A Itália e o Renascimento

A arte renascentista começou a manifestar-se plenamente no Quattrocento (século XV) em Florença. A situação econômica, social e cultural daquela cidade era favorável ao esplendor artístico. O orgulho dos florentinos expressou-se em seguida nas estátuas dos santos patronos para os nichos de Orsanmichele (Or San Michele), obra de vários artistas, entre os quais Donatello e Lorenzo Ghiberti, assim como na maior cúpula construída desde a antiguidade, erguida por Filippo Brunelleschi na catedral.

Em 1401 foi realizado naquela cidade um concurso para a confecção das portas em bronze do batistério de San Giovanni, no qual o vencedor foi Ghiberti. O pagamento dessas obras escultóricas e arquitetônicas e a decoração dos palácios, igrejas e monastérios ficou a cargo de ricas famílias de comerciantes e dignitários, entre as quais se destacou a dos Medici.

O iniciador da pintura renascentista foi Masaccio. A monumentalidade de suas composições e o naturalismo de suas obras fazem dele uma figura essencial da pintura do século XV, como se pode apreciar nos afrescos da capela Brancacci.
Contemporâneos de Masaccio foram fra Angélico, pintor idealista de cenas religiosas, e Paolo Uccello, preocupado com os escorços (figuras em posturas oblíquas ao plano da obra artística) e as perspectivas. À segunda metade do século XV, auge da tendência pictórica racionalista e investigadora, pertenceram Piero della Francesca, que se sentiu atraído pelo valor da luz como elemento expressivo, e Sandro Botticelli, com quem triunfou um estilo sinuoso e refinado.

O alto Renascimento ou Cinquecento floresceu entre 1490 e 1527, ano em que Roma, que substituíra Florença como centro artístico, foi saqueada pelas tropas imperiais de Carlos V. O período contou com três figuras de primeira magnitude: Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael. Cada um desses artistas personificou um aspecto peculiar desse momento: Da Vinci foi o arquétipo do homem renascentista, um gênio solitário que se interessou pelas facetas múltiplas do conhecimento; Michelangelo encarnou o poder criador e concebeu vários projetos inspirando-se no corpo humano como veículo essencial para a expressão de emoções e sentimentos; e Rafael exemplificou o espírito clássico da harmonia, da beleza e da serenidade.

Embora Da Vinci, autor da “Gioconda” (ou “Mona Lisa”) e da “Última ceia”, tenha sido reconhecido em sua época como um grande artista, seu constante e profundo interesse no conhecimento da anatomia humana, do mecanismo do vôo das aves e da estrutura interna de animais e plantas não lhe permitiu produzir uma obra pictórica extensa. Os primeiros exemplos escultóricos de Michelangelo, como o “David”, revelam uma grande habilidade técnica que lhe permitiu mais tarde curvar suas figuras de forma helicoidal, explorando as possibilidades expressivas da anatomia humana.

Ainda que tenha se iniciado como escultor, sua obra mais conhecida é o gigantesco afresco da abóbada da capela Sistina, na qual combinou a teologia cristã e a filosofia neoplatônica. Rafael, que na juventude sofreu a influência de Da Vinci e Michelangelo, distinguiu-se por sua preferência pela harmonia e clareza clássicas, características que podem ser apreciadas em uma de suas obras mais célebres, “Escola de Atenas”. Nesse trabalho, um afresco para o Vaticano, representou juntos, em conversa tranqüila, diversos filósofos, artistas e homens de ciência, tanto da antiguidade como seus contemporâneos, dispostos em um cenário colossal de características greco-latinas.
O criador do Cinquecento arquitetônico foi Donato Bramante, que chegou a Roma em 1499. Sua primeira obra-prima foi o pequeno templo de são Pedro em Montorio, de planta centralizada, semelhante à dos templos circulares clássicos. O papa Júlio II escolheu Bramante para edificar a nova basílica de São Pedro, de gigantescas proporções, que deveria substituir a igreja paleocristã do século IV. O projeto só foi completado muito tempo depois da morte de Bramante e dele participaram artistas como Rafael e Michelangelo, que desenhou a enorme cúpula.

Em Veneza, onde Antonello da Messina havia introduzido o óleo, técnica própria do norte da Europa durante o século XV, sucedeu-se uma série de pintores brilhantes — Giorgione, Ticiano, Tintoretto, Veronese — com os quais chegou ao seu esplendor máximo a escola veneziana, cujas características são o colorido, a luz vaporosa, a sensualidade e os temas pagãos.

Difusão da arte renascentista

Fora da Itália difundiram-se com certa rapidez as novidades estéticas italianas graças às viagens de artistas à Itália e à difusão proporcionada pela invenção da imprensa. Embora na arquitetura demorassem um pouco a se impor os critérios renascentistas, devido à permanência do gótico, na escultura e sobretudo na pintura chegaram a se destacar artistas extraordinários. No norte da Europa, onde ficara famoso o esplendor da escola gótica flamenga, minuciosa e de ricos cromatismos graças ao emprego do óleo, destacaram-se o gravador e pintor alemão Albrecht Dürer, que conjugou o estilo clássico renascentista com o gótico germânico com grande habilidade, e o flamengo Pieter Brueghel o Velho, interessado na reprodução de cenas da vida cotidiana não isentas de ironia.

Na Espanha, a arte do Renascimento foi muito mais religiosa do que nos demais países da Europa, fruto do espírito da Contra-Reforma, e alcançou seu maior brilhantismo com a arquitetura austera de El Escorial, obra de Juan de Herrera y Gutiérrez de la Vega e com a obra de El Greco, que se caracteriza por figuras alongadas, de marcante espiritualidade, uma técnica livre e uma gama de cores e brilhos de origem veneziana.

Literatura
Ao lado das artes plásticas, a literatura italiana viveu uma época proto-renascentista personificada por Dante Alighieri, contemporâneo de Giotto. Sua obra mais representativa, a Divina comédia, pertencia à Idade Média por sua construção e suas idéias, mas sua visão subjetiva e sua poderosa expressividade a aproximavam do Renascimento. Petrarca e Boccaccio também pertenceram ao período literário que precedeu o Renascimento, por seus estudos do latim e seus escritos em língua vernácula.

O alto Renascimento foi representado na Europa por indivíduos notáveis como o francês François Rabelais, o português Luís de Camões, o italiano Ludovico Ariosto e o britânico Christopher Marlowe.

Música
Também a música alcançou um enorme desenvolvimento no Renascimento, época na qual triunfou a música vocal polifônica, conjunto de várias vozes e instrumentos formando um todo harmonioso, e a profana, exemplificada no madrigal. O coro da capela Sistina, do Vaticano, que participava dos serviços religiosos oficiados pelo papa, atraiu músicos e intérpretes vocais de toda a Itália e até mesmo do norte da Europa. Entre seus membros destacaram-se os compositores Josquin des Prés e Giovanni Pierluigi da Palestrina, mestre da polifonia religiosa.

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Abraços do Benito Pepe

Fonte: Enciclopédia Barsa

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

8 comentários em “A Itália e o Renascimento

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    Olá professor:
    O renascimento marcou o início dos tempos modernos no plano cultural. Começou nos fins da Idade Média e atingiu a plenitude entre os séculos XV e XVI. A denominação Renascimento foi resultado da préocupação dos homens que viveram esta evolução cultural, em aproximar a sua Época da antigüidade. Consideravam, portanto, que a sua Época via renascer a cultura antiga. A partir da qual se orientavam, em oposição à cultura Medieval que desprezavam.
    A Italia nos fins do século XV. Os estudos começados po DANTE, PETRARCA E BOCCACCIO, foram estimulados pela chegada de homens cultos vindos de Constantinópla. Um dos principais centros Culturais do Oriente. Tomada pelos Turcos em 1455. Na cidade Italiana de Florença, Lourenço de Médici fundou uma academia onde pensadores ilustres tentaram estabelecer um acordo entre o pensamento antigo (pagão) e o ideal crstão, foi alí tambem que Maquiavel renovou os estudos de História e de Politica, estabelecendo em o PRINCIPE as bases para a organização politica do Estado moderno. Os Humanistas cristãos conciliar a filosófia Platônica e o Cristianismo, principalmente. Marcilio Ficino e Pico Dellamirandola.. Os Humanistas pagãos desenvolveram estudos históricos da antigüidade com a finalidade de criticar os livros sagrados, como é o caso de Lourenço Valla.
    Tambem na arte o Renascimento rompeu com idéias e costumes da Idade Média e procurou imitar a antigüidade. O Renascimento renovou tambem a música Palestrina (Italiana). Durante o século XIV (trercentos), somente Giotto destacou-se na pintura. É famosa a sua tela! SÃO FRANCISCO PREGANDO AOS PASSAROS). O Renascimento na Italia foi muito importante para o desenvolvimento musical. Em fim, os homens que viveram o renascimento tiveram consciência de que sua época era bem diferente da Idade Média.
    Vou continuar falar sobre o assunto em outros comentários. Um abraço do amigo Dias.

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    Valeu meu camarada Dias, muito bom complemento!
    Quero só observar e acrescentar que esta espécie de patrocínio à cultura ou ao pensamento já Havia ocorrido também na Grécia antiga, especificamente feita pelos comerciantes aos primeiros filósofos.

    Abraços do Benito Pepe

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    Olá Eva, sinto muito. O que você procura em especial?
    Abraços, Benito Pepe

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    Ola! Benito,adorei passar por aqui pra poder aproveitar um pouco desse seu vasto conhecimento,que por sinal foi de muita valia,continue dividindo,conosco
    afinal uma boa leitura é sempre muito bem vinda.
    Obrigada.

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    Obrigado Célia! volte sempre, leia a vontade todo texto que desejar e os comente ok?

    Abraço, Benito Pepe

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