Influência(s) do(s) Ambiente(s) no Pessoal e em Nossa Empresa

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Nestes próximos Tópicos mencionaremos os vários fatores que oriundos dos ambientes: tanto o físico como o social e através de nossos estudos bibliográficos, nossa experiência empresarial e de pesquisa em campo, verificamos que podem influir nos relacionamentos interpessoais e no marketing interno nas empresas.

Comentaremos o que foi observado nas pequenas empresas em que estivemos visitando e entrevistando os seus colaboradores e o quadro de pessoal, além de relatarmos sugestões apresentadas e que acreditamos sejam pertinentes.

Para se compreender marketing interno ou endomarketing, precisamos entender, além das considerações apresentadas no capítulo anterior como: comunicação, informação e integração, torna-se necessário também se ter uma maior noção sobre a motivação humana e as diversas facetas das inteligências do homem, entre outros pontos intrínsecos aos indivíduos, que veremos neste capítulo.

3.1. Motivação ou Não, Causada pelo Ambiente de Trabalho

É sabido que o ser humano é fruto do meio em que vive e que é gerido por necessidades básicas que os podem motivar ou não, são elas: necessidades fisiológicas como: alimentação, sono, atividades física, satisfação sexual etc; necessidades psicológicas: como segurança íntima, participação, autoconfiança e afeição; necessidades de auto-realização: como impulso para realizar o próprio potencial, estar em contínuo autodesenvolvimento.

A empresa deve oferecer todas as condições possíveis para os colaboradores estarem motivados, mas não tirar a responsabilidade dos mesmos buscarem também a motivação em si mesmos.

Conforme afirma Brum (2003), “segundo a moderna psicologia organizacional, é importante que a empresa atribua ao funcionário pelo menos 50% da responsabilidade pela sua motivação. (p.39).

As empresas devem dar condições de motivação como prêmios por metas alcançadas, distinções e reconhecimento de seus colaboradores. Muitas podem e devem oferecer outros meios de sanar as necessidades básicas dos funcionários, mas tudo isto trará um contentamento momentâneo. Outras necessidades, que fazem parte do composto psicológico, são verdadeiramente intrínseca às pessoas. As empresas pouco ou nada podem fazer, depende quase que exclusivamente das pessoas.

Como diz Brum, “A motivação é, antes de tudo, decorrente de algo intrínseco, de forças interiores que existem em cada ser e que dependem da sua carga genética e de outros itens ligados à formação e à educação.” (p.40). É importante, portanto, que ao fazermos a parte da empresa demonstremos que é necessário que o colaborador faça a sua.

O ser humano não é só matéria pura e simples, existem estudos científicos que já admitem que há algo mais do que só matéria no ser humano, e portanto nós temos outras necessidades que não são só as materiais. Quanto aos fatores psíquicos já são estudados há um bom tempo e acreditamos que influam muito no comportamento das pessoas e naturalmente nos aspectos motivacionais na empresa, incluímos aqui toda uma história de vida familiar que a pessoa tenha tido. Como comenta Brum (2003).

A verdade é que o ser humano é biopsicossocial e a felicidade é uma interação complexa desses fatores. A capacidade de ser feliz tem a ver com a cultura familiar. É na família que as pessoas aprendem a ver a vida de forma otimista ou pessimista. (p.27).

Existem várias teorias que retratam as necessidades e motivações humanas, a hierarquia das necessidades de Maslow, é uma das mais apresentadas por vários autores, porém é bom lembrarmos que na prática, as teorias para a motivação possuem pontos divergentes e convergentes, devemos aqui mencionar as afinidades entre as teorias e como citado por Robbins (2002), Maslow diz que existe uma hierarquia das necessidades humanas e que quando uma necessidade é satisfeita logo surge outra que toma o seu lugar.

A busca pela satisfação das necessidades humanas podem ser ótimos motivadores, porém estas mesmas necessidades não satisfeitas também são inibidores de comportamento, podendo levar a: desorganização de comportamento; agressividade; reações emocionais; alienação e apatia. Em outras palavras cabe a empresa gerir as condições para que as necessidades de nível baixo possam ser sanadas da melhor forma possível, ao mesmo tempo incentivar os colaboradores para que supram as necessidades de nível mais alto.

Como vimos, e também comenta Chiavenato (2000)

A motivação se refere ao comportamento que é causado por necessidades dentro do indivíduo e que é dirigido em direção aos objetivos que possam satisfazer essas necessidades.(p.161).

Segundo a teoria da hierarquia de Maslow, e como comentam diversos autores, os homens teriam uma incapacidade de suprir todas suas necessidades, pois uma satisfeita traria imediatamente outra para ser satisfeita e assim sucessivamente, Chiavenato (2000) lembra.

O homem é considerado um animal dotado de necessidades que se alternam ou se sucedem conjunta ou isoladamente. Satisfeita uma necessidade surge outra em seu lugar e, assim por diante, contínua e infinitamente. As necessidades motivam o comportamento humano dando-lhe direção e conteúdo.(p.128).

Embora a teoria de Maslow seja uma das mais apresentadas por diversos autores, há um ponto em que nos permitimos descordar desta teoria, quando diz que existe uma escalada em que as pessoas teriam que satisfazer um nível de necessidades para depois buscar outro mais alto. Ao contrário, neste ponto, concordamos com a teoria ERG de Clayton Alderfer, apresentada por Robbins que afirma que uma pessoa pode buscar a satisfação de necessidades em diversos níveis diferentes sem a necessidade de escalar etapas consecutivas. Como comenta Robbins (2002)

Uma pessoa pode, por exemplo, estar trabalhando em seu crescimento pessoal, mesmo que necessidades de existência ou relacionamento não tenham sido ainda atendidas; ou as três categorias podem estar operando simultaneamente. (p.157).

Este é um ponto que concordamos, pois muitos trabalhadores, ainda que em condições de necessidades básicas ou de existência, ainda não tão bem atendidas podem estar buscando seu crescimento pessoal e profissional.

Como se pode verificar supõe-se que os relacionamentos interpessoais dependerão das realizações e satisfações das necessidades individuais, mas também vemos que muitas vezes os homens se comportam de forma dualista.

Os homens apesar de serem animais racionais muitas vezes agem tomados pela emoção, existem muitos exemplos destes fatos que assistimos na mídia quase que diariamente onde vemos situações em que homens matam homens por nada e outras situações em que homens salvam homens arriscando a sua própria vida, está ai um dos paradoxos da humanidade.

Quantas vezes vemos pessoas que mal sabem nadar se jogando em um rio no momento de uma enchente a fim de salvar um outro ser vivo que lá caiu e está sendo carregado pela correnteza. Em uma situação antagônica assistimos homens em uma partida de futebol por causa de uma rivalidade esportiva, sem escrúpulos racionais, matar um semelhante o espancando até a morte.
Falando-se mais objetivamente com relação à empresa e no ambiente de trabalho existem também situações em que os homens se comportam com este padrão dualista.

Segundo Chiavenato (2000)

O homem se caracteriza por um padrão dual de comportamento: tanto pode cooperar como pode competir com os outros. Coopera quando os seus objetivos individuais somente podem ser alcançados através do esforço comum coletivo. Compete quando seus objetivos são disputados e pretendidos por outros.(p.128)

Não cheguemos ao extremo dos exemplos citados acima, onde fatalidades ou risco de vida por um semelhante ocorrem, mas salvo as extremidades podemos observar, com relativa freqüência, disputas nos ambientes de trabalho onde pessoas podem colaborar com muito prazer e motivação quando o objetivo final o satisfará e ao contrario podem também “puxar o tapete” quando se percebe em um suposto risco, procurando assim derrubar o colega até mesmo com a pretensão de tomar o seu lugar.

Abraços do

Benito Pepe

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Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

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