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	<title>Benito Pepe -  Palestras, Treinamento de Equipes e Cursos &#187; Modernidade</title>
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	<description>Filosofia, Sociologia, Astronomia, Religião, Administração, Marketing, Gestão de Empresas, Treinamento de Equipes, Palestras e Assuntos da Atualidade</description>
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		<title>A Modernidade e a Crise da Modernidade</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 18:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[
Continuando o texto&#8230;
Continuamos agora falando da Modernidade e da chamada Crise da Modernidade ou Pós-modernidade e mesmo Hiper-modernidade como preferem alguns.

1.4. A modernidade 

 
 A modernidade, o mundo moderno, teve como fatores determinantes o renascimento (origem &#8211; Florença – Itália), a reforma protestante (Alemanha – Lutero), e a revolução industrial (na Ilha &#8211; Inglaterra), [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313868867271086226" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right; width: 143px; height: 114px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_JraJqR5Z7q8/Sb6nlKizUJI/AAAAAAAAASo/KpCRirhFQLw/s200/aviao+e+armamentos.bmp" border="0" alt="" /></p>
<div><a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/03/15/etica-ciencia-e-a-crise-da-modernidade/" target="_blank"><span style="color:#3366ff;">Continuando o texto&#8230;</span></a></p>
<p style="text-align: justify;">Continuamos agora falando da Modernidade e da chamada Crise da Modernidade ou Pós-modernidade e mesmo Hiper-modernidade como preferem alguns.<span id="more-169"></span><br />
<span class="fullpost"><br />
<strong>1.4. A modernidade </strong></span></p>
</div>
<p><span class="fullpost"><strong> </strong></span></p>
<div style="text-align: justify;"><strong> </strong>A modernidade, o mundo moderno, teve como fatores determinantes o renascimento (origem &#8211; Florença – Itália), a reforma protestante (Alemanha – Lutero), e a revolução industrial (na Ilha &#8211; Inglaterra), mas começa mesmo, na área da revolução científica, com pensadores, cientistas e filósofos como poderíamos chamá-los na época; Tais como: Copérnico, Galileu Galilei, Descartes, Isaac Newton, entre outros tantos. A partir de então tivemos uma verdadeira revolução na ciência, e como conseqüência, o reposicionamento do homem em sua cultura, visão do mundo, do universo, e de si mesmo. Tratou-se da relação <em>Sujeito</em> – <em>Objeto</em>. Mas o que foi valorizado o Sujeito ou o Objeto?</div>
<div style="text-align: justify;">É a ciência moderna: a astronomia e a física, para citar alguns exemplos, que renascem. Mas agora baseadas e concebidas em uma relação matemática de regularidade austera. Daí, mais tarde, vir a brotar diversas invenções, que verdadeiramente revolucionaram a face do planeta terra. Acreditamos que da mesma maneira que benefícios vieram com todo esse germinar de “progresso”, desabrocharam-se desilusões e desencantos que mais posteriormente seriam sentidos, conforme comentaremos mais à frente.</div>
<div style="text-align: justify;">Como nos relembra Michel Foucault, em Arqueologia das Ciências e História dos Sistemas de Pensamento (2000) :</div>
<div style="text-align: justify;"><em>Freud fala, em algum lugar, que há três grandes feridas narcísicas na cultura ocidental: a ferida imposta por Copérnico; aquela feita por Darwin, quando ele descobriu que o homem descendia do macaco; e a ferida feita por Freud, já que ele próprio, por sua vez, descobriu que a consciência repousava na inconsciência. (p.43).<br />
</em><br />
Aproveito este segmento do texto, para mencionar aqui que essa tripla humilhação ajudou, de certa forma, com que os homens saíssem um pouco mais do seu pedestal supremo e de uma superioridade incondicionada, que se fortalecera com o iluminismo, e que se reposicionassem no planeta em que vivem, dentro de sua realidade e não tanto mais como aqueles que se achavam os seres supremos por excelência, os esclarecidos através da razão.</div>
<div style="text-align: justify;">Kant dá limite à razão e estabelece critérios para um conhecimento legítimo. No prefácio à segunda edição da Crítica da razão pura (1787) Kant formula a metáfora da revolução copernicana através da qual passamos a saber que não é a terra o centro do sistema solar, o sol não gira entorno da terra e sim a terra é quem gira entorno do sol, como também o fazem todos os demais planetas de nosso sistema solar. Com esta metáfora, Kant diz, da mesma forma, que não é o sujeito que se orienta pelo objeto, mas é o objeto que é determinado pelo sujeito. “Sujeito” e “Objeto” para Kant passam a ser termos relacionais.</div>
<div style="text-align: justify;">Kant também seria de alguma forma o iniciador desse questionamento científico e muitos de seus pensamentos éticos pautariam a contemporaneidade.</div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>1.5. A crise da modernidade </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<div style="text-align: justify;"><strong> </strong>Começamos aqui a crítica a todo este racionalismo científico desmedido. Filósofos como, Kant e Hegel foram talvez os bebês, (simpática esta analogia que faço, pois Kant é chamado de o velho Kant) depois alguns meninos como Schopenhauer, e mais tarde alguns jovens como Nietzsche que pode ser considerado “o pensador cuja crítica à tradição filosófica clássica e moderna foi mais marcante”, como diz Marcondes (2005, p.243).</div>
<div style="text-align: justify;">Este jovem que agora já pode gerar filhos, os faz. Deixa alguns herdeiros com consciência e também inconscientemente. Nietzsche grande estudioso que foi, e como filólogo estudou toda a tradição filosófica. Analisa a passagem do pensamento mítico para o lógico-científico e diz que ali se perderam a proximidade com a natureza, e poderíamos dizer: as emoções trazidas pelo deus Dionísio e toda a embriaguez, dança, música. Este era o deus da natureza&#8230; em contra partida passa-se a valorizar o deus Apolo. O deus da racionalidade. Antes desta passagem estes “espíritos” se contrabalançavam, mas depois com a emergência da razão, Apolo prevalece em detrimento de Dionísio, que pouco a pouco é reprimido com tudo o que ele representa, o desejo, as emoções, os sentimentos, e tudo o mais.</div>
<div style="text-align: justify;">Nietzsche critica quase todos os seus antecedentes filósofos, “zomba do racionalismo crítico moderno, de sua pretensão de fundamentar nosso conhecimento e nossas práticas. Um de seus alvos prediletos é Kant” como diz Marcondes (2005, p.244).</div>
<div style="text-align: justify;">Portanto vários dos princípios da modernidade começam a ser questionados, não só por Nietzsche, mas também por Heidegger, entre outros, que de certa maneira procuram retomar o ser. Retomar a ontologia lá dos pré-socráticos.</div>
<div style="text-align: justify;">Especialmente Heráclito e Parmênides. Criticam a tradição filosófica e a modernidade onde o homem estava preocupado predominantemente com a ciência e o conhecimento. E agora estaríamos re-apontando uma renovada busca pela verdade, a busca originária do conceito grego de verdade (alétheia) no sentido de desvelamento do ser – descobrimento – “retirada do véu”.</div>
<div style="text-align: justify;">Heidegger critica a sociedade industrial (uma das causadoras da modernidade) onde se predomina a ciência. E questiona estes valores e princípios modernos.</p>
<p>Como transcreve Marcondes (2005):</p></div>
<div style="text-align: justify;"><em>“A ciência não pensa.” A ciência e sua aplicação técnica seriam incapazes de pensar o ser, de pensá-lo fora da problemática do conhecimento e da consideração instrumental e operacional da realidade típicos do mundo técnico. Na verdade, o desenvolvimento de nosso modelo técnico e industrial é conseqüência precisamente do “esquecimento do ser” na trajetória da cultura ocidental. (p.267).<br />
</em><br />
Precisamos nos lembrar que nós somos seres que nunca estamos prontos, somos diferentes de objetos como uma caneta, por exemplo. Ela está pronta. Tem seu objetivo, seu propósito, que é ser usada para escrever, está ali à nossa disposição e está acabada, está constituída. Michael Foucault é um dos filósofos que estuda como se forma a nossa subjetividade, o ente do presente. E questiona: Como somos formados? As instituições vão dizer como o sujeito é. As ciências humanas, por exemplo: médicos e psicanalistas começam a dizer o que é o homem. E assim nós vamos nos tornando o que pensamos ser, através da maneira que nos dizem que somos. É a relação Saber – Produção &#8211; o saber produzindo a “verdade”. Foucault vem questionar isto e diz: o que poderíamos ser? E não mais o que somos ou pensamos ser. Precisamos então lutar contra este saber científico?</div>
<div style="text-align: justify;">Será que a ciência pode delimitar o que é, e o que não é conhecimento? O que é, e o que não é bom para o ente? Todo o conhecimento se dá pela razão? Pelo racionalismo?</div>
<div style="text-align: justify;">Existem diversas áreas do saber na humanidade. Os conhecimentos poderiam ser considerados genericamente em quatro categorias: o conhecimento vulgar ou popular (como o nome diz, vem do povo, não tem base científica) o conhecimento filosófico (no dizer de Kant é o conhecimento racional a partir de conceitos), o conhecimento religioso (está no magistério da fé) e o mencionado conhecimento científico (racionalista empirista da modernidade – em pauta). Mas, acredito que, nenhum deles poder-se-ia intitular o dono da verdade! A verdade não estaria assim, em nenhuma dessas categorias isoladamente, mas em uma confluência entre elas ou entre algumas delas).</div>
<div style="text-align: justify;">Freud veio com o inconsciente que quebra um pouco a racionalidade, diz que agimos muitas vezes com instrumentos que não são conscientes e portanto poderíamos chamá-los de intuitivos ou instintivos ou seja lá o nome que quisermos dar. O importante é que não poderíamos valorar, uma ou outra maneira de pensar e agir em detrimento desta ou daquela. Gostaria de me permitir colocar aqui uma expressão: porque devemos pensar sempre com a razão ou o racionalismo? A razão humana só tem uns 2500 anos, enquanto que a origem da humanidade, algo em torno de 2 milhões de anos&#8230;</div>
<div style="text-align: justify;">Talvez precisássemos retomar um pouco Kant, criticar a nós mesmos, não como doutrina, mas como ethos, no sentido de uma atitude crítica da razão humana, com nossos limites, e dizer da impossibilidade de se ultrapassar este limite.</div>
<div style="text-align: justify;">Retomamos a chamada crise da modernidade que se implanta algum tempo depois, isto ocorre principalmente após as duas grandes guerras mundiais, mais ainda, depois da segunda guerra, lá pelos anos 50, 60 e 70 com o desencanto destas tecnologias utilizadas nessas guerras, como: uso da bomba atômica e o próprio avião que tanto frustrou nosso querido brasileiro Santos Dumont e que vieram a dar o que deu com o seu mau uso ou uso para o mal, e em conseqüência disto surgem os movimentos anticultura.</div>
<div style="text-align: justify;">Há também formas de se repensar a racionalidade, formas de se pensar a razão. A maneira como se pensa a razão muda historicamente. Por exemplo quando Descartes retoma o racionalismo &#8211; quando ele retoma Platão e Aristóteles &#8211; o faz de forma diferenciada, embora que ainda seja uma retomada do racionalismo. Isto se pode observar na relação sujeito – objeto que passa a ser considerada. Será que o que está ocorrendo hoje, também não seria uma retomada deste pensamento, de uma forma diferente novamente?</div>
<div style="text-align: justify;">A “crise” seria portanto, um momento, uma fase da modernidade? Há vários autores, filósofos e sociólogos que se contrapõem nesta questão, mas pelo que parece uma das maiores questões em pauta é na verdade a retomada do sujeito em detrimento aos valores que foram levantados na modernidade, tais como: a ênfase na ciência e a questão do conhecimento, entre outros, e que agora, ao contrário, se passaria a valorizar a criatividade, a inspiração e o sentimento. Os valores estéticos passam portanto a tomar o lugar do científico, como observa Marcondes (2005, p.274).</div>
<div style="text-align: justify;">Lyotard com sua obra <em>A condição pós-moderna</em> (1979) introduz o termo pós-modernidade e vem questionar: será que nós podemos pensar da mesma maneira que os modernos pensavam? Habermas por outro lado afirma: precisamos aprender com os desacertos do modernismo.</div>
<div style="text-align: justify;">Conforme menciona Marcondes (2005):</div>
<div style="text-align: justify;"><em>Habermas polemizou com Lyotard, em um texto intitulado “A modernidade: um projeto inacabado” (1980), ao defender a validade das idéias do racionalismo e do Iluminismo, considerando-os de importância fundamental, sobretudo a teoria crítica em um sentido político e ético, para nosso contexto social. Trata-se de uma questão em aberto, ambas as posições encontrando adeptos e defensores; na realidade, refletindo a importância, neste final de século, de se pensar o papel da filosofia em relação ao projeto de sociedade que se construirá no futuro. (p.274).<br />
</em><br />
Hoje poderíamos dizer que se re-modificou, mais uma vez, a forma, a maneira da racionalidade. Há várias pessoas pensando, visando um consenso. Esta seria uma virada da racionalidade? Como devemos entender esta crise da modernidade, seria “a modernidade em um analista fazendo análise”?</p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do Benito Pepe<a href="http://www.benitopepe.com/"><span style="color:#3366ff;"> </span></a><span style="color:#3366ff;"><br />
</span><br />
Próximo tópico: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/03/16/consideracoes-finais-e-referencias-bibliograficas/" target="_blank">Considerações finais e Referências Bibliográficas</a></p>
</div>


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		<title>Ética, Ciência e a Crise da Modernidade</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 02:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
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Apresento mais uma serie de postagens, agora com este novo tema. Começamos com uma introdução e entramos nos tópicos: A Ética; e, A Ciência.

1.1. Introdução

Este texto tem como objetivo comentar a ética e a influência na ciência ou melhor a necessidade de se pensar esta ciência em termos éticos. Para isso utilizamo-nos como “pano de [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313617062137573330" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right; width: 120px; height: 98px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_JraJqR5Z7q8/Sb3CkLUqL9I/AAAAAAAAASg/Eu3oE5lnIMI/s200/ciencia.jpg" border="0" alt="" /></p>
<div style="text-align: justify;">Apresento mais uma serie de postagens, agora com este novo tema. Começamos com uma introdução e entramos nos tópicos: A Ética; e, A Ciência.<span id="more-168"></span><br />
<span class="fullpost"><br />
<strong>1.1. Introdução<br />
</strong><br />
Este texto tem como objetivo comentar a ética e a influência na ciência ou melhor a necessidade de se pensar esta ciência em termos éticos. Para isso utilizamo-nos como “pano de fundo” do período da modernidade e do que ocorre posteriormente: a chamada crise da modernidade.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="fullpost"><br />
</span></div>
<div><span class="fullpost"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="fullpost">Achamos pertinente comentar um pouquinho sobre ética, ciência e modernidade e refletir sobre esse racionalismo científico com ar de superioridade, a fim de ilustrar e facilitar ao leitor a compreensão sobre o tema e a importância de se buscar na ética o andamento da ciência. </span></div>
<p style="text-align: justify;"><span class="fullpost"> </span></p>
<div style="text-align: justify;">Notamos nos dias de hoje várias instituições que se preocupam com um código de ética. Isso demonstra claramente a necessidade que a sociedade tem de “controlar” as medidas e atitudes das diversas profissões. Esse fato demonstra também uma ansiedade das pessoas umas com relação às outras. Será que podemos permitir que a ciência por exemplo, faça o que ela quiser? A ciência pode pesquisar o que ela quiser? Eles respondem: nós estamos pesquisando tal arma química, mas nós nunca vamos usá-la! Eu questiono: para que então desenvolver uma tal arma química se nunca vai ser usada? Eles retrucam: é apenas para evitarmos um ataque&#8230;(?)</div>
<div style="text-align: justify;">Há um problema maior aí&#8230; muitos “desenvolvimentos” científicos não teriam nem mesmo o porquê de serem inicialmente questionados. Mas, infelizmente posteriormente foram usados na guerra e, pior ainda, desenvolveram-se outros “inventos” de avanços tecnológicos inimagináveis já propriamente para o uso militar, como é o caso dos aviões. E agora os super aviões de caça dos nossos dias; Além de uma infinidade de armas e mais armas, até biológicas&#8230; É então aí que devemos pensar a ética. Podemos “deixar” que a ciência faça o que ela quiser? Ou devemos questionar e refletir: o que estamos fazendo com o planeta? O que fazemos com a humanidade; e com as diversas vidas aqui existentes, que não conseguem mexer nem com um centésimo do que esta espécie chamada humanidade fez e faz com o planeta e com a própria vida?</div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>1.2. A ética </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<div style="text-align: justify;"><strong> </strong>É difícil falar sobre ética, pois é um tema um tanto quanto complexo. Poderíamos entendê-la de várias formas. Uma delas poderia ser como a busca ou caminho para ou pela “verdade” que de maneira mais complexa ainda, seria, talvez, e em algumas condições, subjetiva. Se relembrarmos da origem da filosofia na Grécia e depois, por exemplo, os sofistas, que através da retórica e do convencimento pelas palavras, da oratória, julgavam que “a verdade é resultado da persuasão e do consenso entre os homens”. Mas isso é combatido por Sócrates, Platão e Aristóteles, mais especificamente por Sócrates que os “combate” buscando o que julgava ser a essência da <em>verdade</em> através da <em>razão</em> e não do “simples” convencimento e consenso. Ele fazia isto através de perguntas básicas, feitas a diversos profissionais especialistas, tais como: ao sapateiro – o que é um sapato? Ao “juiz” &#8211; o que é a justiça? Ou o que é a verdade? E assim, a partir de um questionamento, buscava desvelar, através da razão e da lógica e não mais por um simples convencimento retórico, o que seria esta verdade.</div>
<div style="text-align: justify;">Poderíamos dizer então que, de certa forma, Sócrates inaugura a ética dentro do discurso. Sócrates, como comenta Marcondes em <em>Iniciação à história da filosofia</em> (2005, p.40), seria “um divisor de águas. É nesse momento que a problemática ético-política passa ao primeiro plano da discussão filosófica como questão urgente da sociedade grega superando a questão da natureza como temática central;” pois a temática racionalista filosófica, inicialmente, era a natureza, iniciada por Tales de Mileto que buscava na própria natureza a explicação para ela própria, se afastando assim do mito em que tudo era explicado pelos deuses&#8230;</div>
<div style="text-align: justify;">Temos aqui um pequeno histórico para entender a ética de forma mais concreta, permanente e universal. Como define Blackburn (1997) no dicionário OXFORD de filosofia. A ética tem como objeto o:</div>
<div style="text-align: justify;"><em>Estudo dos conceitos envolvidos no raciocínio prático : o bem, a ação correta, o dever, a obrigação, a virtude, a liberdade, a racionalidade, a escolha. É também o estudo de segunda ordem das características objetivas, subjetivas, relativas ou céticas que as afirmações feitas nesses termos possam apresentar. (p.129)</em></p>
<p>Também, Japiassú e Marcondes no dicionário básico de filosofia (2006), mencionam de maneira similar, mas com algumas particularidades, que a ética do grego ethike, diz respeito aos costumes e tem por objetivo “elaborar uma reflexão sobre os problemas fundamentais da moral (finalidade e sentido da vida humana, os fundamentos da obrigação e do dever, natureza do bem e do mal, o valor da consciência moral etc)” (p.97).</p></div>
<div style="text-align: justify;">Assim teríamos a questão da subjetividade na ética, e a formação da própria sociedade interagindo entre ela e os indivíduos. A ética ajudando-nos a refletir sobre os costumes, sobre as práticas da ciência, da religião, da família, da empresa, em fim: em todas as instituições da sociedade. A ética nos ajuda a pensar a subjetividade. Que sujeito é esse em tal momento da história? Que sujeito é este hoje? Que “conhecimento” é este que buscamos pela ciência?</p>
<p><strong>1.3. A ciência </strong></div>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<div style="text-align: justify;"><strong> </strong>A ética seria desta maneira então, <em>intermediária</em>, buscaria a justiça, a harmonia e os caminhos para alcançá-las. Quando buscamos, a justiça, a <em>verdade</em>, o entendimento e o <em>conhecimento</em>, o buscamos para satisfazer uma necessidade do sujeito. E, destes termos, gostaria de me ater ao conhecimento e mais precisamente ao conhecimento pela ciência, uma vez que podemos obter conhecimento por vários caminhos não só os científicos, aliás é até paradoxal dizer o que é ciência. “Karl Popper um dos filósofos que mais influenciaram a ciência em nosso século, chamou-o de “problema da demarcação”; O que é que distingue a ciência da não-ciência? Como podemos demarcar a fronteira entre elas?” Como citado por Appiah, (2006, p.123).</div>
<div style="text-align: justify;">É importante também mencionar que a ciência deve ser entendida de maneira diversa, conforme o tempo em que a estudamos. O que chamamos de “conhecimento científico”, também, pode variar nos diversos períodos da história. Os casos são múltiplos. Na área médica, por exemplo, quando ouvimos uma voz científica dizendo: evite comer ou fazer tal coisa, que faz mal à saúde, e depois alguns anos mais tarde se contradizem dizendo que não é bem assim&#8230; pode comer sim!, Pode fazer sim! Porém isto não ocorre só na medicina, isto se passa nos diversos seguimentos da ciência. Será então que só a ciência teria a verdade? E esta verdade seria boa? Mas o que é a verdade?</div>
<div style="text-align: justify;">Ouve épocas que uma certa disciplina era considerada como ciência (da forma que a concebemos) e que agora não o é mais. É o caso da astrologia que se difere totalmente da Astronomia, no entanto elas no passado se mesclavam. Também não cabe aqui questionar a validade de uma em detrimento da outra. Muitas vezes algum “astrólogo especifico acerta predições com bastante freqüência” e “é provável que as pessoas que lêem o horóscopo não se importem muito se eles são ou não científicos”, como diz Appiah , 2006 (p.122).</div>
<div style="text-align: justify;">Outra questão, não menos importante, era saber que entre os parâmetros para definir o que é ciência, está ou estava a <em>causalidade</em> ou <em>determinismo</em>, quando diz que todos os eventos têm causas. Porém neste século passado recentemente findado, os cientistas argumentaram que o determinismo não é uma verdade. A teoria quântica, diz que há alguns eventos que não têm causas. A teoria fala em probabilidades. Se, para sabermos o que é científico precisávamos de uma causalidade e agora viemos a dizer que não, mas outrossim, que é uma questão de probabilidades, significa que algumas coisas não podem ser entendidas com as premissas cientificamente elaboradas no transcorrer do tempo e no passado, e quem sabe se no futuro não se dirá o mesmo do presente&#8230;</div>
<div style="text-align: justify;">Partindo destes pré-supostos, poderemos entender melhor agora o que veio a ser a <em>modernidade</em>, a <em>revolução científica</em> ocorrida neste período e posteriormente, a <em>crise da modernidade.<br />
</em><br />
Abraços do Benito Pepe<a href="http://www.benitopepe.com/"><span style="color:#3366ff;"> </span></a><span style="color:#3366ff;"><br />
</span><br />
No próximo tópico: <span style="color:#3366ff;"><a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/03/16/a-modernidade-e-a-crise-da-modernidade/" target="_blank">A Modernidade e a Crise da Modernidade</a><br />
</span></div>


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		<title>O Racionalismo na Modernidade (continuação capítulo 3.2)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 20:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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Você já viu o inicio deste texto?


Na modernidade encontramo-nos com René Descartes (1596-1650) homem que definitivamente influencia o desenvolvimento do pensamento desse período. Descartes era contemporâneo de Galileu Galilei, e se considerava também cientista além de filósofo. Como diz Marcondes em: Textos Básicos de Filosofia.


Descartes considerava um de seus objetivos primordiais a fundamentação da nova [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290507127932468418" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right; width: 137px; height: 138px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_JraJqR5Z7q8/SWuoM9oWPMI/AAAAAAAAAKw/ouqquOZQTfg/s200/descartes+Racionalismo.jpg" border="0" alt="" /></p>
<div><a href="http://www.benitopepe.com.br/2008/12/27/a-filosofia-e-a-astronomia-instancias-em-que-o-thauma-aparece-capitulo-1/" target="_blank"><span style="color:#3366ff;">Você já viu o inicio deste texto?</span></a></div>
<div><span style="color:#3366ff;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">Na modernidade encontramo-nos com René Descartes (1596-1650) homem que definitivamente influencia o desenvolvimento do pensamento desse período. Descartes era contemporâneo de Galileu Galilei, e se considerava também cientista além de filósofo. Como diz Marcondes em: <em>Textos Básicos de Filosofia.<span id="more-119"></span></em></span></div>
<div><span style="color:#666666;"><em><br />
</em></span></div>
<div style="text-align: justify;"><em><span style="color:#666666;">Descartes considerava um de seus objetivos primordiais a fundamentação da nova ciência natural então nascente, defendendo sua validade diante dos erros da ciência antiga e mostrando a necessidade de se encontrar o verdadeiro método cientifico que colocasse a ciência no caminho correto para o desenvolvimento do conhecimento, o que se propõe no discurso do método. (2005, p.73).<br />
</span></em><span class="fullpost"><br />
<span style="color:#666666;">Dos erros da ciência antiga podemos destacar a idéia da concepção geocêntrica, que acabara de ser combatida pouco tempo antes com Copérnico (1473-1543) desvendando que a terra não é o centro do universo mas sim que faz parte, como os outros demais planetas conhecidos de então, deste universo e que giram em torno do sol, e não estes que girariam em torno da terra estando ela no centro do universo . O sol sim seria o “centro” deste universo, ou seja, o Heliocentrismo.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="fullpost"><span style="color:#666666;"><br />
Relembramos que essa não é uma idéia original de Copérnico que a busca lá nas múltiplas hipóteses cosmológicas do passado, no caso em Aristarco de Samos (séc III a.C). No entanto Copérnico parte dessa hipótese e isto dará um grande ponto de partida para a astronomia moderna. </span></span></div>
<p><span class="fullpost"> </span></p>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">Descartes portanto baseando-se nesses fatos científicos “quebrados”, entre outros, declara que não poderia continuar a acreditar em tudo, sem que fizesse um estudo metódico. Cria então um método que pudesse revelar a “verdade”. Ele diz: “&#8230;recebi muitas falsas opiniões como verdadeiras”, era portanto necessário&#8230; “destruir em geral todas as minhas opiniões.” E acrescenta &#8230; “o menor motivo de dúvida que eu nelas encontrar bastará para me levar a rejeitar todas” como nos diz Descartes em Marcondes (2005, p.74). </span></div>
<div><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">Assim Descartes desenvolve um método científico e cria regras para que consiga, segundo acreditava, chegar à verdade do conhecimento e isto de forma muito mais simples que o método dedutivo aristotélico, que segundo Descartes deixava dúvidas. O que não evitou que as falsas teorias da antiguidade, como a concepção geocêntrica do universo, fossem apresentadas como válidas, através da formulação lógica que receberam.</span></div>
<div><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">As quatro regras básicas desenvolvidas por Descartes que deveriam ser seguidas à risca, e que certamente marcaram muito toda a modernidade, são estas conforme explana Marcondes (2005, p.81): </span></div>
<div><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"> A regra da evidência – que deve garantir a validade de nossos pontos de partida no processo de investigação cientifica; </span></div>
<div><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"> A regra da análise – indica que um problema a ser resolvido deve ser decomposto em suas partes constituintes mais simples; </span></div>
<div><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"> A regra da síntese – sustenta que uma vez realizada a análise devemos ser capazes de reconstituir aquilo que dividimos, revelando assim um real conhecimento do objeto investigado; </span></div>
<div><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"> A regra da verificação – alerta para a necessidade de termos certeza de que efetivamente realizamos todos os procedimentos devidos.</span></div>
<p style="text-align: justify;">Desta forma Descartes desenvolve um método que o faz crer que assim estaria bem conduzindo sua razão “&#8230;meu propósito não é ensinar aqui o método que cada um deve seguir para bem conduzir sua razão, mas apenas mostrar de que maneira procurei conduzir a minha”. Descartes (2005, p.39) Discurso do Método.</p>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">Está aí retomada, reavaliada, com Descartes, de forma eminente, a racionalidade, o racionalismo, a razão no mundo ocidental. E desta vez com um método que se apresenta menos “burocrático” e quem sabe mais “eficiente”. É claro que esta retomada, não vem só com Descartes já vinha também com outros pensadores e cientistas da natureza, como Copérnico e Galileu. Mas ele se difere por a ter formalizado, sistematizado. </span></div>
<div><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">É importante lembrarmos que toda uma concepção, toda uma idéia do mundo, do universo, que estava administrada, estava incorporada na mente das pessoas por quase dois mil anos, é “apagada” de repente – e isto é muito tempo se levarmos em consideração que estas mudanças, esta quebra de paradigma ocorrem há menos de quinhentos anos dos nossos dias – Imaginemos a radical reviravolta cultural que ocorre nesse povo quando um conhecimento de vida tão longa é confrontado, é contestado, se quebra. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">Vejamos agora algumas das influências que a retomada deste racionalismo e das pesquisas astronômicas deixam para nossa sociedade e para o ente humano da época, e até mesmo para os nossos dias&#8230;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div><span style="color:#666666;">Abraços do <strong>Benito Pepe</strong></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"><br />
No próximo tópico veremos:</span> <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/01/15/as-influencias-da-astronomia-e-a-quebra-de-paradigmas-continuacao-capitulo-3-3/" target="_blank"><span style="color:#3366ff;">As influências da Astronomia e a quebra de paradigmas</span></a></div>
<div><span style="color:#3366ff;"><br />
</span></div>
<div><span style="color:#666666;"><strong>Referências Bibliográficas</strong></span></div>
<div><span style="color:#666666;"><strong><br />
</strong></span></div>
<div><span style="color:#666666;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">CHÂTELET, François. <em>Uma história da razão</em>: entrevista com Émile Noel. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">DESCARTES, René. <em>Discurso do método</em>. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L &amp; PM Pocket, 2005.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"> </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">MARCONDES, Danilo. <em>Iniciação à história da filosofia</em>: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 9.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#666666;">______________. <em>Textos básicos de filosofia</em>: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</span></div>
<div><span style="color:#666666;"> </span></div>
<div><span style="color:#666666;"> </span></div>


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