platao-sua-obra Continuando o texto: “Platão uma Visão geral de sua obra e doutrina”

 A obra de Platão se caracteriza claramente como uma preocupação com a Ciência (“o conhecimento verdadeiro e legitimo”), além da Moral e da Política. Platão conclui que o Conhecimento (o saber) se identifica com o bem.

Diferentemente de Aristóteles cuja principal parte de suas obras mantidas para a posteridade foram as obras esotéricas (ou seja, os escritos para dentro do Liceu, isto é, para os estudos dos seus discípulos); de maneira diversa as obras de Platão mantidas foram exatamente as publicadas para o público em geral, ou seja, as obras exotéricas, as obras para fora da Academia.

A obra de Platão foi escrita na forma de diálogos, com exceção da Apologia de Sócrates. Um dos sinais do prestígio do filósofo é o fato de seus textos terem sido conservados quase na totalidade. Entretanto, foram-lhe atribuídos diversos escritos que hoje são considerados espúrios. Conquanto não exista unanimidade total entre os especialistas, o emprego de critérios estilísticos e conceituais, em particular os referentes à evolução do pensamento platônico, permitiu estabelecer, em linhas gerais, uma ordenação de seu trabalho na seguinte “ordem cronológica”, observe que alguns diálogos aparecem em fases distintas, isso demonstra a dúvida quanto a esta classificação:

(1) Diálogos socráticos ou de juventude

Nestes diálogos  a figura e a doutrina de Sócrates ocupam lugar de destaque, lembrando que Sócrates é morto em 399 a.C., quando Platão tinha 30 anos de idade. Assim estes diálogos socráticos parecem refletir o pensamento do mestre de Platão ou seja do próprio Sócrates, mas há controvérsias nessa avaliação. Estes diálogos socráticos terminam em aporia ou seja terminam sem conclusão, sem solução ao “problema” levantado e Sócrates apesar de questionar seus interlocutores sobre por exemplo, o que é a moral, a coragem ou a piedade,   ele (Sócrates) mostra ao seu interlocutor que ele (o interlocutor) pensava que sabia a resposta mas que na verdade não sabe, entretanto Sócrates deixa claro que também ele não a sabe, dessa maneira Sócrates faz com que seus interlocutores fiquem espantados ao perceberem que não sabem o que pensavam saber.

Estes são diálogos socráticos:  Apologia de Sócrates; Protágoras; Trasímaco; Críton, ou sobre o dever; Íon ou sobre a Ilíada; Laques, ou sobre a coragem; Lísis, ou sobre a amizade; Cármides, ou sobre a moderação; Eutífron, ou sobre a piedade e os dois Hípias o menor, ou sobre a falsidade e o Hípias maior ou sobre a beleza, embora a autenticidade do Hípias maior seja discutida por alguns autores.

(2) Diálogos da fase intermediária

 

É nessa fase que ocorre a primeira viagem à Sicília (hoje sul da Itália) entre 389-388 a.C, e a Academia é fundada logo depois em 387 a.C

Temos como diálogos dessa fase: Protágoras, ou sobre os sofistas; Górgias, ou sobre a retórica; Menexeno, ou Oração fúnebre; Eutidemo. O Banquete (symposium), ou sobre o bem; Fédon, ou sobre o amor; Ménon, ou sobre a virtude; A república (politeia) ou sobre a justiça; Fedro, ou sobre a alma.

(3) Diálogos construtivos ou da maturidade: Górgias, Ménon, Eutidemo, Crátilo, Menéxeno (nem sempre aceito), O banquete, A república, Fédon e Fedro. Nos quatro últimos, a teoria das idéias aparece exposta em sua forma mais característica.

(4) Diálogos tardios, ou da Velhice grupo que, iniciado com Teeteto, inclui os escritos elaborados durante a velhice de Platão e nos quais ele faz a “revisão crítica da teoria das idéias”: Parmênides, Sofista, Filebo, Político, Timeu, Crítias e as leis.

 

(5) Diálogos da fase final

Timeu, ou sobre a natureza; Crítias, ou sobre a Atlântida; As leis (Nomoi); Epinomis.

Além dos textos, há uma série de cartas, das quais duas são tidas como autênticas.

Abraço do Benito Pepe

No próximo tópico falamos um pouco da Doutrina de Platão.

Veja também:

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14 Responses to “Obras de Platão”

  1. Pequena Biografia de Platão Says:

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  3. Anônimo Says:

    nem sempre vc sabe de tudo ne

  4. Benito Pepe Says:

    Olá “Anônimo” nem eu e nenhum mortal neste Planeta sabe de tudo hehehhe. Não é possível saber de tudo, ninguém sabe de tudo, o máximo que conseguimos é saber um pouco de cada coisa, outros preferem saber muito de poucas coisas e assim por diante.

    Abraços do Benito Pepe

  5. Mizaiane Silva Says:

    Oii , eu gostaria que voçe me fala-se a Conclusão de tudo de Platão por favor , é para um trabalho para minha escola :]

  6. Benito Pepe Says:

    Olá Mizaine. Falar a conclusão? Bem, aconselho que você faça uma releitura completa em todos os textos em que falo de Platão e assim faça as suas próprias considerações finais. Ademais você pode ir seguindo os links.
    Abraços do Benito Pepe

  7. José Maria Dias Says:

    Olá grande Filósofo Benito Pepe, fiz um estudo sobre PLATÂO, vou deixar um comentário, para ver se acertei alguma coisa.
    Platão (c.428-347 a.C.), o mais importante continuador da obra de Sócraates, é quem dá a filosofia a sua primeira grande sistemetização. Desde as investigações dos filósofos pioneiros, sobre o principio do mundo, ou as exigências lógicas de Permênedes e Zenão, e os impasses a respeito do movimento e da pluralidade das coisas, até as questões sobre os valores humanos (formuladas, de um lado, pelos sofistas e, de outro, por Sócrates), passando pelos rigorosos estudos matemáticos dos pitagóricos, todos esses aspectos, que constituiram os temas dos pensamentos ocidental, encontran-se não apenas sintetizados, mas tambem colocados em novos termos de Platão. A força dessa síntese e tal que, em pleno século XX, o filósosfo inglês Alfred N. Whitehead dirá que a historia da filosofia não passa de um sucessão de notas de rodapé da obra de Platão. Ou como afirmará o francês Fraçois Châtelet, somos todos discípulos de Platão, Exagerados ou não, esse comentários referem-se ao fato de que praticamente tudo o que a filosofia, a partir de Platão, irá tomar como tema , tem origem nele, seja para aprofundar o pensamento, seja para refutá-lo. Para Platão, a vida de Atenas é a prova viva do que mostrava Sócrates ao denunciar, com sus perguntas, o falso saber dos homens, sobretudo no que se refere os valores humanos. Como Platão mesmo afirma numa carta autobiografica ( Carta VII ), a política ateniense, que se orgulhava de ter um governo o mais justo, degenerava de injustiça em injustiça. ” A legislação e a moralidade estavam a tal ponto corrompidas que eu , antes cheio de ardor para trabalhar para o bem público, considerando essa situação e vendo que tudo rumava à deriva, acabei por ficar aturdido “, escreveu. A condenação e a morte de Socrates em 399 a. C. resumem esse estado de coisas. Desiludido Platão abandona o ideal de participação política alimentando desde a juventude: ” Fui então irresistivelmente levado a louvar a verdadeira filosofia e a proclamar que somente à sua luz se pode reconhecer onde está a justiça na vida pública e na vida privada “. Compra então uma propriedade ( a Academos) nos arredores de Atenas e ali funda, por volta de 387 a.C, uma escola, a Academia, onde desenvolve seus estudos. A Academia não é uma instituição escolar no sentido moderno. É antes uma especie de irmandade, com certa conotações religiosas, em que se discute livremente a respeito de temas como matematica, música e asttronomia, além de questões propriamente filosóficas.. Na entrada, um lema indica a inspiração pitagórica:
    ” NÃO ENTRE QUEM NÃO SABE GEOMETRIA ” .
    Meu amigo e professor, tenho muito mais para falar deste grande filosofo, que foi Platão. E posso lhe garantir que este estudo sobre filosofia esta me fascinando, mas por enquanto é só, e aquele abraço.

  8. Benito Pepe Says:

    Valeu amigo Dias, obrigado pela contribuição!

    Veja tudo o que escrevi sobre Platão, siga os links e leia especialmente a “Alegoria da Caverna”>> http://www.benitopepe.com.br/2009/03/31/a-alegoria-da-caverna-de-platao-%e2%80%93-livro-vii-da-republica/

    Abraços do Benito Pepe

  9. fernanda Says:

    Olá, muito interessante todo o blog. Gostaria de saber um pouco mais sobre a expressão “amor platônico” e se a mesma tem algum findamento de ser. Obrigada!

  10. Benito Pepe Says:

    Olá Fernanda, obrigado pelo carinho e admiração pelo meu Site/blog.

    Bem, essa expressão “amor platônico’ já foi tema de debate aqui, a questão amor platônico nos parece estar relacionada com uma situação inatingível algo que está em outro mundo, em outra realidade que não a das pessoas envolvidas. Sabemos que Platão divida o “mundo” em dois. O mundo em que vivemos seria um mundo, e o “mundo das ideias” seria o outro, lá é que estaria a verdade para Platão. Só que o mundo das ideias é alcançado por poucos…

    Há também um ponto importante nesta questão do Ser. Poderíamos “configurar” mais ou menos ser em cada escala e cada situação para Platão. Desta maneira há o Ser puro, no mundo das ideias; há uma cópia em nosso mundo e há cópias de cópias, cada uma estaria caracterizando mais o menos ser.

    No mais sugiro que você leia mais tópicos em que falo de Platão e por exemplo a “Alegoria da Caverna”, e depois traga novas dúvidas, ok?

    Abraços do Benito Pepe

  11. willian Says:

    esse blog é uma porcaria

  12. Benito Pepe Says:

    Olá Willian, Sinto muito que você não tenha gostado do meu Site/blog. Viste outros que você goste. Há muitos que gostam deste aqui…

    Abraços do Benito Pepe

  13. Gabriella Says:

    Eu li o blog e fiquei muito interessada sobre a vida de Platão , e gostaria de saber quais as principais obras dele . beijos

  14. Benito Pepe Says:

    Olá Gabriela, a vida e obra de Platão é muito rica. Podemos dizer que praticamente tudo o que Platão escreveu são obras primas, no entanto algumas são mais famosas, como é o caso da “Republica”, onde está contida a famosa “alegoria da Caverna”; outras obras merecem destaque como: “Górgias”, “Menon a “Carta VII”; ”Protágoras”, “Apologia de Sócrates”, “Banquete”, “Fédon”, “Fédron”, “Parmênides”, “Timeu” entre outras.

    Abraços do Benito Pepe

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