Continuando o texto: Aristóteles uma Visão Geral..
(…) a lógica é um instrumento do pensamento para pensarmos corretamente. Não se referindo a nenhum ser, a nenhuma coisa, a nenhum objeto, a lógica não se refere a nenhum conteúdo, mas à forma ou às formas do pensamento ou às estruturas do raciocínio em vista de uma prova ou de uma demonstração. (…) A lógica é o que devemos estudar e aprender antes de iniciar uma investigação filosófica ou científica, pois somente ela pode indicar qual é o tipo de proposição, de raciocínio, de demonstração, de prova e de definição que uma determinada ciência deve usar. (2002, p.357)
A Primeira das obras integrantes do Órganon, foi os Tópicos que classificam os diferentes modos de atribuição de um predicado a um sujeito. Cabe destacar ainda nos Tópicos o esboço da teoria do silogismo, que, no entanto, só foi consolidada nos Primeiros analíticos.“O silogismo é um argumento no qual, certas premissas estando postas delas resulta necessariamente uma conclusão”. Como nos lembra Zingano (2005, p.88).
Essa teoria se caracteriza pelo propósito de demonstrar a correção formal do raciocínio, independentemente de sua verdade objetiva. Assim, se todo B é A e se todo C é B, todo C é A. A primeira proposição é a maior; a segunda, a menor; e a última, a conclusão.
Entretanto é nos segundos analíticos que Aristóteles vai estudar um determinado tipo de silogismo: o silogismo científico, ou seja aquele que tem preocupação com a verdade.
Conforme transcreve Chaui:
Consideramos que possuímos uma ciência de modo absoluto, e não de modo acidental como nos sofistas, quando julgamos conhecer a causa pela qual a coisa é, sabendo que ela é a causa disso e que é impossível que o efeito seja diferente do que é. (2002, p.346)
Dessa maneira temos que um argumento válido difere-se de um argumento cientificamente válido, ou sólido. Através de sua causalidade e coerência lógica.
Aristóteles distingue quatro sentidos ou dimensões da causalidade:
Vamos dar um exemplo para essas causas usando o próprio exemplo que Aristóteles menciona. Para se fazer uma estátua de uma deusa grega precisamos do mármore, do bronze ou outro material seja argila etc. Esses materiais são como o próprio nome diz as causas materiais, ou seja a matéria que é usada na elaboração da estátua; essa estátua terá uma forma, um desenho, que é a deusa grega, esta é causa formal, a forma da estátua; para se elaborar essa estátua precisamos de um profissional, artesão ou escultor, este é o que dá a forma à Estatua, e esta é a causa eficiente para ela existir; por fim temos o objetivo final porque ou para que ela foi feita e esta é a causa final, que pode ser para se colocar no templo com o propósito do culto, para uma decoração, uma homenagem ou seja lá para qual fim tenha sido elaborada.
A aplicação desta lógica e desta causalidade se refere mais facilmente às coisas do mundo do devir, mas para Aristóteles há uma causa primeira e esta é buscada através da metafísica, que é sumamente a teologia. Segundo Aristóteles, como nos lembra Reale, a metafísica:
a) “indaga as causas e os princípios primeiros ou supremos”;
b) “indaga o ser enquanto ser”;
c) “indaga a substancia”;
d) “indaga Deus e a substancia supra sensível”. (2004, p.195)
Quanto à metafísica falaremos mais em outro tópico.
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Tags: Aristóteles, Filosofia, Visão Geral







agosto 9th, 2009 at 10:05 PM
[...] do Benito Pepe Próximo tópico: Algumas das “obras” de Aristóteles: a questão da Lógica e da Causalidade Referências bibliográficas deste tópico. A Bibliografia completa será apresentada no final [...]