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	<title>Benito Pepe -  Palestras, Treinamento de Equipes e Cursos &#187; Heidegger</title>
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	<description>Filosofia, Sociologia, Astronomia, Religião, Administração, Marketing, Gestão de Empresas, Treinamento de Equipes, Palestras e Assuntos da Atualidade</description>
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		<title>Referências Bibliográficas do Texto Heidegger e os Gregos</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 19:39:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Bibliografia]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta bibliografia que posto agora  se refere ao texto >  “Heidegger e os gregos: o Ser e o Céu” você pode acompanhar este texto seguindo o link no final de cada tópico (postagem). Este texto contém uma pequena parte que tem relação com minha monografia intitulada > “A Filosofia e a Astronomia: Instâncias em que o Thauma Aparece”  da mesma maneira, caso queira, você poderá seguir o link no final de cada tópico apresentado.


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
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</a>
Esta bibliografia que posto agora  se refere ao texto &gt;  “<strong><a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Heidegger e os gregos: o Ser e o Céu</span></a>” </strong>você pode acompanhar este texto <strong>seguindo o link no final de cada tópico</strong> (postagem). Este texto contém uma pequena parte que tem relação com minha monografia intitulada &gt;<strong> “<a href="http://www.benitopepe.com.br/2008/12/27/a-filosofia-e-a-astronomia-instancias-em-que-o-thauma-aparece-capitulo-1/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">A Filosofia e a Astronomia: Instâncias em que o <em>Thauma</em> Aparece</span></a>” </strong> da mesma maneira, caso queira, você poderá seguir o link no final de cada tópico apresentado.<span id="more-966"></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Segue a bibliografia:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">ANDREETA, José Pedro. <em>Quem se atreve a ter certeza?</em> : a realidade quântica e a filosofia. 1. ed. São Paulo: Mercuryo, 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">BROCKELMAN, Paul. <em>Cosmologia e criação</em>: a importância espiritual da cosmologia contemporânea. 1.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">CHÂTELET, François. <em>Uma história da razão</em>: entrevista com Émile Noel. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">CHAUI, Marilena. <em>Convite à filosofia</em>. 13.ed. São Paulo: Ática, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">__________. <em>Introdução à história da filosofia</em>: dos pré-socráticos a Aristóteles, volume 1. 2.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">DESCARTES, René. <em>Discurso do método</em>. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L &amp; PM Pocket, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">HADOT, Pierre. <em>O que é a filosofia antiga? </em>2.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">HEIDEGGER, Martin. <em>Ser e tempo; </em>tradução de Márcia Sá Cavalcante Schuback; Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2006.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">_________________. E<em>nsaios e conferencia;</em> tradução de Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel, Márcia Sá Cavalcante Schuback. 3.ed. Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2006.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">KANT, Immanuel. <em>Immanuel Kant</em>: Textos seletos. Introdução de Emmanuel Carneiro Leão. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">MARCONDES, Danilo. <em>Iniciação à história da filosofia</em>: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 9.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">______________. <em>Textos básicos de filosofia</em>: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">NOVELLO, Mário. <em>O que é cosmologia?</em>: A revolução do pensamento cosmológico. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <em>História da filosofia</em>, 7v.; tradução de Ivo Storniolo; 1.ed. São Paulo: Paulus, 2006.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>Benito Pepe</strong></span></a></p>
<p style="text-align: justify;">


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		</item>
		<item>
		<title>O esquecimento de nossa origem Cósmica</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/o-esquecimento-de-nossa-origem-cosmica/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 00:11:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Céu]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>
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		<description><![CDATA[Ocorre uma perda, um esquecimento desta nossa origem cósmica. Uma das maneiras que teríamos para nos aproximar um pouco dela seria o estudo da Nova Cosmologia


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>
<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/esquecimento.jpg" title="" class="shutterset_singlepic44" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/44__160x120_esquecimento.jpg" alt="esquecimento" title="esquecimento" />
</a>
Continuando o texto &gt; <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Heidegger e os Gregos: o Ser e o Céu</span></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em nossos dias, da mesma forma que é mais “fácil” estar aí jogado <em>esquecendo</em> o ser e se <em>ocupando</em> em várias atividades e coisas do dia a dia como: trabalho, assistindo à Televisão, indo ao cinema, teatro, “baladas” e outras tantas e diversas atividades; da mesma maneira se <em>esquece</em> o Céu, se esquece o universo, se <em>ocupando </em>com tantas “atividades noturnas”. Assim perdemos o sentido de nossa origem. Conforme comenta Brockelman:<span id="more-962"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O que perdemos, portanto, foi a habilidade de ver nossa vida como parte de uma ordem e uma realidade mais amplas, para além de nossos transitórios desejos e sonhos diários. Ao ver  a natureza e todo o universo como uma “matéria” posta aqui para nossa transformação e uso infinitamente produtivos, reduzimos a realidade a um mero valor extrínseco para nós; ela não é mais vivenciada como intrinsecamente valiosa em si. Por conseqüência, perdemos todo senso de pertencer a um drama e a uma realidade mais vastos e significativos. (2001, p.23)</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ocorre uma perda, um esquecimento desta nossa origem cósmica. Uma das maneiras que teríamos para nos aproximar um pouco dela seria o estudo da Nova Cosmologia, conforme diz  Brockelman há</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(&#8230;) uma realidade além de nós e que, entretanto,  nos inclui. A cosmologia permite um vislumbre dessa realidade mais ampla ao mostrar que a natureza é o resultado de um mistério originador ou do que Vaclav Havel chama o “milagre do Ser” que brilha através dela. (2001, p.82). </em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas hoje em dia é difícil encontrar uma pessoa que se <em>envolva</em> com a astronomia, eu digo envolva no sentido mais profundo da palavra, no sentido mesmo de submergir. Isto se dá,  por três motivos principais: 1) as pessoas buscam normalmente se envolver com coisas que não as façam  pensar muito (querem o lazer simples e despreocupado);  2) muitas vezes buscam algo que possa trazer retorno financeiro e não vêem na astronomia algo com esta possibilidade (principalmente no Brasil);  3) com tanta poluição luminosa em nossas cidades é praticamente impossível se observar o Céu. (isso só ocorre quando viajamos para cidades distantes das grandes metrópoles).</p>
<p style="text-align: justify;">E é neste terceiro ponto que gostaríamos de nos ater. Heidegger menciona o “esquecimento do Ser” através do tempo no mundo ocidental,  como já comentamos anteriormente.  Mas gostaria de evidenciar: nós esquecemos o Ser, porque nos ocupamos demais com tantas e tantas atividades provindas da técnica; nós esquecemos o <em>cosmos, </em>o<em> </em>universo, o Céu porque desenvolvemos uma <em>técnica </em>que da mesma forma e paradoxalmente que nos aprofundou nos confins do universo, “desenvolve” no planeta e na atmosfera da Terra, tanta e tanta poluição de todos os níveis que não nos permitem  “<em>ver</em>” a noite,  aqui destacamos a poluição  luminosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós “somos morcegos” que erroneamente iluminamos o nosso Céu e assim na verdade o “apagamos”, o ofuscamos.  Nós precisávamos do Céu para nossa “busca noturna” mas com tanta luz perdemos esta possibilidade e com isso veio a “fome” e o esquecimento do cosmos, nossa origem.</p>
<p style="text-align: justify;">Como supomos hoje através dos “conhecimentos” de astronomia, foi através de mortes e ressurgimentos de algumas estrelas: “poeiras” que formam estrelas que ao morrer tornam-se novamente poeiras “encontrando-se” com outras  que com elementos químicos cada vez mais complexos formam novas estrelas.  Portanto o nosso Sol e todo o sistema solar assim fora formado. Em outras palavras nós somos “poeira das estrelas”, e assim não há dúvidas que nossa origem é cósmica, nós viemos deste vasto, imenso, infinito ou finito universo, que tem aproximadamente 13,7 bilhões de anos desde o chamado Big Bang.  E da mesma forma que é espantoso, que é um verdadeiro <em>thauma</em> relatar mitos da criação através das diversas religiões,  é da mesma maneira um verdadeiro espanto os relatos da nova cosmologia, conforme diz Dennis Overbye<a href="#_ftn1">[1]</a> citado por Brockelman:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O que poderia aproximar mais do caráter de mito do que a noção de que o universo de fato apareceu, talvez do nada; de que os átomos em nossos ossos e sangue foram formados em estrelas a anos-luz de distância e bilhões de anos atrás; ou de que as partículas ainda mais antigas de que são compostos esses átomos são fósseis de energias e forças que existiram durante o primeiro microssegundo da criação, as quais mal podemos compreender? Somos todos artefatos do universo, lembranças andantes do mistério último. Somos poeiras andantes, poeiras de estrelas andantes. (2001, p.93).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas o nosso questionamento é: se nós nos esquecemos do sentido do Ser, será que nos preocuparemos com esta nossa origem? Kant citado por Châtelet,diz</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Duas coisas enchem o coração de admiração e veneração, sempre novas e sempre crescentes, à medida que a reflexão se dirige e se consagra a elas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim (&#8230;) o primeiro espetáculo,  de uma inumerável multidão de  mundos, aniquila, por assim dizer a minha importância, por ser eu uma criatura animal que deve voltar à matéria de que é formado o planeta (um simples ponto no Universo) depois de (não se sabe como) ter sido dotada de força vital durante curto espaço de tempo. O segundo espetáculo ao contrário eleva infinitamente o meu valor, como o de uma inteligência por minha personalidade, na qual a lei moral me manifesta uma vida independente da animalidade e até mesmo de todo o mundo sensível. (1994, p.102).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Este deslumbramento já ocorre há tempos imemoriáveis. Poderíamos citar os diversos povos do oriente que se fascinavam  muito com o cosmos: os chineses, babilônios, assírios e egípcios; e também povos aqui das Américas como: os   Maias, os Incas e mesmo nossos índios e outros povos chamados “primitivos”; que já se preocupavam e se ocupavam com a observação do Céu, mas vieram os nossos dias e novas ocupações surgiram, a técnica faz com que possamos nos aprofundar no mais distante do cosmos e ao mesmo tempo, faz o povo esquecer deste Céu&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente Galileu Galilei<a href="#_ftn2">[2]</a>, entre outros astrônomos da chamada modernidade, tinha uma visão de “fenômeno” bem diferente das que têm os estudiosos da Nova Astronomia na contemporaneidade, como é o caso dos estudos da física quântica e seus desdobramentos teóricos, ainda tão embrionários, mas inimagináveis naquela época. Entretanto  poderíamos considerar Galileu como aquele que por primeiro toma a iniciativa de observar os fenômenos do cosmos com “outros olhos” em dois sentidos: 1) não eram mais nus, pois se utilizava de um instrumento, uma luneta, para observar o Céu; 2) se utilizava da matemática nos seus estudos experimentais da natureza (elaborando algumas leis entre elas a lei da queda livre dos corpos).</p>
<p style="text-align: justify;">Com o advento da física quântica a ideia de fenômeno, no que se refere à cosmologia muda substancialmente, o sentido de “existência” também; da mesma maneira as “certezas” de outrora agora com o “principio da incerteza” de Heisenberg<a href="#_ftn3">[3]</a> modificam nosso pensamento quanto à questão da existência, como diz Andreeta:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sabemos que tudo o que existe no nosso universo (e também nós mesmos) é constituído de minúsculas partículas de matéria e de energia, e que forças naturais atuam sobre essas partículas, aglomerando-as para formar tudo o que existe. Porém, hoje não existe mais distinção entre matéria e energia. Segundo Einstein, matéria e energia são dois estados diferentes de uma mesma “substancia quântica universal”. Os conhecimentos científicos atuais parecem, portanto, convergir com os da filosofia antiga, que afirmam que tudo o que existe deve provir de uma única fonte. (2004, p.9).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade muitos fenômenos parecem inexplicáveis para o homem, contudo e de qualquer forma, este ser que é capaz de perguntar sobre o Ser,  ainda que nunca tenha as respostas, deve continuar na busca, aliás isto é uma das características deste homem, um constante desbravador, um constante questionador, um ser em  <em>thauma</em> por natureza, como também o é a própria natureza,  o cosmos,  o universo.<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora o senso comum não tem mais o mesmo valor, a “necessidade” de especializações nas diversas áreas, faz com que um indivíduo ou pequenos grupos, tome para si “conhecimentos” que antes não eram tão segmentados e podiam ser compartilhados com um grupo muito maior de pessoas. Hoje o conhecimento mais do que nunca é estreitado e especializado (um generalista sabe um pouco de tudo, um especialista sabe um muito de pouco) e assim ocorre com a humanidade, mas essa “massa” toma “conhecimento” e utiliza-se das novas descobertas sem mesmo imaginar como elas chegaram àquele ponto, e toda essa tecnologia contribui para impulsionar o esquecimento do “ser”; assim o espanto passa a estar nos diversos fetiches, “brinquedos”, mimos que são criados para nos encantar.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem da contemporaneidade atribuído de tantas tarefas e rotinas, não percebe de imediato as novas revoluções no pensamento que ocorrem com Einstein e a física quântica, ou melhor, percebem mas não sabem de onde vem. Nem mesmo nós que estudamos as relações da Astronomia e da Filosofia podemos imaginar o que de fato ocorrerá com o pensamento nos próximos séculos depois de re-começarmos a entender que “tudo faz parte de um Todo” e,  continuando com as palavras de Andreeta:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Vistos no plano atômico, todos os corpos que constituem o universo do ser humano possuem um comportamento dinâmico de troca de partículas. Os átomos que estão agregados aos corpos não são permanentes. Eles fluem constantemente através dos corpos sólidos: a pedra e o corpo físico humano compartilham os mesmos átomos. (&#8230;) Como os átomos fluem constantemente de um corpo para  outro, a separação entre os corpos é, portanto, ilusória. Mesmo que o ser humano queira, não pode se isolar dela e de nada. (2004, p.20).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não podemos nos afastar do <em>thauma</em> originário, do espanto que faz com que estejamos aqui, o Poder de Ser. Precisamos voltar às origens, precisamos voltar a ser crianças,  precisamos  re-des-cobrir a epifania manifesta no mundo, na vida!  Nas palavras de Brockelman:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O que se reclama, então é uma nova maneira de ver as coisas que possa nos ajudar a viver de forma mais apropriada na natureza; na inesquecível expressão de Emily Dickinson,  trata-se de ver as coisas com “um olho desguarnecido”. Precisamos nos deslumbrar com o extraordinário milagre da vida, com a espantosa epifania que ela manifesta. Precisamos ser tocados e transformados em nosso âmago</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Talvez nossa cultura industrial moderna esteja passando por essa transformação em seu modo de ver as coisas, e talvez uma mudança de paradigma esteja permitindo ver a natureza e a vida com novos olhos. (2001, p.25).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Essa mudança de paradigma, sem precedentes  é sem duvida a física quântica e toda a nova revolução que ela vem causar ao pensamento. Então teremos mais uma vez a Astronomia ou Física colaborando na maneira de pensar; e dessa vez esperamos que proporcione com este novo <em>Thauma</em> um retorno ao sentido do Ser e a um relembrar do Céu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h3 style="text-align: justify;">No próximo tópico &gt; Referências Bibliográficas e Bibliografia</h3>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Benito Pepe</span></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas:</strong></p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref1">[1]</a> OVERBYE, Dennis. Lonely Hearts of  the Cosmos. Nova York: Harper Collins, 1991, p.3.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref2">[2]</a> Galileu Galilei (1564-1642) é conhecido como um dos pais da física moderna.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref3">[3]</a> O princípio da incerteza de Heisenberg consiste num enunciado da mecânica quântica, formulado inicialmente em 1927,  impondo restrições à precisão com que se podem efetuar medidas <em>simultâneas</em> de uma classe de pares de observáveis. Por exemplo: não  se pode saber ao mesmo tempo a posição e a velocidade de um elétron.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>


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		</item>
		<item>
		<title>“A reviravolta” do Pensamento Filosófico</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/%e2%80%9ca-reviravolta%e2%80%9d-do-pensamento-filosofico/</link>
		<comments>http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/%e2%80%9ca-reviravolta%e2%80%9d-do-pensamento-filosofico/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 18:58:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamento]]></category>

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		<description><![CDATA[A filosofia não está ligada a “emoção” ou ao “irracional”, mas à Razão. Porém essa razão na filosofia vem com o tempo, no seu início ela não estava pautada na razão, a filosofia não era nem racional nem irracional, era a philosophia. Os pré-socráticos mantinham “mito” e “razão”, e desenvolveram um pensamento ou “imaginação” que deve ser analisado atenciosamente. Na sua origem a filosofia era uma soma de pathos (emoção) + ratio (razão).


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Continuando o texto &gt; <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Heidegger e os Gregos: o Ser e o Céu</span></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">
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	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/43__160x120_retorno.jpg" alt="retorno" title="retorno" />
</a>
No entanto, como dizia Albert Einstein: “a imaginação é mais importante do que o conhecimento”.  E acreditamos que foi e é através dela que a humanidade chegou e segue até os nossos dias. Os conhecimentos de todas as categorias não poderiam existir se não fosse por nossa imaginação;  por isso  gostaria de questionar: porque temos que pensar sempre com a razão? Esta mesma humanidade existe há aproximadamente 2 milhões de anos e esta chamada razão só é mensurada há aproximadamente 2 mil e 500 anos (?)<span id="more-959"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A filosofia não está ligada a “emoção” ou ao “irracional”, mas à Razão. Porém essa razão na filosofia vem com o tempo, no seu início ela não estava pautada na razão, a filosofia não era nem racional nem irracional, era a <em>philosophia</em>. Os pré-socráticos mantinham “mito” e “razão”, e desenvolveram um pensamento ou “imaginação” que deve ser analisado atenciosamente. Na sua origem a filosofia era uma soma de <em>pathos</em> (emoção) + <em>ratio</em> (razão).</p>
<p style="text-align: justify;">A “apropriação” que se passa a ter do pensamento e do Ser é diferente do mútuo pertencer na origem do pensamento. A busca do ser se findou com o querer ser, e o pior é que se deixa de ser.<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O <em>Thauma </em>quanto aos fenômenos da <em>Natureza</em> e quanto ao Ser, permanecerão esquecidos? Algumas situações ocorrem na modernidade e fazem com que o homem se afaste da ideia de imanência e da tentativa de compreender o mundo natural em sua <em>inteireza</em>, como nos lembra Brockelman (2001, p.59-60) e que transcrevo de forma reduzida:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>1. Uma delas é a mundivisão cartesiana que retratava a realidade como dividida em dois aspectos, “espírito” e “matéria”, assim a natureza foi dessacralizada, e uma teologia ou cosmologia natural foi considerada impossível; 2. outra é que até meados dos séculos XIX as ciências naturais tinham-se fragmentado em inúmeras disciplinas separadas, cada uma com focos e formas de discursos diferentes. Assim excluíam o Todo e a interdependência dessas partes; 3. Por último temos que o próprio modelo de fazer ciência parecia impedir uma imagem abrangente do Todo na medida em que o objetivo era estudar e reduzir esses todos (incluindo a “natureza”) às suas partes. Assim os todos – e o Todo – foram simplesmente menosprezados porque a ciência estava demasiado fascinada com as partes para notá-los (e notá-lo).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Questionamos: voltaremos agora na contemporaneidade a tentar compreender esse Ser e esse cosmos em sua inteireza, em sua inter-relação, em sua totalidade?</p>
<p style="text-align: justify;">De alguma maneira penso que Heidegger contribui com essa empreitada,  a partir do momento que ele faz, e propõe, uma releitura dos pré-socráticos de maneira diferente das que foram feitas por Platão e Aristóteles,  por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;">Heidegger nos diz que o mundo ocidental desde Platão degrada com o Ser, e isto vai se passando de geração em geração com todos os filósofos que vieram depois. Os primeiros filósofos como: Anaximandro, Parmênides e Heráclito conceberam a verdade como um <em>desvelar-se</em> do Ser como provaria o sentido etimológico de <em>alétheia </em>(desvelamento do Ser). Heidegger comenta a questão do “Mundo das Ideias de Platão” e o exemplo da “Alegoria da caverna”  para justificar seu posicionamento.</p>
<p style="text-align: justify;">No que tange à <em>contemporaneidade</em> damos ênfase  à questão do esquecimento do Ser mencionada por Heidegger em uma analogia com o esquecimento do Céu, nossa origem cósmica; somos poeira das estrelas&#8230; Desta maneira o espanto, o <em>Thauma</em> que origina a Filosofia e a Astronomia não pode ser esquecido, não podemos perder o sentido da existência, o espanto não pode acabar. Nesse momento reaparece com a física quântica e a Nova Cosmologia a inteireza do cosmos com o homem e o Todo da existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Abrimos um parêntesis e lembramos, sucintamente, a questão da técnica tratada por Heidegger e os desdobramentos que esta “permite” e ao mesmo tempo “des-possibilita” o lembrar-se do Céu. Estamos na era da técnica&#8230; Estamos no cúmulo da metafísica ou de uma “outra metafísica” (?)</p>
<p style="text-align: justify;">Em “A questão da Técnica” (1953) ele critica a sociedade industrial  (uma das causadoras  da modernidade) onde se predomina a ciência. E questiona estes valores e princípios modernos. Como transcreve Marcondes, Heidegger diz que:</p>
<p style="text-align: justify;">“A ciência não pensa.” A ciência e sua aplicação técnica seriam incapazes de pensar o ser, de pensá-lo fora da problemática do conhecimento e da consideração instrumental e operacional da realidade típicos do mundo técnico. Na verdade, o desenvolvimento de nosso modelo técnico e industrial é conseqüência precisamente do “esquecimento do ser” na trajetória da cultura ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">A recuperação do sentido originário de ser e da verdade como manifestação da essência se dá através de uma retomada, de uma releitura, de alguns filósofos pré-socráticos, em especial Heráclito e Parmênides (&#8230;) (2005, p.267-8).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em suma podemos dizer que Heidegger se preocupa com a questão do Ser, ou melhor em retomá-la de uma maneira que ele julgava própria e não mais como fora tomada impropriamente. Segundo Heidegger,  o  que o mundo ocidental fez foi esquecer o Ser&#8230;  Ele chama de “onto-teo-logia” a introdução de “deus” na ontologia e diz que o mundo ocidental passou a se ocupar e pré-ocupar com os entes, Heidegger pretendia diferenciar o ser do ente.</p>
<p style="text-align: justify;">Continuaremos no próximo tópico analisando outro esquecimento: nossa origem cósmica, ou seja, passamos do esquecimento do ser para o esquecimento do Céu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Próximo tópico &gt; <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/o-esquecimento-de-nossa-origem-cosmica/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>O esquecimento de nossa origem Cósmica</strong></span></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Benito Pepe</span></a></p>
<p><strong> </strong></p>


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		</item>
		<item>
		<title>Heidegger e os Gregos: o Ser e o Céu</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/</link>
		<comments>http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 00:19:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Céu]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>

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		<description><![CDATA[o Nascimento da Filosofia Racional, depois   a “Reviravolta” do Pensamento Filosófico falamos também da  Astronomia e do Esquecimento do Céu e apresentamos a bibliografia


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
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	<img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/42__160x120_heidegger2.jpg" alt="heidegger2" title="heidegger2" />
</a>
Este texto será dividido em partes, temos nesta primeira parte além de uma <strong>introdução</strong> geral, um tópico falando sobre <strong><span style="color: #000000;">o Nascimento da Filosofia Racional,</span> </strong>depois<strong> </strong>há um tópico<strong> </strong>falando sobre <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/%E2%80%9Ca-reviravolta%E2%80%9D-do-pensamento-filosofico/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>a “Reviravolta” do Pensamento Filosófico</strong></span></a> logo após falamos do<strong> <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/o-esquecimento-de-nossa-origem-cosmica/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Esquecimento de Nossa Origem Cósmica</span></a>. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por fim postamos<strong> </strong>as<strong> <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/16/referencias-bibliograficas-do-texto-heidegger-e-os-gregos/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Referências Bibliográficas</span></a>.<span id="more-952"></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Introdução</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pretendemos neste texto mencionar a relação de Heidegger com os gregos antigos, especialmente os pré-socráticos, que em sua visão, viam uma outra “manifestação” quando se falava na questão do Ser e/ou da “possibilidade” do desvelamento (<em>aletheia</em>) ou da “ocultação” natural. Heidegger propõe uma releitura dos pré-socráticos de maneira diferente das que foram feitas pela tradição: Platão e Aristóteles entre outros posteriormente.</p>
<p style="text-align: justify;">Na sequência final,  quando falamos do Céu, pretendemos ampliar os sentidos para além de uma epifania (<em>epiphaneia</em>), e ver o Céu como nossa origem cósmica, da mesma maneira, distorcida posteriormente.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à “Filosofia”, precisamos lembrar que ela não era totalmente racionalista como passa a ser em seguida e que continua na contemporaneidade. Esta Filosofia é conhecida como racionalista, mas na sua origem  não era assim. Vemos por fim, através da <strong>nova cosmologia</strong>, uma possibilidade de “reviravolta” que poderia reativar o nosso pensamento à filosofia originária.</p>
<p style="text-align: justify;">Como acreditamos que para esta “reviravolta” a Nova Cosmologia pode contribuir, dedicamos um tópico especial para falar da Astronomia e do esquecimento do Céu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Nascimento da Filosofia Racional</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há um “consenso” para se falar sobre o “nascimento” da Filosofia, ela surge  pelo questionamento dos homens que queriam e buscavam a <em>verdade, </em>mas não queriam “explicações incoerentes”, assim começa um processo de pensamento diferenciado e racional que pudesse contrapor-se, de certa maneira,  às tradições “míticas”. Como comenta Chaui</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A filosofia surgiu quando alguns gregos, admirados e espantados com a realidade, insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a fazer perguntas e buscar respostas para elas, demonstrando que o mundo e os seres humanos, os acontecimentos naturais e as coisas da natureza, os acontecimentos humanos e as ações dos seres humanos podem ser conhecidos pela razão humana, e que a própria razão é capaz de conhecer-se a si mesma. (2005, p.25).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas o questionamento que podemos e devemos fazer desde já é: será que a Filosofia tomou conta do pensamento&#8230;. ou  tirou um “mito” e contribuiu para a criação de outro?</p>
<p style="text-align: justify;">Praticamente todos os filósofos “antes” de Sócrates (séc. VI – V a.C.), por isso  chamados de   –  <em>pré</em>-<em>socráticos &#8211; </em> tiveram como características do pensamento <em>noções</em> que tentam explicar a realidade da natureza.   Aí  a filosofia e a ciência têm seu início.  Entre essas noções, mencionadas por Marcondes, cito a <em>Physis</em> e o <em>Cosmo</em>:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A <em>physis &#8211; </em></strong>Por os primeiros filósofos serem estudiosos ou teóricos da natureza (<em>physis</em>),  portanto o objeto de investigação desses “filósofos-cientistas” era o mundo natural. Eles buscavam explicação através desta mesma realidade e não fora dela, ou seja,  investigavam a própria natureza.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O <em>cosmo &#8211; </em></strong>O termo <em>kosmos, </em>para eles, liga-se as ideias de ordem, harmonia e mesmo beleza (já que a beleza resulta da harmonia das formas; daí  o  termo “cosmético”). O cosmo é assim o mundo natural, o espaço celeste enquanto realidade ordenada de acordo com princípios racionais. O cosmo entendido assim, como ordem, se opõe ao <em>caos</em>, que seria a falta de ordem, o estado da matéria antes de sua organização.  Esta ordem do cosmo é racional, “razão” significando aí leis que regem e organizam essa realidade. (2005, p.24-27)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quanto a <em>physis</em> precisamos lembrar que a palavra vem do verbo <em>phiein</em> que significa surgir, nascer, brotar, “dar à luz”. Isso é importante para entendermos o sentido mais amplo que esta palavra tinha para os gregos antigos e que fará sentido com o que queremos mencionar mais à frente.</p>
<p style="text-align: justify;">Também, podemos elucidar, como lembra Chaui que  foi “graças aos primeiros filósofos gregos e a ideia que a natureza é uma ordem que segue leis universais e necessárias  que”:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>No início do século XVII, Galileu Galilei deu novo impulso à física ao estudar o movimento dos graves ou “pesados” (ou a estabelecer as leis da queda dos corpos) e, para isso, a demonstrar as leis naturais do movimento uniforme e do movimento uniformemente variado.  (&#8230;)  Isaac Newton, no final daquele mesmo século,  a estabelecer as leis matemáticas da física, a demonstrar as três leis do movimento e a chamada “lei da gravitação universal”, que, como o nome indica, é  válida para todos os corpos naturais. (&#8230;)  E, no século XX, levou Albert Einstein a estabelecer uma lei válida para toda a matéria e energia do universo, lei que se exprime na fórmula E=mc2.  (2005, p.20).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Depois vem o período da modernidade e há uma retomada do racionalismo de uma maneira bem particular, quando são refutadas e quebradas muitas teses da Astronomia do passado, como foi o caso do geocentrismo, entre tantas outras refutações. Mas, com todas as “quebradeiras” a única coisa que não se quebrou foram as “esferas cristalinas” por que elas não existiam&#8230; Após tantas reformulações, o que é que sobra para este <em>ser</em>? Émile Noel questiona François Châtelet:  Qual é, então, a pergunta filosófica que Descartes faz?<strong> </strong>Châtelet  responde:</p>
<p style="text-align: justify;">.<em>..poderíamos dizer que até Descartes a filosofia fez esta pergunta:  Que é o ser?  Como ele é? Descartes pergunta: Que é o conhecimento? Isso equivale a validar o trabalho de Galileu, a mostrar em que condições gerais o trabalho de Galileu se torna inteligível. (1994, p.63).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">“Portanto em que consiste o heliocentrismo?” Prossegue Châtelet, “consiste em dizer ao sujeito empírico que está aqui neste mundo: Você  acha que o mundo é como você o vê. Mas vou lhe fazer uma proposta: vamos, em espírito, até o Sol, para observar o mundo a partir dali.” (1994, p.63)  Châtelet continua concluindo que às vezes as coisas podem ser mais simples do que nós imaginamos, mas nós precisamos ver de outro ângulo. Nós precisamos sair de “nosso casulo” e irmos à busca do <em>verdadeiro</em> conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo de <em>racionalismo</em> modifica-se dos tempos gregos para a modernidade no que tange o seu jeito de ser, agora ele está mais pautado na matemática no que diz respeito às ciências naturais e especialmente na Astronomia. Para Descartes até mesmo Deus é uma “evidência” da luz natural e não da luz sobrenatural. É a <em>razão</em> que demonstra a existência de Deus. Não é mais o Deus de Moisés, de Abraão e de Jacó.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No próximo tópico </strong>&gt;  <strong> </strong><a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/%E2%80%9Ca-reviravolta%E2%80%9D-do-pensamento-filosofico/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>“A reviravolta” do Pensamento Filosófico</strong></span></a></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"><strong><span style="color: #0000ff;">Benito Pepe</span></strong></a></p>


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		</item>
		<item>
		<title>A Fenomenologia (4.2)</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/01/26/a-fenomenologia-4-2/</link>
		<comments>http://www.benitopepe.com.br/2009/01/26/a-fenomenologia-4-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 19:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Fenomenologia]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>

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		<description><![CDATA[
Continuando o texto: A Filosofia&#8230;
Há diversas noções para o termo fenomenologia, ele surge no século XVIII e foi usado por diversos autores, mas de maneira bem diferente da contemporaneidade. Kant por exemplo o utiliza para denotar a descrição da consciência e da experiência, abstraindo de considerações sobre seu conteúdo intencional. Hegel por outro lado, conforme [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295699157971222290" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right; width: 200px; height: 189px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_JraJqR5Z7q8/SX4aU4w1vxI/AAAAAAAAAMg/Io4Z6VZBSOs/s200/Heidegger.bmp" border="0" alt="" /></p>
<div><a href="http://www.benitopepe.com.br/2008/12/27/a-filosofia-e-a-astronomia-instancias-em-que-o-thauma-aparece-capitulo-1/" target="_blank"><span style="color:#3366ff;">Continuando o texto: A Filosofia&#8230;</span></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;">Há diversas noções para o termo fenomenologia, ele surge no século XVIII e foi usado por diversos autores, mas de maneira bem diferente da contemporaneidade. Kant por exemplo o utiliza para denotar a descrição da consciência e da experiência, abstraindo de considerações sobre seu conteúdo intencional. Hegel por outro lado, conforme comenta Japiassú:<span id="more-127"></span><br />
</span><span class="fullpost"><br />
<span style="color:#333333;"><em>Emprega o termo em sua Fenomenologia do espírito (1807) para designar o que denomina de “ciência da experiência da consciência”, ou seja, o exame do processo dialético de constituição da consciência desde seu nível mais básico, o sensível, até as formas mais elaboradas da consciência de si, que levariam finalmente à apreensão do absoluto. (2006, p.105).<br />
</em><br />
Ou seja, em Hegel a fenomenologia é a investigação histórica da evolução da autoconsciência, que se desenvolve a partir da experiência sensorial elementar, até alcançar processos de pensamento completamente racionais e livres, capazes de engendrar conhecimento. Isto poderia também ser elucidado com suas palavras quando diz “o devir da ciência ou do saber”. </span></span></p>
</div>
<p><span class="fullpost"> </span></p>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;">Mas a única noção do termo fenomenologia que hoje vive é a anunciada por Husserl em Investigações Lógicas, já no século XX, e desenvolvida por ele em obras seguintes. Husserl visa estabelecer um método de fundamentação da ciência e de constituição da filosofia como ciência rigorosa. O projeto fenomenológico se define como uma “volta às coisas mesmas” isto é aos fenômenos, aquilo que aparece à consciência, que se dá como seu objeto intencional. “Toda consciência é consciência de alguma coisa” (Husserl). </span></div>
<div><span style="color:#333333;">Conforme comenta Blackburn</span></div>
<div><span style="color:#333333;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><em>(&#8230;) Husserl percebeu que a intencionalidade era a marca da consciência, e viu nela um conceito suscetível de ultrapassar o dualismo tradicional da mente-corpo. (&#8230;) Apesar da rejeição do dualismo por Husserl, sua crença na existência de algo que permanece depois da epochê, ou suspensão dos conteúdos da experiência, o associa à prioridade às experiências elementares da doutrina do fenomenismo, e a fenomenologia acabou por sofrer, em parte, com a superação dessa abordagem aos problemas da experiência e da realidade. Contudo, fenomenólogos mais recentes, como Merleau-Ponty, fazem plena justiça à natureza mundo-envolvente da experiência. (1997, p.146).<br />
</em><br />
Husserl faz uma distinção entre psicologia e fenomenologia deixando claro que a psicologia trabalha com sujeitos e fenômenos enquanto acontecimentos reais no mundo espacio-temporal e que, ao contrário a fenomenologia, conforme diz Abbagnano</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><em>(&#8230;) que ele chama de “pura” ou “transcendental” é uma ciência de essências (portanto “eidética”) e não de dados de fato, possibilitada apenas pela redução eidética, cuja tarefa é expurgar os fenômenos psicológicos de suas características reais ou empíricas e levá-los para o plano da generalidade essencial. A redução eidética, vale dizer, a transformação dos fenômenos em sentido estrito, porque transforma esses fenômenos em irrealidades. (&#8230;) valendo-se da redução fenomenológica e da epochê. (2007, p.511).</em></span></div>
<p style="text-align: justify;"><em> </em>Em resumo, Husserl chega aos seguintes resultados: 1) O reconhecimento do caráter intencional da consciência; 2) evidência da visão (intuição) do objeto devido à presença efetiva do objeto; 3) generalização da noção de objeto que compreende não só as coisas materiais, mas também as formas de categorias, as essências e os “objetos ideais” em geral; 4) caráter privilegiado da “percepção imanente”, ou seja, da consciência que o eu tem das suas próprias experiências, porquanto nessa percepção aparecer e ser coincidem perfeitamente, ao passo que não coincidem na intuição do objeto externo, que nunca se identifica com suas aparições à consciência, mas permanece além delas.</p>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;">A fenomenologia como dissemos é uma das principais correntes filosóficas do século XX com muita importância na Alemanha e na França; influencia fortemente o pensamento de Heidegger (como método para sua ontologia) desta maneira podemos entender fenomenologia como um conceito de método. Segundo Heidegger </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><em>A expressão “fenomenologia” significa, antes de tudo, um conceito de método (&#8230;) A palavra “fenomenologia” exprime uma máxima que se pode formular na expressão: “para as coisas elas mesmas!” (&#8230;) No entanto, como se mostrou nas considerações precedentes, o que, num sentido extraordinário, se mantém velado ou volta novamente a encobrir-se ou ainda só se mostra “distorcido” não é este ou aquele ente, mas o ser dos entes. O ser pode-se encobrir tão profundamente que chega a ser esquecido, e a questão do ser e de seu sentido se ausentam. (&#8230;) A fenomenologia é a via de acesso e o modo de comprovação para se determinar o que deve constituir tema da ontologia. Ontologia só é possível como fenomenologia. (2006, p. 66-75).<br />
</em><br />
A tarefa declarada de Ser e Tempo é a de determinar o sentido do ser, Heidegger diz que este ser foi esquecido; o mundo ocidental o esqueceu. Mas Heidegger conforme nos lembra Reale e Antiseri (2006, p.208) se vê em aporia pois “a análise do ser-aí, isto é daquele ente privilegiado que se propõe a pergunta sobre o sentido do ser, não revela o sentido do ser e sim o nada da existência”. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;">Heidegger nos diz que o mundo ocidental desde Platão degrada com o Ser, e isto vai se passando de geração em geração com todos os filósofos que vieram depois. Os primeiros filósofos como: Anaximandro, Parmênides e Heráclito conceberam a verdade como um desvelar-se do Ser como provaria o sentido etimológico de alétheia (desvelamento do Ser). Heidegger comenta a questão do “Mundo das Idéias de Platão” e o exemplo da “Alegoria da caverna” para justificar seu posicionamento. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;">Em “A questão da Técnica” (1953) ele critica a sociedade industrial (uma das causadoras da modernidade) onde se predomina a ciência. E questiona estes valores e princípios modernos. Como transcreve Marcondes: </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><em>“A ciência não pensa.” A ciência e sua aplicação técnica seriam incapazes de pensar o ser, de pensá-lo fora da problemática do conhecimento e da consideração instrumental e operacional da realidade típicos do mundo técnico. Na verdade, o desenvolvimento de nosso modelo técnico e industrial é conseqüência precisamente do “esquecimento do ser” na trajetória da cultura ocidental. (2005, p.267).<br />
</em><br />
Em suma podemos dizer que Heidegger se preocupa com a questão do Ser ou melhor em retomá-la de uma maneira que ele julgava própria e não mais como fora tomada impropriamente. Segundo Heidegger, o que o mundo ocidental fez foi esquecer o Ser&#8230; e a fenomenologia seria essa re-busca do Ser. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;"><br />
</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color:#333333;">Continuaremos agora no próximo tópico analisando outro esquecimento: nossa origem cósmica, ou seja, passamos do esquecimento do ser para o esquecimento do Céu.</p>
<p>Abraços do Benito Pepe</p>
<p></span> <a href="http://www.benitopepe.com/"><span style="color:#3366ff;"> </span></a><span style="color:#3366ff;"> </span> <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/01/28/a-astronomia-e-o-esquecimento-do-ceu-4-3/" target="_blank"><span style="color:#3366ff;">Próximo tópico: A Astronomia e o esquecimento do Céu.</span></a><a href="http://www.benitopepe.com/2009/01/astronomia-e-o-esquecimento-do-ceu-43.html"></a></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>Outro texto com Heidegger:</strong></div>
<div style="text-align: justify;"><a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Heidegger e o Gregos: o Ser e o Céu</span></a><strong><br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">
<p><strong>Bibliografia</strong></div>
<div style="text-align: justify;">ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 5.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.</div>
<div style="text-align: justify;">BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1997.</div>
<div style="text-align: justify;">HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo; tradução de Márcia Sá Cavalcante Schuback; Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2006.</div>
<div style="text-align: justify;">_________________. Ensaios e conferencia; tradução de Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel, Márcia Sá Cavalcante Schuback. 3.ed. Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2006.</div>
<div style="text-align: justify;">JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.</div>
<div style="text-align: justify;">
<p>MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 9.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</p></div>
<div style="text-align: justify;">______________. Textos básicos de filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</div>


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