As Novas Escravidões dos nossos Dias

Parece que de alguma maneira o ser humano sempre apreciou a escravidão. Se observarmos a história da humanidade notaremos que vários povos sempre escravizaram a outros povos e a seu próprio povo. No mundo ocidental o Brasil foi o último país a deixar de ter escravos oficialmente. Mas no planeta terra, hoje, ainda há povos que escravizam a outros humanos. No entanto será que há outras formas e maneiras de escravidão? como seriam estas?

Os humanos escravizavam a seus irmãos e os negociavam como se fossem mercadorias, estes pertenciam a um senhor, isso poderia ser obtido como despojo de guerras, por uma dívida que um ser humano tinha com seu novo senhor e dono, poderiam ser também escravos pertencentes a um Estado e usados ao bel prazer deste Estado (algo parecido ainda existe em nossos dias).

Há nações que ainda possuem escravos de maneira oficial como é o caso do Sudão e outros os tem de maneira velada como ocorre em alguns lugares na África e em partes da Ásia, isso sem falar em países que levam seu povo para trabalhar em outros países e ficam com a maior parte da renda que estes obtém, não seria isso uma forma de escravidão?

Estima-se que hoje no mundo ainda existem algo como 27 milhões de escravos. Há muitas meninas que são roubadas para serem escravas para a prostituição, outras para atividades domésticas, outros para trabalharem na lavoura, e até mesmo em fábricas.

Na escravidão oficial e histórica tinha-se e tem-se que o senhor e proprietário do escravo deveria alimenta-lo a fim de que o mesmo pudesse produzir e trabalhar para o tal senhor, não ocorre o mesmo com muitos trabalhadores que vivem só para trabalhar e mal tem condições de adquirir seu alimento.

E os outros escravos? Como funciona em nossos dias o escravo voluntário e “evoluído” ?

Bem, há várias formas “voluntárias” de escravidão em nossos dias, uma delas é o escravo da tecnologia que vive em função dela e é dominado por esta, não dando tempo para si e não pensando por si, este é um escravo preso ao seu senhor: o Smartphone (por exemplo). Há escravos presos em cultuar o corpo, como este fosse eterno neste mundo, ficam horas e horas em uma academia e vivem em função desta. E há uma categoria muito especial de escravos do nosso tempo, os escravos dos nossos dias, esses são os trabalhadores “desenvolvidos”, profissionais liberais, empresários e todo o tipo de trabalhador que vive praticamente em função do seu trabalho e ofício, embora tenha uma boa renda.

Não há nada de errado em trabalhar para viver, o problema é o inverso, ou seja, viver para trabalhar, isso sim é escravidão. Alguns vão dizer: mas eu faço o que eu amo fazer e por isso meu oficio não é um trabalho e sim um prazer. Ok! eu concordo em parte, hoje em dia também faço o que amo fazer: dou aulas, palestras, treinamentos de equipes, cursos etc., tudo o que faço, o faço com muito prazer, dedicação e amor. Mas vamos lá… vamos pensar um pouquinho… será que algum ser humano precisa acordar ir trabalhar, almoçar rapidamente, voltar a trabalhar, ir à noite cansado para casa, comer algo, dormir, acordar e ir para o trabalho e seguir neste ritmo frenético pela maior parte do seu tempo e de sua vida e não ter outras atividades a não ser, e quando muito, aos finais de semana?

Essa é uma das questões que me fazem refletir há muito tempo e principalmente agora que tenho um pouco mais de idade e vivenciado tantos amigos e familiares que já partiram desta vida. Alguns sim, puderam viver um pouco além do trabalho, outros só trabalharam e trabalharam. Agora você pode voltar a questionar: mas e se eles eram felizes da maneira que viviam? ok então eu vou responder: quem só conhece feijão e arroz e está com fome, isso é um banquete para ele, não é mesmo?

A questão aqui não é somente se a pessoa pensa ser feliz ou não, a questão é maior… muitos destes que só vivem para trabalhar vão “tapar o sol com a peneira” em outras palavras vão evitar pensar ou mesmo não vão conseguir pensar, pois estão presos a uma estrutura de pensamento que não os permitem pensar, quando muito pensam estar pensando por si próprios e serem donos do seu pensamento, mas apenas são escravos e marionetes levados ao movimento do pensamento que os fazem pensar que são próprios.

Para você que ainda pensa que pensa, vamos então agora refletir e pensar pelo outro lado, o trabalho sem dúvida dignifica o homem, o trabalho e as várias formas de trabalho evoluíram e evoluíram a espécie humana, nós somos produto e resultado do nosso trabalho, somos o que somos pelo nosso trabalho. A espécie humana é fisicamente, biologicamente e principalmente psicologicamente resultado de milhares de anos em evolução e para esta o trabalho tem grande peso. Mas é aí que entra a importância e necessidade de se trabalhar de maneira diferente e com um tempo diverso de outrora. Vamos lá…

Em tempos remotos o trabalho era tão somente o manual, o trabalhador era aquele que tinha a mão calejada, o peso do seu trabalho se refletia no seu corpo. Não podemos dizer o mesmo para os trabalhos mais “nobres” de nosso tempo, o trabalho agora é intelectual e se deve muito ao nosso conhecimento e aos nossos estudos. Muito bem isso é fato!

Então vamos pensar para o próprio bem da humanidade e para a continuação de sua evolução e não para o risco real que corremos se não mudarmos o ritmo e a maneira que trabalhamos.

Ninguém poderá contribuir com questões éticas, morais, e outras formas de pensamento que sempre moldaram, acredito, positivamente a humanidade, se não tiverem tempo para pensar, refletir e meditar. Ninguém poderá contribuir com seu trabalho de maneira plena se só pensar nele, é necessário sair um pouco da caverna e ir lá fora ver o mundo, distrair o pensamento, abrir a mente para o novo, e acima de tudo ter a capacidade, a criatividade e as condições para inovar, pois só assim continuaremos nos libertando das correntes do pensamento estruturado e do mundo que, muitas vezes, está preso e acorrentado nas novas escravidões dos nossos dias.

Abraços,

Benito Pepe

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

11 thoughts on “As Novas Escravidões dos nossos Dias

  • 14 de novembro de 2020 em 6:46 PM
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    Olá Carlos Santos!

    É isso mesmo, notamos claramente que estamos “acorrentados” somente quando retiramos as correntes, é a mesma analogia com relação à saúde por exemplo, muitos só valorizam a saúde quando estão doentes, aí sim valorizam a saúde ou seja quando não a tem.

    Abraços,
    Benito Pepe

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