A retomada do racionalismo na Idade Moderna e a Influência na (da) Ciência: especialmente a Astronomia/física

Na idade moderna, tivemos o renascimento de uma cultura greco-romana que teve e ainda tem grande influência em todo o mundo ocidental. Dentre elas gostaríamos de destacar a retomada do racionalismo em nossa cultura, que de certa forma esteve adormecido por um longo tempo; e que não cabe aqui questionarmos se foi benéfico ou não ao mundo moderno e nem mesmo à contemporaneidade, principalmente no que tange ao racionalismo científico.

Enfatizamos a influência desse racionalismo através das ciências e especialmente da astronomia/física que foi um dos questionamentos mais importantes da humanidade em todos os tempos. Podemos afirmar, lembrando o tema desta monografia, que a cosmologia tem o seu princípio no thauma, da mesma forma que ocorre com a Filosofia. Através da Astronomia/física, sentimos verdadeiros espantos. Surgem grandes interrogações para todos os que admiram a natureza; o mundo à sua volta; o planeta em que vivemos e os nossos planetas vizinhos ainda misteriosos. E para quem mergulha um pouco mais fundo no assunto, reflete e se questiona sobre outros planetas de sistemas estelares distintos e galáxias infindáveis, o espanto é maior.

Como dissemos, cerca de 200 bilhões de estrelas formam a nossa galáxia local (ou Via Láctea), e isto sabemos hoje, faz parte tão ínfima entre outras bilhões e bilhões de diversas galáxias espalhadas por este vasto, infinito, finito (?) ilimitado, limitado (?) Universo; aí o thauma, o espanto é realmente tanto quanto infinito.

Neste capítulo vamos apresentar a retomada do racionalismo. No entanto, podemos desde já questionar: esta influência racionalista extrema foi benévola ou não ao que ocorre na pós-modernidade? Nossa principal intenção é a de oferecer um pequeno histórico dessa fase do racionalismo e a maneira diversa em que os homens modernos passam a ver a natureza e o universo. E dessa forma recodifica seu posicionamento, “transporta”, transmuta o homem do seu lugar central do universo e o  põe em um cantinho, passando-o a uma “realidade” diferente da que ele pensava ter no cosmos, assim, de certa maneira, também o “reforma”.

O Racionalismo na Modernidade

Na modernidade encontramo-nos com René Descartes (1596-1650)  homem que definitivamente influencia o desenvolvimento do  pensamento desse período. Descartes era contemporâneo de Galileu Galilei, e se considerava também cientista além de filósofo.  Como diz Marcondes em: Textos Básicos de Filosofia.

Descartes considerava um de seus objetivos primordiais a fundamentação da nova ciência natural então nascente, defendendo sua validade diante dos erros da ciência antiga e mostrando a necessidade de se encontrar o verdadeiro método cientifico que colocasse a ciência no caminho correto para o desenvolvimento do conhecimento, o que se propõe no discurso do método. (2005, p.73).

Dos erros da ciência antiga, podemos destacar a ideia da concepção geocêntrica, que acabara de ser combatida pouco tempo antes com Copérnico (1473-1543) desvendando que a terra não é o centro do universo mas sim que faz parte, como os demais planetas conhecidos de então, deste universo e  que giram  em torno do sol,  e não estes que girariam em torno da terra estando ela no centro do universo(10) . O sol sim seria o centro deste universo, ou seja, nasce o Heliocentrismo.

Relembramos que essa não é uma ideia original de Copérnico que a busca lá nas múltiplas hipóteses cosmológicas do passado, no caso em Aristarco de Samos (séc. III a.C). Copérnico parte dessa hipótese e isto produzirá um grande salto para a astronomia moderna.

Descartes baseando-se nesses fatos científicos refutados, entre outros, declara que não poderia continuar a acreditar em tudo, sem que fizesse um estudo metódico. Cria então um método que pudesse revelar a “verdade”. Ele diz: “…recebi muitas falsas opiniões como verdadeiras”, era portanto necessário… “destruir em geral todas as minhas opiniões.” E acrescenta… “o menor motivo de dúvida que eu nelas encontrar bastará para me levar a rejeitar todas.” Descartes apud Marcondes (2005, p.74).

Assim Descartes desenvolve um método científico e cria regras para que consiga, segundo acreditava, chegar à verdade do conhecimento e isto de forma muito mais simples que o método dedutivo aristotélico, que segundo Descartes deixava dúvidas. O que não evitou que as falsas teorias da antiguidade, como a concepção geocêntrica do universo, fossem apresentadas como válidas, através da formulação lógica que receberam.

As quatro regras básicas desenvolvidas por Descartes que deveriam ser seguidas à risca, e que certamente marcaram muito toda a modernidade, são estas conforme explana Marcondes (2005, p.81):

A regra da evidência – que deve garantir a validade de nossos pontos de partida no processo de investigação cientifica;

A regra da análise – indica que um problema a ser resolvido deve ser decomposto em suas partes constituintes mais simples;

A regra da síntese – sustenta que uma vez realizada a análise devemos ser capazes de reconstituir aquilo que dividimos, revelando assim um real conhecimento do objeto investigado;

A regra da verificação – alerta para a necessidade de termos certeza de que efetivamente realizamos todos os procedimentos devidos.

Desta forma Descartes desenvolve um método que o faz crer que assim estaria bem conduzindo sua razão “…meu propósito não é ensinar aqui o método que cada um deve seguir para bem conduzir sua razão, mas apenas mostrar de que maneira procurei conduzir a minha”. Descartes (2005, p.39) Discurso do Método.

Está aí retomada, reavaliada, com Descartes, de forma eminente, a racionalidade, o racionalismo, a razão no mundo ocidental. E desta vez com um método que se apresenta menos “burocrático” e  quem sabe mais “eficiente”.  É claro que esta retomada não vem só com Descartes já vinha também com outros pensadores e cientistas da natureza, como Copérnico e Galileu.  Mas ele se difere por  a  ter formalizado, sistematizado.

É importante lembrarmos que toda uma concepção, toda uma ideia do mundo, do universo, que estava administrada, estava incorporada na mente das pessoas por quase dois mil anos, é “apagada” de repente  – e isto é muito tempo se levarmos em consideração que estas mudanças, esta quebra de paradigma  ocorre há menos de quinhentos  anos dos nossos dias – Imaginemos a radical reviravolta cultural que se passa com esse povo quando um conhecimento de vida, de tão longo tempo é confrontado, é contestado, se quebra.

Vejamos agora algumas das influências que a retomada deste racionalismo e das pesquisas astronômicas deixam para nossa sociedade e para o ente humano da época, e até mesmo para os nossos dias.

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(10) O universo nessa época era apenas o Sistema Solar, quando muito a “nossa Galáxia”, não se tinha conhecimento das diversas Galáxias.

No próximo tópico: As influências da Astronomia e a quebra de paradigmas. E comentários

Abraços do Benito Pepe

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário por 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

7 comentários em “A retomada do racionalismo na Idade Moderna e a Influência na (da) Ciência: especialmente a Astronomia/física

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