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Finalizando e retornando aos deuses gregos, relembramos: Apolo filho de Zeus e Leto, que era um dos mais importantes e multifacetados deuses do Olimpo; identificado como o deus da luz e do sol. E, Dionísio filho de Zeus e da princesa Semele, foi o único deus filho de uma mortal; o deus grego equivalente ao deus romano Baco, das festas, do vinho, do lazer e do prazer.

Dioniso só “aparece” através de Apolo. Apolo – luz, Sol; Dioniso – Terra. Para um existir é necessário o outro, só há terra porque existe o Sol. “Tensão de contrários”. Nesse contexto eu pergunto: Será que a humanidade perdeu todo sentido de pertencimento a uma ordem maior, ao cosmos, sua origem?

 Como supomos hoje através dos “conhecimentos” em astronomia, foi através de mortes e ressurgimentos de algumas estrelas: “poeiras” que formam estrelas que ao morrer tornam-se novamente poeiras “encontrando-se” com outras (“poeiras”) que com elementos químicos cada vez mais complexos formam novas estrelas. Portanto o nosso Sol e todo o sistema solar e tudo o que nele existe assim fora formado. Em outras palavras nós somos “poeira das estrelas”, e assim não há dúvidas que nossa origem é cósmica, nós viemos deste vasto, imenso, infinito ou finito universo, que tem aproximadamente 13,7 bilhões de anos desde o chamado Big Bang. E da mesma forma que é espantoso, que é um verdadeiro thauma relatar mitos da criação através da mitologia ou das diversas religiões, é da mesma maneira um verdadeiro espanto os relatos da nova cosmologia, conforme diz Dennis Overbye apud Brockelman:

O que poderia aproximar mais do caráter de mito do que a noção de que o universo de fato apareceu, talvez do nada; de que os átomos em nossos ossos e sangue foram formados em estrelas a anos-luz de distância e bilhões de anos atrás; ou de que as partículas ainda mais antigas de que são compostos esses átomos são fósseis de energias e forças que existiram durante o primeiro microssegundo da criação, as quais mal podemos compreender? Somos todos artefatos do universo, lembranças andantes do mistério último. Somos poeiras andantes, poeiras de estrelas andantes. (2001, p.93).

Começamos a elaborar um pensamento através da mitologia, principalmente da mitologia grega e terminamos com a nossa nova “mitologia científica”.Com o advento da física quântica a idéia de fenômeno, no que se refere à cosmologia muda substancialmente, o sentido de “existência” também; da mesma maneira as “certezas” de outrora agora com o “principio da incerteza”(2) de Heisenberg modificam nosso pensamento quanto à questão da existência, como diz Andreeta:

Sabemos que tudo o que existe no nosso universo (e também nós mesmos) é constituído de minúsculas partículas de matéria e de energia, e que forças naturais atuam sobre essas partículas, aglomerando-as para formar tudo o que existe. Porém, hoje não existe mais distinção entre matéria e energia. Segundo Einstein, matéria e energia são dois estados diferentes de uma mesma “substancia quântica universal”. Os conhecimentos científicos atuais parecem, portanto, convergir com os da filosofia antiga, que afirmam que tudo o que existe deve provir de uma única fonte. (2004, p.9).

Será que voltaremos à origem do pensamento, através do entendimento no futuro, desta nova cosmologia ou física? Recordaremos que somos parte de um todo e todos somos um?

Abraços do Benito Pepe

 

Bibliografia e Referências Bibliográficas

ANDREETA, José Pedro. Quem se atreve a ter certeza? : a realidade quântica e a filosofia. 1. ed. São Paulo: Mercuryo, 2004.

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 5.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

BROCKELMAN, Paul. Cosmologia e criação: a importância espiritual da cosmologia contemporânea. 1.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1997.

JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 9.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007

Links e/ou Notas:

(1) Veja minha monografia apresentada na especialização em filosofia contemporânea à Puc-rio.

PEPE, Benito. A filosofia e a astronomia: instâncias em que o thauma aparece

(2) O princípio da incerteza de Heisenberg consiste num enunciado da mecânica quântica, formulado inicialmente em 1927, impondo restrições à precisão com que se podem efetuar medidas simultâneas de uma classe de pares de observáveis. Por exemplo: não se pode saber ao mesmo tempo a posição e a velocidade de um elétron. 

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13 Responses to “O Apolíneo e o Dionisíaco – em Nietzsche: a perda da proximidade com a Natureza que tinha o homem antigo (Continuação)”

  1. O Apolíneo e o Dionisíaco – Apolo e Dioniso em Nietzsche: a perda da proximidade com a Natureza que tinha o homem antigo | Benito Pepe Says:

    [...] O que perdemos, portanto, foi a habilidade de ver nossa vida como parte de uma ordem e uma realidade mais amplas, para além de nossos transitórios desejos e sonhos diários. Ao ver a natureza e todo o universo como uma “matéria” posta aqui para nossa transformação e uso infinitamente produtivos, reduzimos a realidade a um mero valor extrínseco para nós; ela não é mais vivenciada como intrinsecamente valiosa em si. Por conseqüência, perdemos todo senso de pertencer a um drama e a uma realidade mais vastos e significativos. (2001, p.23) Abraços do Benito Pepe No próximo tópico continuamos esse texto; apresentamos a Bibliografia e as notas e links. [...]

  2. taina Says:

    parábens ficou ótimo♥♥♥

  3. Benito Pepe Says:

    Olá Taina, fico feliz que você tenha gostado, volte sempre.

    Abraços do Benito Pepe

  4. leehH Says:

    hum…axey muito interessante gostey

  5. Tatiane Says:

    Boa noite!
    Sr. Benito Pepe.

    Favor o Sr. poderia me falar qual a relação entre o Apolineo e o Diabólico

    Att

    Tatiane

  6. Benito Pepe Says:

    Olá Tatiane, sinto muito não poder ajudá-la, pois desconheço qualquer relação entre o
    Apolíneo e o “Diabólico”, além do mais se é que se possa buscar algum pensamento em relação dever-se-ia buscá-lo na relação Dionisíaco e não no Apolíneo. O Dionisíaco vem do deus Dioniso este sim o deus da bebedeira o similar deus Baco do bacanal, ou deus do vinho em Roma etc. mas é bom lembrar que tudo isso é “juízo de valores” não se deve procurar nenhuma relação entre esses deuses gregos e o diabólico atribuído através do cristianismo, são culturas bem distintas.
    Abraços do Benito Pepe

  7. Lorran Luiz Says:

    Me lembrou Spinoza! Muito bom!

  8. Benito Pepe Says:

    Olá Lorran Luiz, é isso mesmo! Você gostaria de desenvolver o porquê desta lembrança?

    Abraço, Benito Pepe

  9. Boboca Says:

    ve se eu to na esquina

  10. Benito Pepe Says:

    Olá Bococa, o teu apelido tem tudo a ver com você. E acho que vc deve estar na esquina mesmo, pois quem não tem nada a fazer fica lá heheh
    Abraços, Benito Pepe

  11. felipe Says:

    Muito bom texto, obrigado por fazer jus à Nietzsche: um homem cada vez mais obscurecido por essa pós-modernidade chula.

  12. felipe Says:

    Aliás…tudo isso parece remontar o mais obscuro e complexo dos pensamentos de Nietzsche: o eterno retorno.

  13. Benito Pepe Says:

    Ok, Felipe. Obrigado pelos comentários.
    Abraços, Benito Pepe

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