavras, mas de intenções sólidas o bastante para alguém parar e ouvir com seu “melhor ouvido”.
    Abraço,
    Taci.

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  • 28 de fevereiro de 2011 em 9:43 AM
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    Bom dia meu amigo Benito.
    Como vai?

    Adorei a postagem. Excelente artigo.
    Não me lembro a quanto tempo, li algo sobre Sócrates que de fato mexeu com minha maneira de ver o mundo e interagir com o mesmo. O texto que li abordava justamente a questão das perguntas como o caminho do saber e dizia que a chave era sempre perguntar “Por que?”. Assim tenho procurado fazer desde então e de fato isso tem me ajudado muito a expandir meus horizontes.
    Mais recentemente, a cerca de 3 anos, tomei conhecimento do método Coaching para o Desenvolvimento do Potencial Humano e busca pela excelência e aí novamente encontrei Sócrates como referência, pois a base deste método é justamente a aplicação de perguntas eficazes estrategicamente elaboradas e aplicadas para levar o aprendiz a encontrar em si mesmo, e por si mesmo, as suas respostas e o seu caminho, adquirindo autonomia, liberdade de ser e desenvolvendo suas potencialidades da melhor maneira possível e desejável.
    Gostei mesmo de sua publicação e encontrei nela mais inspiração para concluir a etapa atual da minha monografia.
    Aguardo convite para assistir suas palestras.
    Muito obrigado meu amigo e sucesso sempre.
    Um forte abraço e até breve.

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  • 28 de fevereiro de 2011 em 4:20 PM
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    Olá Taci, estava sumida hem? Já estava com saudades dos seus inteligentíssimos comentários. Bem, quanto as interrogações que você deixou no ar, vamos esperar o feedback dos amigos leitores. Quanto ao primeiro questionamento, vou dizer que a humanidade busca a “verdade” e sempre deverá buscá-la, ainda que não a encontremos, devemos continuar na busca…

    Quanto a dialogar com as paredes, posso dizer duas coisas: uma, se a parede é uma metáfora para o inatingível, continuemos dialogando mesmo assim… Se as paredes forem pessoas que não ouvem (ou entra por um ouvido e sai pelo outro) aí não adianta vá para outras paredes hehe.

    Tem gente que não quer aprender, que só interessa ler a parte dos esportes nos jornais, ver novelas e coisas do gênero, para esse não percamos nosso tempo. No entanto há muita sede e vontade de aprender com esses dialoguem. É bom lembrar também que a dialética socrática não é fácil precisamos lembrar da ironia socrática precisamos questionar e tentar fazer pensar. Agora há os que não querem pensar…

    Abraços do Benito Pepe

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  • 28 de fevereiro de 2011 em 4:21 PM
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    Olá meu grande camarada Leandro, é uma satisfação ter aqui este teu comentário e depoimento sobre Sócrates. Espero que volte mais vezes e deixe outros comentários ok?

    Quem tem a mente aberta, como sei que é o teu caso, quando ouve ou lê algo filosófico, seja de Sócrates ou de quem for, nunca mais é o mesmo….
    Quanto ao Coaching é algo que estou também me especializando cada vez mais.
    Fico feliz que tenha gostado deste artigo e que ele esteja te ajudando nesta etapa de tua monografia, estarei pronto para qualquer ajuda que precisar e só me ligar e marcamos um encontro, valeu?

    Quanto assistir a uma palestra minha será uma honra ter tua presença. Pode me ligar que te dou minha agenda. Neste momento estou tendo apresentações às 3ª, 4ª e 5ª feiras, mas isso varia muito.

    Abraços do Amigo Benito Pepe

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  • 13 de março de 2011 em 1:46 PM
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    Estamos precisando dos seus conhecimentos na nossa empresa o mais rápido possível. O curso venda mais com qualidade foi muito importante pra nós vendedores, mas queremos sempre mais. Estamos no seu aguardo… eu sei que você vai dar palestra para os motociclistas, por favor, não chama de motoboy… existem diferenças. Valeu. Flavio (Ret tec.)

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