Voltamos à Caverna, mas agora ela é high-tech

Um dia desses após retornar de um lanche, entrei na sala dos professores na Universidade onde leciono. Alguns instantes depois uma colega perguntou: tem uma tempestade La fora? De fato eu vi o tempo muito fechado e escuro, mas não chovia ainda, e ainda que chovesse eles ali dentro não poderiam saber disso devido a profundidade da “caverna” em que nos encontrávamos.

Então eu surpreso perguntei: como você sabe disso? Ela respondeu: estou vendo na Internet que chove muito aqui na região.  Essa é a realidade em nossos dias, sabemos das coisas que ocorrem, até mesmo ao nosso redor, através da mídia do que por “nossa própria visão”.  (e isso pode ser pode ser um problema…)

Esse episodia me levou a uma reflexão: em tempos primitivos, usávamos a caverna para nos refugiar e protegermo-nos dos perigos lá de fora, hoje fazemos algo parecido, nos refugiamos em “nossas cavernas” fugindo dos perigos lá de fora… Isso ocorre em nossas casas, em nossa empresa, em um Shopping Center, etc. Esse ultimo exemplo: Shopping Center, é sem dúvida um ótimo exemplo de uma das Cavernas de nosso tempo.

Imagine-se dentro de um “centro comercial” desse tipo em que não se sabe se é noite ou dia, se chove ou não, se faz calor ou frio… Estas são “Cavernas” bem profundas e muitas vezes são profundas em vários sentidos. Um deles é que de fato há shoppings que são subterrâneos, outros são verticais. Quanto aos subterrâneos, podemos fazer uma analogia com a Avestruz[1], enfiamos a cabeça na terra pra nos esconder… Então o outro sentido de “profundo” que quero destacar é exatamente esse, nos “afundamos” (mergulhamos) e nos afogamos dentro destas cavernas.

Há um grupo que está alienado e “afogado” mesmo, ainda que com toda possibilidade high-tech de nosso tempo. No entanto ainda existem os desbravadores e lutadores que querem sair da Caverna.

Abraços do Benito Pepe.



[1] Só pra lembrar, a Avestruz não enfia a cabeça na terra pra se esconder, esse é um mito, o que a avestruz faz é se agachar e encostar sua cabeça no chão, com isso ela pode se confundir com arbustos ou outro componente do solo e ao mesmo tempo ouvir a aproximação de um predador.

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário por 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

16 comentários em “Voltamos à Caverna, mas agora ela é high-tech

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    Na realidade o homem nunca mudou sua essência desde a sua origem, o que mudou foi à tecnologia, pois continua primitivo, com as mesmas necessidades básicas: caçar para se alimentar, fazer sexo para procriar e de um teto para se abrigar. Como todo ser vivo, nasce, cresce e morre. O interessante é que o homem sabe que sabe.

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    Valeu o comentário amigo José Amorim! Só um detalhe: muitas vezes o homem pensa que sabe… mas na verdade ele está na ilusão das imagens de uma caverna nebulosa… reveja o texto da Alegoria da Caverna de Platão.

    Abraços, Benito Pepe

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    Caro Mestre bom dia.

    Belo papo ontem pós prova de TGA II na Unigranrio de São João de Meriti.

    Estive lendo o seu artigo ” VOLTANDO À CARVENA, MAS AGORA ELA É HIGH-TECH”, me arremeteu a um passado bem longínquo, estamos voltando aos antigos “FEUDOS”, e agora intitulado por mim como sendo Feudos da Era Moderna, veja se não há alguma coerência.

    Um grande abraço.
    Sds.
    Marcelo Gomes.
    Curso de ADM 2º período/Campus São João de Meriti
    2º período.

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    Valeu Marcelo, obrigado pelo comentário!

    É claro que há muita coerência, principalmente quando nos lembramos dos muros que cercavam as cidades protegidas, estas são hoje os condomínios fechados e enclausurados em suas Cavernas…

    Abraços, Benito Pepe

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    Olá meu caro, e grande amigo Benito. Para mim, as cavernas sempre existiram, e jamais deixarão de existir, elas são frutos de cada época e filosofia que vive o ser humano. O pior é que hoje existem vários tipos de cavernas que o individuo pode escolher ou não onde refugiar-se, vejamos. Existem as cavernas dos bilionários, do rico, do pobre, e porque não dizer dos miseráveis, daqueles que cometem crimes (cadeia) também, existe aqueles que se escondem nas cavernas dos alucinógenos, que provavelmente e com certeza não verão as fantasmagóricas imagens causadas pelas labaredas. A verdade é que o mundo se transformou em uma imensa caverna, e as labaredas queimam do Oriente ao Ocidente. Meu bom amigo, fico imaginando como será as cavernas daqui a mais dois mil anos? um grande abraço do amigo J.M.Dias

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    Muito obrigado pelo comentário JM Dias! Grande filósofo do povo! dos Ricos e de todos…

    Teu comentário me trouxe outras reflexões…

    Por exemplo, sobre a diversidade cada vez maior de “Cavernas”, essa é uma realidade!

    Também quando você fala do mundo como um todo… é mesmo! O mundo (ou melhor os humanos) estão se afastando cada vez mais da reminiscência (lembrança, memória) de sua origem cósmica…

    Veja um dos textos em que abordo esse esquecimento, essa perda que o homem tem de sua origem >>> http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/o-esquecimento-de-nossa-origem-cosmica/

    Quanto ao futuro, só Deus sabe hehe…

    Abraços, Benito Pepe

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    Na minha opinião o homem não mudou nada desde da antiguidade…

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    Olá Jailson! Dizer que o homem não mudou nada desde a antiguidade, é claro que você está usando uma força de expressão… é lógico que mudamos muito e acredito que em evolução, ainda que questionáveis…
    Abraço, Benito Pepe

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    UM SONHO DE FILOSOFIA

    OLÁ PROFESSOR ! Estou voltando à caverna, voltando nada, pois eu vivo nesta caverna. Bom professor, na verdade, eu tive um sonho no qual eu era um filósofo, e vivia numa imensa caverna sem paredes, sem teto, ou melhor, seu teto era infinito, suas portas, que portas? Não existiam portas, o direito de ir e vim era livre, logicamente que havia restrições em algum lugar, principalmente para a parte menos favorecidas de seus habitantes.
    A CAVERNA: era geograficamente dividida, ou seja, ORIENTAIS E OCIDENTAIS. Aí é que começavam seus problemas, pois apesar dos mares, rios, matas e todas belezas naturais terem sido dado de graça para as duas raças, eles não estavam satisfeitos com o que lhes foram dados, queriam sempre mais e mais. E para saciar sua voracidade pelo poder e pelo vil-metal, entravam em choque travando grandes contendas, não se preocupando se estavam matando inocentes e animais, e as lindas florestas que havia na caverna, que lhes foram dadas por um REI que a tudo via, mas queria ver até onde ia a capacidade de destruição de seus habitantes.
    A cada dia que passava, as labaredas aumentavam causando a prostituição dos habitantes, através dos alucinógenos usados por crianças, jovens e adultos, numa corrida desenfreada a procura do nada, a não ser, destruírem-se. Duas forças foram criadas para escravizar os habitantes da caverna, religião e política, onde a seus lideres não importava se estavam pisando ou esmagando, interessava sim, ficarem cada vez mais ricos doesse a quem doer.
    Numa época chamada media, surgia uma reforma filosófica tentando mudar a sabedoria dos habitantes da caverna com o pensamento oriental, a Mesopotâmia da Deusa-Mãe a Zoroastro, a Índia do Buda. Com a nascimento da filosofia, surgia os primeiros habitantes com pensamentos voltados realmente para a filosofia. Havia um (Tales ) que dizia que tudo começa na água, outro (Pitágoras) que tudo é matemática, outro (Parmênides) falava do ser e das ilusões, tinha outro (Sócrates) que só perguntava e dizia
    “só sei que nada sei” . Bem meu amigo, havia muitos outros que minha mente não gravou os nomes e seus feitos. .O que eu via no sonho, é que hoje, a filosofia da historia faz parte integrante da própria historia. E que, de nada valem as ganâncias,violências, dos habitantes da caverna que tem que entender a mais correta e infalível de todas as filosofias que é: Nascer viver envelhecer e morrer, pois tudo nasce para a morte. Olha, eu não sou rei nem você José do Egito, mas gostaria muito que você ou algum leitor desvendasse este sonho filosófico.
    No mais, aquele velho abraço do amigo J.m.Dias

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    Lindo sonho meu amigo! Continue sonhando heheh

    É claro que esse texto não é um sonho mas a pura realidade que se passa no planeta. Obrigado pelo belo texto!

    Abraços, Benito Pepe

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    Estive fazendo um trabalho escolar sobre a alegoria da caverna e achei interessantíssimo que não houve alusão ás cavernas interiores de cada pessoa.Creio que devem ser as mais difíceis de enfrentar…

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    Certamente “aprendiz…” seria um bom tema para desenvolver, que tal você escrever algo mais sobre isso?

    Abraço, Benito Pepe

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    Ola meu camarada, volto a caverna e cheio de admiração, e dando gargalhadas vendo como, os moradores da caverna em que vivemos são interessante ,a nossa caverna está caindo os pedaços, cai ponte, ciclovias, viadutos etc. isto sem contar com as catástrofes de fenômenos naturais, as guerras, em fim, são labaredas intermináveis, e eles estão pouco- ligando que nossa caverna exploda e que seja destruída. A concorrência é uma caverna que está a milhões de quilômetros da nossa, inclusive já mandaram uma girigonça mecânica, para ver as riquezas da caverna se nada tiver que interesse a eles, vão deixar pra lá como deixaram a primeira )lua). Tem um porém, se por lá existir aqueles, caras verdes o negocio fica feio. O problema é que Tales de Mileto afirmava que tudo começa na água, se existir água por lá, o pessoal daqui vão fazer um viaduto para trazer as riquezas que por lá existir, ou então fabricar naves com muita rapidez, A dois mil anos atras não fizeram com a nossa caverna, levavam todas as nossas riquezas e deixaram aqui só sombras flageladas? Eu quero ver eles tentarem ir na caverna Rei (sol pois as labareda não vão dar tempo de mandar os fantasmas, serão exterminados. com o calor da caverna.. Bem meu camarada, os 3/4 de vida já dificulta um pouco o pensamento, mas ainda dá para mandar um forte abraço para o amigo.

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    Valeu Grande JM Dias!

    Interessante sua analogia entre “caverna” e corpos ou objetos celestes. Bacana!!

    Grande Abraço,
    Benito Pepe

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    Olá Prof Benito Pepe, fui seu aluno em 2014 na Unigranrio Carioca, e sua reflexão realmente nos faz pensar em quais aspectos o homem está avançando desde o inicio do pensamento filosófico até os dias atuais. No mito da caverna, o homem desconhecia a realidade externa e se baseava em reflexos e sombras na parede, ao contrário de hoje, as pessoas conhecem o que há fora de um shopping center, e nunca fomos tão bem servidos de informação. No entanto, acredito que o grande segredo do sucesso destes lugares é que servem como um entorpecente da mente humana, da mesma forma que o excesso de informações também tem se tornado nocivos, por se tratarem de meras distrações.

    abraço

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    Olá Jhonatan, que bacana que você vei aqui para comentar um texto meu, legal!

    Bem, é isso mesmo, noto que você está com uma ótima reflexão… Parabéns!

    Grande abraço, Benito Pepe

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