O quadro Político, Econômico e Social na Idade Moderna e o Renascimento

No século XIV, a baixa Idade Média entrava em pleno declínio e, com ela, parte do sistema feudal. O Sacro Império Romano-Germânico, que lutara anteriormente contra o papado para obter o controle da Itália e conseguir a união da Europa, encontrava-se muito debilitado, fragmentado entre diferentes famílias nobres rivais sobre as quais se estendia a autoridade quase honorária do imperador.

A crise afetava também a Igreja Católica, que, primeiro, em 1309, teve sua sede pontifícia transferida temporariamente para Avignon, no sul da França, e depois sofreu as conseqüências do chamado cisma do Ocidente, no qual o mundo cristão se dividiu entre os partidários do papa Urbano VI e os do antipapa Clemente VII.

Evolução política

A reorganização política teve início na Itália no final do século XIII, com sua desvinculação do poder imperial e sua fragmentação em diversas cidades-estados, que passaram do regime comunal ou municipal para o senhorial, exercido por algumas famílias nobres, como os Gonzaga, os Sforza e os Medici. Mais tarde essas cidades se converteram no centro dos vários estados italianos da época moderna — as repúblicas de Veneza e de Florença, o ducado de Milão, o reino de Nápoles e os estados pontifícios, que mantiveram entre si constantes conflitos na tentativa de conquistar a hegemonia.

Essa fragmentação não ocorreu em outros territórios europeus onde, ao contrário, se estabeleceram diversas monarquias nacionais e autoritárias: a Espanha dos reis católicos, a Inglaterra de Henrique VII e a França de Luís XI. Isso se deveu, em primeiro lugar, à consolidação da autoridade do soberano frente ao poder da nobreza. Esses novos estados modernos caracterizaram-se pela centralização, a organização administrativa, a crescente burocratização e a criação de um exército poderoso.

Na implantação desses regimes autoritários, teve grande importância a mudança produzida na mentalidade política, que, baseando-se no direito romano e na filosofia aristotélica, legitimaria a autoridade suprema do monarca e a existência de um estado forte e organizado. A grande figura do pensamento político da época foi o florentino Nicolau Maquiavel, autor de O príncipe (1513), no qual elaborou uma teoria política que separava pela primeira vez a moral dos indivíduos da moral, ou razão, de estado.

Economia e sociedade

Embora a base da economia continuasse a ser a agricultura, conquistaram grande impulso a indústria têxtil, a mineração e, sobretudo, as atividades comerciais, graças ao ápice do desenvolvimento das cidades mediterrâneas (Veneza, Marselha, Nápoles) e do norte da Europa (Antuérpia, Amsterdam, Hamburgo). A crescente importância do setor comercial resultou na fortuna de famílias como as dos Medici, os Strozzi ou os Fugger, que lhes permitiram intervir de forma direta na política ou dar seu apoio financeiro às monarquias que atravessavam crises econômicas.

O descobrimento da América representou um fato transcendental para a vida econômica do Renascimento. Abriram-se novos mercados, floresceram cidades da orla atlântica, como Sevilha e Lisboa, e fluíram os metais e as riquezas, que proporcionaram grandes benefícios a burgueses e banqueiros e permitiram que a Espanha realizasse uma ampla política de intervenção em grande parte da Europa e do Mediterrâneo. No entanto, a excessiva afluência de tesouros americanos ao continente europeu favoreceu uma alarmante alta dos preços devido à abundância da moeda em circulação.

O desaparecimento das grandes pestes medievais, o auge da vida urbana e certos melhoramentos nas condições de vida das populações ocasionaram um crescimento demográfico expressivo em quase toda a Europa ocidental, conseqüência da alta taxa de natalidade e do declínio da mortalidade infantil. As principais zonas de povoamento eram o norte da Itália, os Países Baixos e o centro da França.

No topo da estrutura social estava a nobreza, que se havia instalado nas grandes cidades, em luxuosos palácios ou mansões, seguida pela alta burguesia, enriquecida pelo comércio e pelos negócios financeiros. Os camponeses, que constituíam a classe menos favorecida, viviam em condições extremamente desfavoráveis. Recorreram muitas vezes a revoltas, criando um clima de instabilidade social.

Um mundo em transformação

O espírito renascentista expressou-se desde cedo no humanismo, movimento intelectual que teve início e alcançou seu apogeu na Itália, protagonizado por Giannozzo Manetti, Marsilio Ficino e Lorenzo Valla, entre outros. Os humanistas buscaram respostas para as questões do momento e para isso recorreram tanto ao cristianismo como à filosofia greco-latina. Criaram assim um sistema intelectual caracterizado pela supremacia do homem sobre a natureza e pela rejeição das estruturas mentais impostas pela religião medieval. A intenção do humanismo era desenvolver no homem o espírito crítico e a plena confiança em suas possibilidades, condições que lhe haviam sido proibidas durante a época medieval.

Da Itália, o humanismo difundiu-se até o norte e estendeu-se por quase toda a Europa graças à invenção da imprensa, que facilitou a divulgação dos textos clássicos e das novas idéias com grande rapidez. O mais destacado humanista do norte da Europa foi Erasmo de Rotterdam, autor de Encomium moriae (1509; O elogio da loucura), obra em defesa da tolerância e da liberdade de pensamento que resumiu a essência moral do humanismo. Entre os humanistas espanhóis destacou-se Juan Luis Vives.

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Abraços do Benito Pepe

Fonte: Enciclopédia Barsa

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

21 comentários em “O quadro Político, Econômico e Social na Idade Moderna e o Renascimento

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    Grande Benito! “ Vamos falar um pouco da Transição do Feudalismo ao Capitalismo”. Por volta do século XII, com a desintegração do feudalismo, começa a surgir um novo sistema econômico, social e político: o CAPITALISMO. A característica essencial do novo sistema é o fato de, nele, o trabalho ser assalariado e não servil, como no feudalismo. Outros elementos típicos do capitalismo: economia de mercado, trocas monetárias, grandes empresas e preocupação com o lucro.
    Os homens que viveram durante o Renascimento tiveram consciência de que sua época era bem diferente da Idade Media. Consideravam a cultura medieval muito inferior à da Antiguidade e opunham uma à outra, como se não houvesse continuidade entre elas. Julgavam viver um período de luzes depois das “trevas” medievais.
    Houve, por isso, um retorno à cultura grego-romana, tanto no plano artística como na maneira de pensar. Isso trouxe a redescoberta do valor e das possibilidades do homem, que passou a ser considerado o centro de tudo. Na Idade Media, o centro era Deus.
    A característica mais marcante do Renascimento foi o seu profundo Racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa de acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada. Os métodos experimentais, a observação cientifica, o desenvolvimento da contabilidade, a organização política racional, que começaram no Renascimento, são exemplo desse racionalismo.
    O Racionalismo característico do Renascimento fez com que essa época conhecesse um notável progresso cientifico. O grande artista italiano Leonardo da Vinc descobriu como deveriam funcionar o avião, o submarino, o moinho de vento a roda de água etc. O polonês Copérnico descobriu que não é o Sol que gira em torno da Terra, como se pensava, mas a Terra que gira em torno do Sol. Galileu Galilei foi o mais importante cientista do Renascimento sendo considerado o fundador da Física moderna. O alemão Johannes Kepler demonstrou a órbita elíptica dos astros. E muitas outras descobertas e inventos se sucederam, o espaço é pouco meu camarada, para descrever tantas coisas importantes que aconteceram após o Renascimento. Vou parar por aqui e deseja-lhe aquele forte abraço do amigo J.M.Dias
    Obs. Afonte destes dados é Historia Moderna e contemporânea de Jose Jobson de A.Arruda.

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    Valeu JM Dias, muito obrigado pela contribuição complementar.
    Abraços, Benito Pepe

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    Seu comentario e otimo me ajudou num trabalho gasti mais de meia hora com ele muito obrigado

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    Olá Bianca, acho que você se refere ao texto em si… De qualquer maneira os comentários dos que colaboram com este Site sempre são muito significativos. Obrigado pelo teu depoimento.

    Abraços do Benito Pepe

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    adorei tudo isso me ajudou bastante no trabalho de portugues beijos amei de paixao…

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    eu só quero ver se eu vou sair bem no trabalho

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    kkk, é só se dedicar e fazer o trabalho com prazer e aprendizado real…
    Abraço, Benito Pepe

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    Olá Kero, além dos meus textos, caso não tenha esclarecido, para aprofundar suas pesquisa veja outros…
    Abraço, Benito Pepe

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    Gostei me ajudou muito

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    Eu queria saber as consequencias socias,politicas,economicas separadas pra mim entender melhor…podem me ajudar??????

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    Olá Iris Guimaraes, você precisa extrair esse conteudo do texto, faça isso com calma e bom estudo!

    Abraço, Benito Pepe

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    É de caratér importantissimo, todo este conteódo

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    Me ajudou muito no meu trabalho de história sobre alta idade média e absolutismo

    Meu nome é higor e tenho 12 anos

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    Me ajudou muito no meu trabalho de história sobre alta idade média e absolutismo

    Meu nome é higor e tenho 12 anos.

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    Alguém pode me responder se alta idade média tem a ver com absolutismo

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    Olá Higor Lima, a Alto idade média está entre 476 e 1000.
    Este texto fala sobre o período que vem depois da idade média que é conhecido como idade moderna. De qualquer maneira o absolutismo teve origem no final da idade média e tem mais força entre os séculos XVI a XVIII (16 a 18)

    Grande abraço,

    Benito Pepe

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