A dúvida do milênio e de sua comemoração

Este tópico tem relação com o que escrevi no dia 31 de dezembro, desejando feliz ano novo aos amigos leitores. Naquele dia eu mencionei este artigo (a dúvida do milênio) e por isso eu o publico agora.
Este é um artigo escrito em 1999, na época eu não publicava nada na Internet, apenas mandava por e-mail alguns dos meus textos para os amigos. Outros textos ficavam na minha máquina, eram “apenas” anotações dos meus estudos. (Já falei dos motivos pelos quais resolvi publicar aqui na Internet).Vejamos então as minhas anotações quanto à questão do chamado bug do milênio que se dizia na época ocorreria nos computadores na virada do ano de 1999 para 2000.
Precisamos relembrar um pouco da história e viajar no tempo. Vamos portanto a uns 10.000 anos atrás.

Naquela época o homem começou a sentir a necessidade de cultivar seus alimentos e criar animais pois a população estava crescendo muito, e as caças e os frutos colhidos para a alimentação poderiam faltar (curioso não é ?).

Bem, o fato é que com esta nova situação surgiu também a necessidade de controlar e organizar as plantações e os animais. Então como o homem poderia saber quantos animais ou frutos ele tinha? Além de outras contagens mais. Assim os nossos antepassados e “pais da confusão” fizeram o seguinte: para cada animal que saía para o pasto eles separavam uma pedrinha e quando o animal retornava, eles recolocavam a tal pedrinha correspondente àquele animal. Dessa maneira se sobrassem pedrinhas era porque faltava algum animal e se faltassem pedrinhas, era porque tinham vindo animais a mais. Assim o homem teria começado a contar.

É lógico que as quantidades foram aumentado e com isso foi necessário “criar” uma nova forma de controle . O homem sempre usou o que ele tinha à mão e o que mais à mão do que os seus próprios dedos? Por isso o nosso sistema numérico é decimal (dígito vem de dedo), mas com as grandes quantidades passou-se a usar os grupos, ou seja, para cada duas mãos completas fazemos uma dezena.

O importante para a nossa questão é que não se contam animais nulos ou frutos Zero, e essa contagem foi passando-se de geração em geração por muitos anos, muitos séculos, até chegar ao império romano e continuar mesmo após sua decadência, fato que podemos comprovar com os algarismos romanos I , II , III , IV, V , VI … X e vai embora, mas cadê o zero?? É isso mesmo! Não existia o Zero, porém devemos salientar que os Hindus já utilizavam o zero, entretanto não era de conhecimento ou aceitação no “resto do mundo de então.”Lembramos que nossa cultura ocidental tem “quatro pés de apoio”: é uma cultura judaico-greco-romana–cristã.
Então como o calendário em questão é o cristão, é bom lembrar que esta pequena confusão só deveria “preocupar” 1/3 da população mundial os 33% cristãos, pois para a grande parte do planeta 2/3, essa contagem, esse ano, não teria tanta importância. Por exemplo budistas, mulçumanos, chineses e mesmo os judeus entre outros, estão em uma contagem dos anos bem diferentes das nossas.
Ocorre que com a queda do Império Romano e a força da Igreja Cristã o papa de então, João I, delegou no século VI de nossa era ao Monge Dionysius Exiguus, ou Dennis, para que o mesmo calculasse uma nova cronologia do tempo que seria o Calendário Cristão (que é este que o mundo ocidental utiliza) o Fato é que “naturalmente” a contagem foi feita a partir do 1 e não do Zero (pelo motivo já relatado anteriormente). Assim tendo-se como Cristo nascido no ano 1 e não o “certo” que deveria ser o ano zero, portanto se conta o primeiro século da era cristã de 1 a 100 o segundo de 101 a 200 e assim é lógico que o primeiro milênio foi de 1 a 1000 e o segundo milênio de 1001 a 2000 e o terceiro milênio é de 2001 a 3000, que beleza hein!?
Um detalhe que notamos é que algumas pessoas consideram “esta falha” de outra maneira. Dizem que por se ter definido o natal (nascimento de Jesus Cristo) em 25 de dezembro e adequado a contagem dos anos para o início de janeiro para coincidir com o ponto de partida do calendário romano seria por isso que a contagem do nosso calendário Cristão teria tido início no ano seguinte ao nascimento de Cristo ou seja o ano 1, portanto dessa forma não teria havido um zero e assim toda data terminada em zero (0) seria o fim de uma época e o começo este sim, seria com o um (1).Qual das hipóteses você acha mais interessante?
Comente ao fim da leitura. Continuamos agora com um pequeno detalhe: o tal do monge Dennis errou em seus cálculos e já se sabe hoje que pelo menos há um equivoco de 3 a 5 anos do real nascimento de Cristo, que teria sido na verdade antes da data que ele calculou. Alguns dizem em até 30 anos mas as evidências históricas nos aproximam mais dos 4 anos. Seja como for, nós podemos então estar em uma quantidade de anos bem diferentes da que de fato estamos contando da data em que Jesus Cristo nasceu.

Quando reescrevi este artigo em 2009, na verdade seria 2013 ou sabe-se lá…(?)

Vejamos outras contagens pelo mundo afora (tendo-se como base o ano 2000) que também foi seguindo uma seqüência cronológica decrescente:

6236, segundo o primeiro calendário egípcio;
5760, segundo o calendário judaico;
5119, no atual grande ciclo maia;

2753, segundo o antigo calendário romano;

2749, segundo o antigo calendário babilônio;

2544, segundo o calendário budista;
1716, segundo o calendário copta;
1420, segundo o calendário muçulmano;
1378, segundo o calendário persa;
208, segundo o calendário da Revolução Francesa.

E por fim é o ano de sua idade, qual é a sua contagem?

Pode comentar esse artigo aí em baixo, se não quiser não precisa revelar a sua contagem hehe.

Abraços do Benito Pepe

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

9 comentários em “A dúvida do milênio e de sua comemoração

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    Gostei do artigo sobre a dúvida do milênio, é para refletir… Acho que você será um bom professor universitário, pois ao invés de dar respostas prontas, colocará o aluno para pensar e questionar.

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    Querida Sidna, é com alegria que leio o seu comentário. Certamente a filosofia nos faz refletir e Questionar… depois de alguns anos estudando Muito e dando aulas de filosofia, é com muita satisfação que aprendi e apreendi o convívio do pensamento que se dá através da filosofia.

    Filosofia é pensamento, é reflexão, é questionamento é a busca e o amor ao saber…

    Obrigado pelo carinho e incentivo.
    Abraços do Benito Pepe

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    A DIAS ESTAVA PENSANDO QUEM SERIA QUE TEVE A ILUMINADA IDÉIA DE CRIAR O ANO 1. LENDO A HISTORIA DE CRISTO E SOBRE O CALENDARIO MAIA A RESPEITO DO FIM DO MUNDO…,DÁ PRA FICAR MESMO CONFUSA,COM TANTAS VEZES QUE ADEQUARAM O CALENDARIO. MUITOS POVOS ANTIGOS CONTAVAM O ANO PELO SOLSTICIO DE INVERNO OU VERÃO QUE SERIA MUITO MAIS ADEQUADO,SE NÃO ESTIVER ERRADA, OS MAIAS USAVAM ESTE METODO.

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    Olá Adriana, obrigado por seu comentário.

    Gostaria de acrescentar que na verdade “ninguém” inventou o ano. O ano é o tempo que a terra leva para dar uma volta em torno do Sol, esse ano pode ser verificado através das estações do ano e das estrelas que podem ser vistas em certas posições no Céu de acordo com o passar dos meses. Quanto aos equinócios ou solstícios é a mesma coisa já há milênios os povos que nos antecederam observavam no “movimento aparente do Sol” e sua trajetória essas peculiaridades e utilizavam uma contagem inicial a partir do inicio de uma certa estação.

    Claro que eles não sabiam como aquilo ocorria, e muitos não sabiam nem mesmo que a terra se movia, mas por “aparências” que nos são dadas pelos sentidos, e por suas surpreendentes observações, a “olho nu”, conseguiram precisar a quantidade de dias (movimento de rotação da terra no seu próprio eixo – dia/noite)que eram necessários para se passar de uma estação até a outra e retornar na mesma, com um cálculo de aproximação fantástica, como era o caso dos Maias entre outros vários povos antigos.

    Para saber mais indico o livro: “O tempo que o tempo tem” dos Astrônomos do Planetário da Gávea – Alexandre Cherman e Fernando Vieira. Da editora Zahar.

    Abraços do Benito Pepe

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    Muito esclarecedor seu comentario sobre a contagem do ano.
    Seria ótimo se os professores de ensino básico repassasem para nossos filhos
    estes conhecimentos.

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    Olá Nilton de Barros, obrigado pelo comentário. Bem, acho que há professores que o fazem, depende do colégio. Mas é bom lembrar que nós, enquanto pais, também o podedemos fazer. Parabéns a você pela iniciativa…

    Abraço, Benito Pepe.

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