Aventuras de ciclistas (parte 2)


Esta é uma continuação; clique Aqui para ver a (parte 1)

Saímos penso que pela tardinha, ainda longe do anoitecer, e seguíamos sempre que possível pelas calçadas desde a Vila da Penha. Passamos pela Penha, Avenida Lobo Júnior (o viaduto já era uma parte perigosa), e íamos paralelo à Avenida Brasil até onde era possível, quando estávamos na Avenida Brasil nós usávamos a calçada no seu maior trecho, usando as calçadas dos postos de gasolina, os estacionamentos de lojas etc.

Já na reta principal para entrar na Ilha do Governador nós continuávamos pelas calçadas e quando não havia jeito e tínhamos que ir pela rua, tomávamos muita cautela e atenção, tanto que graças ao nosso pai celestial nunca tivemos nenhum acidente grave.

Chegamos ao nosso primeiro objetivo: a Praia da Bica no Jardim Guanabara um bairro nobre da Ilha do Governador, estávamos naturalmente bem cansados, um dos motivos devia-se ao fato de nós nunca pararmos para descansar, pelo menos que eu me recorde em nenhum passeio nós parávamos a não ser quando chegávamos ao destino. Aliás faço aqui um pequeno parêntese para dizer que esta sempre foi uma marca de minha personalidade: só parar quando terminar o traçado. E talvez seja por isso que nós nunca tenhamos feito uma viagem muito longa, a maior foi a que fizemos somente eu e meu primo Alfredo até a praia de Grumari na zona oeste da cidade. (mais à frente comento um pouco desta viagem a Grumari)

Voltando ao passeio à Ilha. Quando chegamos lá, paramos um pouco em frente à praia para contemplar a nossa odisséia (a nossa lua conquistada), ficamos ali alguns minutos contemplando a bela vista para o Rio de Janeiro e a ponte Rio – Niterói. Em fim nós estávamos apreciando uma parte do nosso planeta “visto do alto” .

Neste momento um dos colegas pegou as chaves que o Evandro portava e as jogou na água (brincadeira de criança sem graça), mas foi esta uma das inesquecíveis aventuras de uma de nossas viagens, pois depois de entrar na realidade do ocorrido e sabendo-se que a praia já era um pouco poluída naquela época, seria difícil encontrar o molho de chaves do Evandro. Porém depois de muita procura, com sorte nós as encontramos.

Nesta primeira “viagem” não adentramos mais para o interior da Ilha, nos contentamos em chegar na Praia da Bica no Jardim Guanabara, entretanto fizemos muitos passeios à Ilha do Governador e aí sim em um desses passeios fomos até um quartel militar onde o pai do Cajá (Rogério) servia e pudemos passear por lá durante algumas horas. Já estávamos então acostumados a ir até a Ilha, o que passou a ser uma rotina normal.

Como disse a rotina, sem prévio acordo, era a Ilha do Governador onde não ocorreram muitos fatos marcantes, mas apenas a certeza de ser, como mencionado anteriormente, a nossa lua, a nossa primeira conquista espacial.

Para irmos à Ilha do Governador bastava que estivéssemos em um pequeno grupo de ciclistas e pronto. Íamos de pedal na estrada. Um dos membros dizia: – Vamos à Ilha! E todos os concordantes partiam felizes.

Narro aqui um pequeno acidente ocorrido com o Cajá:

O pequeno incidente ocorre em uma de nossas viagens à Ilha do Governador quando estávamos na estrada do Galeão, que é a principal entrada na Ilha. Agora já “mais experientes” e é “aí que mora o perigo”. Íamos em fila indiana (um atrás do outro) com velocidade alta e constante. Quando de repente um motorista, talvez imprudente, atropelou o Cajá, mas por sorte somente danificou a sua bicicleta. Ele não se feriu gravemente apenas alguns arranhões, mesmo assim agora com o triplo de cautelas seguimos viagem… Não me recordo com detalhes este acidente, mas sei que tudo se saiu bem e Graças à Deus nunca mais tivemos outro susto como este que fora o único.

À Barra da Tijuca

Realmente as maiores aventuras foram para a Barra da Tijuca. Não só para a Barra como também para São Conrado, Recreio dos Bandeirantes, Grumari e adjacências.


O meu maior companheiro nestas aventuras foi sempre o meu querido primo Alfredo. Quando nós marcávamos uma viagem íamos mesmo, fizesse sol ou chuva não fazia diferença, o nosso pensamento era chegar lá. E assim foram com certeza dezenas de aventuras, no entanto por questão de tempo e de memória vou narrar apenas alguns episódios marcantes dessas viagens…


A missão!
Vou chamar esta aventura de “a missão” pelo fato de eu ter descoberto que dois amigos, o Celso e o Luis Edmundo (irmão de minha querida amiga Deusa Cristina) terem dito que foram até a Barra da Tijuca, saindo da Rua Tejupá do seu ponto mais alto e indo até a praia da Barra da Tijuca em 45 minutos, isso segundo eles nos informaram. Como eu sempre fui um bom ouvinte (e inocente) eu acreditei de imediato e vivia pensando: preciso bater este tempo.

O fato é que eu precisava de uma testemunha e mais do que isso eu tinha um companheiro o Alfredo. Muito bem! Marcamos a data e saímos do ponto de partida mencionado, que já era nossa rotina normal pois nós já tínhamos ido algumas vezes à Barra da Tijuca, e como eu morava no ápice da Rua Tejupá meu primo ia até a minha casa e seguíamos de lá.

É interessante lembrar que os caminhos para a Barra da Tijuca eram diferentes do atual em que se pode usar a Linha Amarela, o que é muito mais fácil (porém impróprio para se ir pedalando). Na época e até pouco tempo atrás, o único caminho para a Barra (saindo da Vila da Penha) era por ruas e mais ruas indo por Madureira, Praça Seca, Jacarepaguá , Cidade de Deus e em fim a Barra da Tijuca; e tudo isso em curvas, sinais de trânsito, cruzamentos perigosos, buracos nas pistas, “fechadas” de ônibus, e muitos obstáculos mais.

Mas como “quem tem medo da guerra morre antes da batalha começar”, fomos à luta. A viagem transcorreu normalmente e no fundo nós não acreditávamos que seria possível bater esta meta dos 45 minutos, mesmo porque nosso objetivo normal até então era apenas o de chegar ao destino e curtir a viagem, “apreciar nossa Lua”. Mas como poderíamos saber se era verdade se não tentássemos um dia. Bem! Foi o que fizemos, porém sem muito compromisso.

Quando estávamos já, com mais ou menos 2/3 da viagem eu olhei o relógio e notei que talvez fosse possível bater o tal Recorde, então avisei o meu primo para apertarmos os pedais, e assim o fizemos.

Ao chegar na atual Av Airton Senna (a reta que leva até a praia da Barra) verifiquei no relógio que seria possível bater o tempo dos meus “concorrentes”, mas seria necessário apertar ainda mais os pedais e foi o que fizemos mais uma vez. Todavia o Alfredo não tinha mais forças para me alcançar, já cansado ele teve que ficar para trás, no entanto gesticulando como que se fosse um grito de guerra, grito esse que ele não poderia dar pelo seu cansaço, ele gesticulava bravamente para que eu seguisse.

Fora o último incentivo que eu precisava, pois agora o meu maior objetivo não era só comprovar que era possível a empreitada, era sim o sonho de quebrar mais uma “muralha”, vencer mais uma batalha. Assim ocorreu, cheguei à praia em cravados 43 minutos e além de conferir que realmente era verdade o que os colegas falavam eu confirmei que vale a pena ser um bom ouvinte e inocente (às vezes); pois assim acreditamos nos sonhos e os podemos tornar realidade.

Empreitada em Grumari

Para finalizar narro uma pequena aventura nas serras de Grumari. Saímos como sempre da Vila da Penha. Se bem me recordo paramos um pouco em uma casa que tínhamos na Barra. Descansamos um pouco e seguimos para Grumari. Já bem cansados, mas com nosso propósito sempre bem traçado, chegamos na Serra que liga o Recreio dos Bandeirantes até as praias de Grumari. Ocorre que pedalando por aquela serra notamos que um fusquinha nos seguia, mudamos o trajeto como se estivéssemos retornando, mesmo assim o cara no carro retornou mais à frente e voltou a nos seguir. Muito preocupados, naturalmente, paramos em um trailer. Narramos o fato ao atendente que rapidamente nos acalmou em parte.

Disse ele: – Não se preocupem! Este cara está sempre por aqui procurando garotões. Bem, amigo leitor, não sei se ficamos mais tranqüilos ou não, só me lembro que tomamos uma água de coco e voltamos para a Vila da Penha. Não chegamos à praia de Grumari, me recordo que a minha bicicleta tinha um velocímetro e marcou algo impressionante como quase 80 Km/h na descida da serra. Algo que não se pode nem pensar em fazer, ainda mais sem equipamentos. Use sempre equipamentos quando for sair de bicicleta.

Fizemos diversos outros passeios além da Barra da Tijuca, como São Conrado e adjacências. Mas a Barra passou a ser nossa principal aventura. Como disse, para mim e para o Alfredo não tinha tempo ruim, era pau no pedal.

Encerro esta parte por aqui e mais uma vez digo: não recomendo isso para ninguém! Principalmente nos dias de hoje. Se pensar no assunto use todo o equipamento possível e tome muito cuidado. Boa viagem!!

Abraços do Benito Pepe

Benito Pepe

Benito Pepe: Empresário há mais de 30 anos, Administrador, Filósofo, Astrônomo Amador, Colunista, Palestrante, Instrutor e Professor Universitário. Tem formação acadêmica na área de Administração com pós-graduações em: Administração estratégica de empresas; Marketing; Filosofia Contemporânea; e Filosofia Antiga. Publica Aqui, seus textos sobre Filosofia, Astronomia, Administração, Marketing, Religião, Assuntos da Atualidade, além de um Papo geral.

3 comentários em “Aventuras de ciclistas (parte 2)

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    Sou suspeito de dizer o quanto foi emocionante participar desses passeios, pois sou testemunha e cúmplice de tudo.
    Ass: O Gordo
    OBS: Você esqueceu os sanduiches de pão com mortadela e àgua mineral com gás.
    Aquerman Martinho

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    Valeu meu camarada Aquerman, realmente foram emocionantes e ficarão para toda nossas vidas as lembranças desses momentos, Quanto ao sanduíche de mortadela e água com gás eu não lembrava não, é coisa de gordo mesmo hehehe.

    Abraços do Benito Pepe

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