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	<title>Benito Pepe -  Palestras, Treinamento de Equipes e Cursos &#187; Filosofia</title>
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	<description>Filosofia, Sociologia, Astronomia, Religião, Administração, Marketing, Gestão de Empresas, Treinamento de Equipes, Palestras e Assuntos da Atualidade</description>
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		<title>Sócrates: “Só sei que nada sei”</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 22:54:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Cicuta]]></category>
		<category><![CDATA[Maieutica]]></category>
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		<description><![CDATA[Sócrates foi um dos maiores filósofos de todos os tempos, nasceu por volta do ano 470 a.C. e morreu em 399 a.C. quando teve que tomar a cicuta (uma espécie de veneno) para se matar, pois foi condenado pela democracia ateniense sob a acusação de perverter os jovens e introduzir novos deuses. Teve como discípulos, entre outros, Xenofonte e Platão. Sócrates ficou conhecido e foi muito divulgado por seus discípulos principalmente por Platão que escreveu vários livros em diálogos, muitos deles, e especialmente na sua fase inicial, têm Sócrates como um dos principais interlocutores e também por isso são chamados de diálogos socráticos.


No related posts.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
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Sócrates foi um dos maiores filósofos de todos os tempos, nasceu por volta do ano 470 a.C. e morreu em 399 a.C. quando teve que tomar a <strong>cicuta </strong>(uma espécie de veneno) para se matar, pois foi condenado pela <strong>democracia</strong> ateniense sob a acusação de <strong>perverter os jovens</strong> e <strong>introduzir novos deuses</strong>. Teve como discípulos, entre outros, Xenofonte e Platão. Sócrates ficou conhecido e foi muito divulgado por seus discípulos principalmente por Platão que escreveu vários livros em diálogos, muitos deles, e especialmente na sua fase inicial, têm Sócrates como um dos principais interlocutores e também por isso são chamados de diálogos socráticos.<span id="more-1183"></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Sócrates pregava um sistema moral absolutamente alheio às doutrinas religiosas de então e admitia a <strong>aristocracia</strong>, governo dos melhores, como a forma desejável de administração do estado, isso, entre outras coisas, fez com que se indispusesse com as autoridades conservadoras, o que lhe custou a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O cidadão grego, quando condenado, “tinha uma chance” de fugir, mas Sócrates preferiu permanecer em Atenas e tomar o veneno. Rejeitou vários planos de fuga elaborados por Critão e outros amigos. Suas últimas palavras foram para encomendar o sacrifício de um galo a Esculápio, o deus a quem se atribuía a cura da fadiga e dos males da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ele era o oposto do ideal clássico de beleza: tinha o nariz achatado, os olhos esbugalhados e a barriga saliente. Sempre cercado de jovens discípulos, gozava de muita popularidade em Atenas, embora seus ensinamentos também lhe valessem grande número de inimigos. Passava a maior parte do tempo ensinando em lugares públicos, como praças, mercados e ginásios, mas ao contrário dos filósofos profissionais, os <strong>sofistas</strong>, que combatia com vigor, não cobrava por suas lições. Evitava intervir diretamente em assuntos políticos. Pelo menos uma vez, no entanto, entre 406 e 405 a.C. integrou o conselho legislativo de Atenas. Em 404  a.C. arriscou a vida por recusar-se a colaborar em manobras políticas arquitetadas pela dinastia dos Trinta Tiranos, que governava a cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Os diálogos socráticos têm como uma de suas características a <strong>aporia</strong>, ou seja, eles terminam sem conclusão, ficam sem saída. Sócrates como interlocutor é muito “chato” e leva seus interlocutores a concluírem que pensavam saber, mas depois de serem arguidos e “elevados” ao questionamento compreendem que pensavam saber, assim se conscientizam que não sabem.  Sócrates diz a eles: não fique triste por perceber que você não sabe, pelo menos agora você tem consciência da tua ignorância. Agora você sabe que não sabe.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O que Sócrates dizia fazer era a <strong>Maiêutica</strong>, algo como um processo de parto. Ele dizia que da mesma maneira que sua mãe (que era parteira) dava à luz as crianças, ele era parteiro de homens, fazia nascer o “conhecimento” que já estava dentro das pessoas, ou melhor, despertava um canal, um caminho através da <strong>dialética socrática </strong>a fim de, pela <strong>refutação</strong> buscar o “conhecimento” ainda que fosse o da consciência da ignorância.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O exemplo clássico da aplicação da maiêutica é o diálogo platônico intitulado <em>Mênon</em>, no qual Sócrates leva um escravo ignorante a descobrir e formular vários teoremas de geometria. A indução, finalmente, consiste na apreensão da essência (do universal que se acha contido no particular), na determinação conceitual e na definição. Não se trata, para Sócrates, de definir a beleza do cavalo, dos objetos inanimados, do escudo, da espada ou da lança, por exemplo, mas <strong>a beleza em si mesma</strong>, em sua essência ou determinação universal. Segundo Aristóteles, a <strong>indução</strong> e a <strong>definição</strong> podem ser atribuídas a Sócrates, cujo pensamento, a rigor, não se confunde com o de Platão. A teoria socrática das essências, no entanto, preparou a teoria platônica das ideias.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma outra grande marca de Sócrates é ter “transportado” o “estudo da natureza” para o estudo do homem ou da “natureza do homem”. Assim ele é <strong>um divisor de águas</strong> entre os filósofos chamados pré-socráticos que têm basicamente como características o estudo da <em>physis</em> (rudemente traduzimos como natureza), e outros filósofos que vão valorizar o homem. Então Sócrates baixa os olhos, do “céu” para o “chão.”  Segundo palavras de Cícero, &#8220;Sócrates fez a filosofia descer dos céus à terra&#8221;. Antes, os filósofos buscavam obsessivamente uma explicação para o mundo natural. Para Sócrates, no entanto, a especulação filosófica devia se voltar para outro assunto, mais urgente: o homem e tudo o que fosse humano, como a ética e a política.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Desinteressado da física e preocupado apenas com as coisas morais, a antropologia socrática é a essência capaz de regular a conduta humana e orientá-la no sentido do bem. A virtude supõe o conhecimento racional do bem, razão pela qual se pode ensinar. O que há de comum entre todas as virtudes é a sabedoria, que, segundo Sócrates, é o poder da alma sobre o corpo, a temperança ou o domínio de si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há pessoas que dizem: “eu sei isso, sei aquilo, sei tudo. Já vivi muito e não tenho mais o que aprender.”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Bem, quem acha que sabe tudo não está aberto pra aprender, portanto não aprende. E se não aprende não sabe, assim quem pensa que sabe tudo na verdade nada sabe. Ao contrário quem tem consciência que não sabe e está pronto pra aprender sabe muito e quanto mais sabe percebe que mais tem a aprender&#8230; Este é o verdadeiro sábio, aquele que tendo consciência da sua ignorância abre o coração para ouvir, ler, viver, enfim aprender.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Como dizia Sócrates: “Só sei que nada sei.” Este é o verdadeiro sábio.</p>
<p style="text-align: justify;">Com essas palavras<strong> “só sei que nadas sei” </strong>Sócrates<strong> </strong>reagiu ao pronunciamento do oráculo de Delfos, que o apontara como o mais sábio de todos os homens.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Abraços do <strong>Benito Pepe</strong></p>


<p>No related posts.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Considerações Finais do texto: Hegel os Gregos e os Modernos&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 14:44:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Considerações Finais]]></category>
		<category><![CDATA[Hegel]]></category>

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		<description><![CDATA[Por fim não podemos deixar de evidenciar que a filosofia de Hegel lançou as bases para a  maior parte das tendências filosóficas e ideológicas que vieram depois, tais como o marxismo, o existencialismo  e a fenomenologia. Por exemplo, o desenvolvimento da dialética mediante a substituição da ideia pela matéria foi uma tese central no pensamento de Karl Marx. Não é exagero afirmar, portanto, que a obra de Hegel implantou um quadro de referências indispensáveis para a compreensão das abordagens filosóficas posteriores.


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>
<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/consideracoes-finais.jpg" title="" class="shutterset_singlepic60" >
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</a>
Concluindo o Texto: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2010/03/28/hegel-os-gregos-e-os-%E2%80%9Cmodernos%E2%80%9D-uma-fissura-para-a-contemporaneidade/" target="_blank"><em>Hegel os Gregos e os “Modernos”: uma fissura para a contemporaneidade</em></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por fim não podemos deixar de evidenciar que a filosofia de Hegel lançou as bases para a  maior parte das tendências filosóficas e ideológicas que vieram depois, tais como o <strong>marxismo</strong>, o <strong>existencialismo</strong> e a <strong>fenomenologia</strong>. Por exemplo, o desenvolvimento da dialética mediante a substituição da <strong>ideia</strong> pela <strong>matéria</strong> foi uma tese central no pensamento de <strong>Karl Marx</strong>. Não é exagero afirmar, portanto, que a obra de Hegel implantou um quadro de referências indispensáveis para a compreensão das abordagens filosóficas posteriores.<span id="more-1166"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Vejamos um exemplo muito célebre da dialética hegeliana que será um dos pontos de partida da reflexão de Karl Marx. Trata-se de um episódio dialético tirado da <strong>Fenomenologia do Espírito</strong>, o do <strong>senhor</strong> e o <strong>escravo</strong>. Dois homens lutam entre si. Um deles é pleno de coragem. Aceita arriscar sua vida no combate, mostrando assim que é um homem livre, superior à sua vida. O outro, que não ousa arriscar a vida, é vencido. O vencedor não mata o prisioneiro, ao contrário, conserva-o cuidadosamente como testemunha e espelho de sua vitória. Tal é o escravo, o &#8220;servus&#8221;, aquele que, ao pé da letra, foi conservado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a)</strong> O senhor obriga o escravo, ao passo que ele próprio goza os prazeres da vida. O senhor não cultiva seu jardim, não faz cozer seus alimentos, não acende seu fogo: ele tem o escravo para isso. O senhor não conhece mais os rigores do mundo material, uma vez que interpôs um escravo entre ele e o mundo. O senhor, porque lê o reconhecimento de sua superioridade no olhar submisso de seu escravo, é livre, ao passo que este último se vê despojado dos frutos de seu trabalho, numa situação de submissão absoluta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>b) </strong>Entretanto, essa situação vai se transformar dialeticamente porque a posição do senhor abriga uma contradição interna: o senhor só o é em função da existência do escravo, que condiciona a sua. O senhor só o é porque é reconhecido como tal pela consciência do escravo e também porque vive do trabalho desse escravo. Nesse sentido, ele é uma espécie de escravo de seu escravo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>c)</strong> De fato, o escravo, que era mais ainda o escravo da vida do que o escravo de seu senhor (foi por medo de morrer que se submeteu), vai encontrar uma nova forma de liberdade. Colocado numa situação infeliz em que só conhece provações, aprende a se afastar de todos os eventos exteriores, a libertar-se de tudo o que o oprime, desenvolvendo uma consciência pessoal. Mas, sobretudo, o escravo incessantemente ocupado com o trabalho, aprende a vencer a natureza ao utilizar as <strong>leis da matéria</strong> e recupera uma certa forma de liberdade (o domínio da natureza) por intermédio de seu trabalho. Por uma conversão dialética exemplar, o trabalho servil devolve-lhe a liberdade. Desse modo, o escravo, transformado pelas provações e pelo próprio trabalho, ensina a seu senhor a verdadeira liberdade que é o domínio de si mesmo. Assim, a liberdade estóica se apresenta a Hegel como a reconciliação entre o domínio e a servidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim a propósito de se declarar que a volta, a retomada, da filosofia da natureza na modernidade, ainda que não propositalmente, colabora com o capitalismo. Podemos pegar este gancho e distinguir a natureza em si, de uma natureza do homem que obviamente são coisas diferentes. A natureza no homem seria uma segunda natureza, onde incluímos a cultura, valores, condições políticas, sócio econômicas entre outros fatores que são formadores dessa natureza humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse homem é um processo da história, é moldado, é parte de uma estrutura que o faz, o determina, o cria. Enfim o homem é uma “natureza” feita pela “natureza”. O homem é o que é, não porque quer ser o que é, mas porque a história o faz assim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do Benito Pepe</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bibliografia e Referências bibliográficas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">KOYRÉ, Alexandre. <em>Estudos de história do pensamento filosófico</em>, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1991.</p>
<p style="text-align: justify;">REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <em>História da filosofia: </em><em>do romantismo ao empiriocriticismo</em>, v.5.; tradução de Ivo Storniolo; 1.ed. São Paulo: Paulus, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">ROVIGHI,  Sofia Vanni. <em>História da filosofia moderna</em>: da revolução científica a Hegel. São Paulo: Edições Loyola, 1999.</p>


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		<title>O idealismo Lógico</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 14:24:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Hegel]]></category>
		<category><![CDATA[Idealismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Com o idealismo absoluto de Hegel, o idealismo fenomênico kantiano alcança logicamente o seu vértice metafísico. Hegel fica fiel ao historicismo romântico, concebendo a realidade como vir-a-ser, desenvolvimento. Este vir-a-ser, porém, é racionalizado por Hegel, elevado a processo dialético como mencionamos acima; e este processo dialético não é um movimento a quo adi quod, e sim um processo circular, emanentista.


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>
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Continuando o Texto: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2010/03/28/hegel-os-gregos-e-os-%E2%80%9Cmodernos%E2%80%9D-uma-fissura-para-a-contemporaneidade/" target="_blank"><em>Hegel os Gregos e os “Modernos”: uma fissura para a contemporaneidade</em></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com o idealismo absoluto de Hegel, o idealismo fenomênico kantiano alcança logicamente o seu vértice metafísico. Hegel fica fiel ao historicismo romântico, concebendo a realidade como vir-a-ser, desenvolvimento. Este vir-a-ser, porém, é racionalizado por Hegel, elevado a processo dialético como mencionamos acima; e este processo dialético não é um movimento <em>a quo adi quod</em>, e sim <strong>um processo circular, emanentista</strong>.<span id="more-1160"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Como a filosofia de Spinoza, a de Hegel é uma filosofia da inteligibilidade total, da imanência absoluta. A razão aqui não é apenas, como em Kant, o entendimento humano, o conjunto dos princípios e das regras segundo as quais pensamos o mundo. Ela é igualmente a realidade profunda das coisas, a essência do próprio Ser. Ela é não só um modo de pensar as coisas, mas o próprio modo de ser das coisas: <em>&#8220;O racional é real e o real é racional&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que podemos considerar Hegel como o filósofo idealista por excelência, uma vez que, para ele, o fundo do Ser (longe de ser uma coisa em si inacessível) é, em definitivo, <strong>Ideia</strong>, <strong>Espírito</strong>. Sua filosofia representa, ao mesmo tempo, com relação à crítica kantiana do conhecimento, <strong>um retorno à ontologia</strong>. É o ser em sua totalidade que é significativo e cada acontecimento particular no mundo só tem sentido finalmente em função do Absoluto do qual não é mais do que um aspecto ou um momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Hegel porém se distingue de Spinoza e surge para nós como um filósofo essencialmente moderno, pois, para ele, o mundo que manifesta a <em>Ideia</em> não é uma natureza semelhante a si mesma em todos os tempos, que dizia que a leitura dos jornais era &#8220;sua prece matinal cotidiana&#8221;, como todos os seus contemporâneos, muito meditou sobre a <strong>Revolução Francesa</strong>, e esta lhe mostra que as estruturas sociais, assim como os pensamentos dos homens, podem ser modificadas, subvertidas no decurso da história. O que há de original em seu idealismo é que, para Hegel, <strong>a ideia se manifesta como processo histórico:</strong> <em>&#8220;A história universal nada mais é do que a manifestação da razão&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso compreender também que a história é um progresso. O vir-a-ser de muitas peripécias não é senão a história do Espírito universal que se desenvolve e se realiza por etapas sucessivas para atingir, no final, a plena posse, a plena consciência de si mesmo. <em>&#8220;O absoluto, diz Hegel, só no final será o que ele é na realidade&#8221;</em>. O panteísmo de Spinoza identificava Deus com a natureza: <em>Deus sive natura</em>. O panteísmo hegeliano identifica Deus com a História. Deus não é o que é,  ao menos só é parcial e muito provisoriamente o que atualmente é,  Deus é o que se realizará na História.</p>
<p style="text-align: justify;">Se pensarmos na história da Vida no Planeta Terra, podemos considerar que provavelmente no inicio havia só minerais, depois vieram os vegetais, e em seguida os animais. Assim podemos questionar: isso não  nos dá a impressão que seres cada vez mais complexos,  organizados e autônomos “surgem” no planeta?</p>
<p style="text-align: justify;">O Espírito, de início adormecido, dissimulado e como que estranho a si mesmo, &#8220;alienado&#8221; no universo, surge cada vez mais manifestamente como ordem, como <strong>liberdade</strong>, logo como consciência. Esse progresso do Espírito continua e se concluirá através da história dos homens. Cada povo cada civilização, de certo modo, tem por missão realizar uma etapa desse progresso do Espírito. O Espírito humano é de início uma consciência confusa, um espírito puramente subjetivo, é a sensação imediata. Depois, ele consegue encarnar-se, objetivar-se sob a forma de civilizações, de instituições organizadas. Tal é o espírito objetivo que se realiza naquilo que Hegel chama de &#8220;o mundo da cultura&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembramos que a questão da liberdade está em pauta no pensamento dos modernos, eles observavam e refletiam&#8230; onde se encontra a liberdade? O que é a liberdade? Por exemplo, Schiller vai dizer que da mesma forma que se educa através da razão, se pode educar a sensibilidade com as obras de arte e que é a técnica do objeto que expressa a liberdade, mas desde que esta técnica “não apareça”. A grande obra de arte vai te coagir à liberdade, é aparência no fenômeno, é aparência na forma, é uma liberdade estética. Um exemplo seria a técnica da bailarina que “não aparece” e assim não demonstra estar fazendo esforço, ela parece estar “voando” suavemente no palco.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, o Espírito se descobre mais claramente na consciência artística e na consciência religiosa para finalmente apreender-se na Filosofia (notadamente na filosofia de Hegel, que pretende totalizar sob sua alçada todas as outras filosofias) como Saber Absoluto. Desse modo, a filosofia é o saber de todos os saberes: a sabedoria suprema que, no final, totaliza todas as obras da cultura (é só no crepúsculo, diz Hegel, que o pássaro de Minerva levanta voo).</p>
<p style="text-align: justify;">Compreendemos bem, em todo caso, que, nessa filosofia puramente imanentista, Deus só se realiza na história. Em outras palavras, a forma de civilização que triunfa a cada etapa da história é aquela que, naquele momento, melhor exprime o Espírito. Após ter saudado em Napoleão &#8220;o espírito universal a cavalo&#8221;, Hegel verá no estado prussiano de seu tempo a expressão mais perfeita do Espírito Absoluto. Por conseguinte, Hegel é daqueles que acham que a força não &#8220;oprime&#8221; o direito, mas que o exprime, que aquele que é vitorioso na História é,  simultaneamente, o mais dotado de valor e que a virtude, como ele diz, &#8220;exprime o curso do mundo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo as normas da lógica clássica, essa identificação da Razão com o Devir histórico é absolutamente paradoxal. De fato, a lógica clássica considera que uma proposição fica demonstrada quando é reduzida, identificada a uma proposição já admitida. A lógica vai do idêntico ao idêntico. A história, ao contrário, é o domínio do mutável. O acontecimento de hoje é diferente do de ontem. Ele o contradiz. Aplicar a razão à história, por conseguinte, seria mostrar que a mudança é aparente, que no fundo tudo permanece idêntico. Aplicar a razão à história seria negar a história,  recusar o tempo. Ora, contrariando tudo isso, o racionalismo de Hegel coloca o devir, a história, em primeiro plano. Como isso é possível? Bem, isso é possível pelo processo dialético como vimos no tópico anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejamos uma síntese apresentada por Reale quanto à questão da lógica em Hegel:</p>
<p style="text-align: justify;">A “lógica” de Hegel não é puro “instrumento” ou “método”, como a lógica tradicional, e sim o estudo da <em>estrutura do todo, </em>no sentido de que a própria Lógica, enquanto idéia-em-si, é auto-estruturação do quadro do todo.</p>
<p style="text-align: justify;">A Lógica começa e se desenvolve inteiramente no plano definitivamente ganho da <em>Fenomenologia do espírito</em>, isto é, no plano do saber absoluto, em que desapareceu toda diferença entre “certeza” (que implica subjetividade) e “verdade” (que é sempre objetividade), entre “saber” como <em>forma</em> e “saber” como <em>conteúdo</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A tese de fundo da lógica hegeliana, que se remete à antiga posição de Parmênides, é que “pensar” e “ser” coincidem: o pensamento em seu processo, realiza a si mesmo e o próprio conteúdo, e esta realização dialética é ao mesmo tempo, de modo cada vez renovado, um “pensar o ser” e o “ser do pensamento”. A Lógica coincide assim com a <em>ontologia </em>(ou seja, com a <em>metafísica</em>), e nesse sentido constitui a síntese especulativa dos conteúdos que se encontram no <em>Organon</em> e na <em>Metafísica</em> de Aristóteles.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu conjunto, portanto, a Lógica é o reino do pensamento puro; <em>é a verdade como ela é em si e por si sem véu, é a exposição de Deus como ele é em sua eterna essência antes da criação da natureza e de cada espírito finito.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O <em>logos</em> da Lógica deve ser concebido também como desenvolvimento e processo dialético: a “idéia lógica” é a <em>totalidade de suas determinações conceituais em sue desdobramento dialético. </em></p>
<p style="text-align: justify;">As três esferas fundamentais da Lógica são: o ser, a essência e o conceito. (2005, 120)<em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Precisamos lembrar que <strong>Hegel implanta uma nova lógica</strong> e a nova lógica hegeliana difere da antiga, não somente pela negação do princípio de identidade e de contradição,  como eram concebidos na lógica antiga,  mas também porquanto a nova lógica é considerada como sendo a própria lei do “ser”. Quer dizer, coincide com a ontologia, em que o próprio objeto já não é mais o “ser”, mas o devir absoluto.</p>
<p style="text-align: justify;">De maneira sintética podemos mencionar a diferenciação da nova lógica hegeliana da seguinte maneira:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1.</strong> A <strong>lógica tradicional</strong> afirma que <strong>o ser é idêntico a si mesmo e exclui o seu oposto</strong> (princípio de identidade e de contradição); ao passo que a <strong>lógica hegeliana</strong> sustenta que <strong>a realidade é essencialmente mudança</strong>, devir, passagem de um elemento ao seu oposto;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. </strong> A <strong>lógica tradicional</strong> afirma que o <strong>conceito é universal <em>abstrato</em></strong>, enquanto apreende o ser imutável, realmente, ainda que não totalmente; ao passo que a <strong>lógica hegeliana</strong> sustenta que <strong>o conceito é universal <em>concreto</em></strong>, isto é, conexão histórica do particular com a totalidade do real, onde <strong>tudo é essencialmente conexo com tudo</strong>;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3.</strong> A <strong>lógica tradicional</strong> distingue substancialmente a filosofia, cujo objeto é o universal e o imutável, da história, cujo objeto é o particular e o mutável; ao passo que a <strong>lógica hegeliana</strong> assimila a filosofia com a história, enquanto o ser<strong> é vir-a-ser;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. </strong>A <strong>lógica tradicional</strong> distingue-se da ontologia, enquanto o nosso pensamento, se apreende o ser, não o esgota totalmente,  como faz o pensamento de Deus; ao passo que a <strong>lógica hegeliana</strong> coincide com a ontologia, porquanto <strong>a realidade é o desenvolvimento dialético do próprio <em>&#8220;logos&#8221;</em> divino, que no espírito humano adquire plena consciência de si mesmo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Demos ênfase à questão lógica em Hegel e não foi à toa, pois a questão lógica, é sem dúvida a suma de sua metafísica e como nos lembra Reale</p>
<p style="text-align: justify;">De algum tempo para cá, está no auge a <em>Ciência da lógica, </em>valorizada principalmente por causa das estreitas relações que, em Hegel, existem entre o “elemento lógico” e a “linguagem”, que hoje está no centro dos interesses filosóficos. Entretanto, é verdade que a lógica contém tudo, porque também é uma “filosofia primeira”, ou seja, uma “metafísica”; porém, só contém tudo em certa perspectiva, que é a da “Ideia como Logos” (2005, p.98)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Próximo tópico: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2010/03/28/consideracoes-finais-do-texto-hegel-os-gregos-e-os-modernos/" target="_blank"><strong>Considerações finais e a bibliografia</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do Benito Pepe</p>


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		<title>Dialética Hegeliana</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 13:51:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Antítese]]></category>
		<category><![CDATA[Dialética]]></category>
		<category><![CDATA[Hegel]]></category>
		<category><![CDATA[Processo dialético]]></category>
		<category><![CDATA[Síntese]]></category>
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		<description><![CDATA[Hegel foi o maior expoente do "idealismo alemão", que, como decorrência da filosofia kantiana, e em oposição a ela, fato que começou com Fichte e Schelling, desenvolve muito de seu pensamento. Esses dois pensadores tinham procurado tratar a realidade como baseada num só princípio, para superar o dualismo de sujeito e objeto, estabelecido por Kant, segundo o qual só era possível conhecer a aparência fenomenológica das coisas, não sua essência.


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>
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Continuando o Texto: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2010/03/28/hegel-os-gregos-e-os-%E2%80%9Cmodernos%E2%80%9D-uma-fissura-para-a-contemporaneidade/" target="_blank"><em>Hegel os Gregos e os “Modernos”: uma fissura para a contemporaneidade</em></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Hegel foi o maior expoente do &#8220;idealismo alemão&#8221;, que, como decorrência da filosofia kantiana, e em oposição a ela, fato que começou com Fichte e Schelling, desenvolve muito de seu pensamento. Esses dois pensadores tinham procurado tratar a realidade como baseada num só princípio, para superar o dualismo de sujeito e objeto, estabelecido por Kant, segundo o qual só era possível conhecer a aparência fenomenológica das coisas, não sua essência.<span id="more-1155"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O principio básico do idealismo está no próprio homem (na subjetividade), ou seja, se encontra a realidade através do homem e é ele quem “define a realidade”. Grosso modo o oposto do idealismo é o materialismo. Podemos considerar Platão como o primeiro idealista onde, para ele, a realidade estava no “mundo das ideias”, nas formas inteligíveis, atingíveis apenas pela razão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, para Hegel, o fundamento supremo da realidade não era esse e também não  podia ser o &#8220;absoluto&#8221; de Schelling nem o &#8220;eu&#8221; de Fichte e sim a &#8220;ideia&#8221;, que se desenvolve numa linha de estrita necessidade. A dinâmica dessa necessidade não teria sua lógica determinada pelos princípios de identidade e contradição, mas sim pela &#8220;<strong>dialética</strong>&#8220;, realizada em três fases: <strong>tese</strong>, <strong>antítese</strong> e <strong>síntese</strong>. Assim toda realidade primeiro &#8220;se apresenta&#8221;, depois se nega a si própria e num terceiro momento supera e elimina essa contradição.  Dessa maneira, para Hegel, a dialética é o único método de garantir o conhecimento científico do absoluto e de “elevar” a filosofia à ciência, onde a verdade pode receber a forma rigorosa do sistema de cientificidade, conforme nos lembra Reale que continua&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">A dialética nascera no ambiente da Escola de Eléia, principalmente com Zenão, e na grecidade havia alcançado seus vértices com Platão; na era moderna fora retomada por Kant, que porém a privara de verdadeiro valor cognoscitivo. Hegel se remete à dialética clássica, mas conferindo movimento e dinamicidade às essências e aos conceitos universais que, já descobertos pelos antigos, haviam porém permanecido com eles em uma espécie de repouso rígido, quase solidificados. O coração da dialética se torna assim o <em>movimento, </em>e precisamente o <em>movimento circular </em>ou <em>em</em> <em>espiral, com ritmo triádico. </em>Os três<em> </em>momentos do movimento dialético são:</p>
<p style="text-align: justify;">1) a <strong><em>tese</em></strong>, que é o momento abstrato ou intelectivo;</p>
<p style="text-align: justify;">2) a <strong><em>antítese</em></strong>, que é o momento dialético (em sentido estrito) ou negativamente racional;</p>
<p style="text-align: justify;">3) a <strong><em>síntese</em></strong>, que é o momento especulativo ou positivamente racional. (2005, p.106)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Segundo esse esquema, a ideia lógica, o princípio, converte-se em seu contrário, a natureza, e esta em espírito, que é a &#8220;síntese&#8221; de ideia e natureza: a ideia &#8220;para si&#8221;. A cada uma dessas etapas correspondem, respectivamente, a<strong> lógica</strong>, a<strong> filosofia natural</strong> e a <strong>filosofia do espírito</strong>. A parte mais complexa do sistema é essa última: <strong>o espírito</strong> se desdobra em &#8220;<strong>subjetivo</strong>&#8220;, &#8220;<strong>objetivo</strong>&#8221; e &#8220;<strong>absoluto</strong>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">O <strong>espírito subjetivo</strong> é o de cada indivíduo, e o <strong>espírito objetivo</strong> é a manifestação da ideia na história: sua expressão máxima é constituída pelo estado, que realiza <strong>a razão universal humana,</strong> síntese do espírito subjetivo e do objetivo no espírito absoluto. Este alcança o máximo do conhecimento de si mesmo, de maneira cada vez mais perfeita, na <strong>arte</strong>, na <strong>religião</strong> e na <strong>filosofia</strong>. Assim, o espírito só chega a se compreender como tal no homem, já que existe &#8220;unidade e identidade da natureza divina e da natureza humana&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Processo dialético</strong> é  um processo racional original,  no qual a contradição não mais é o que deve ser evitado a qualquer preço, mas, ao contrário, se transforma no próprio motor do pensamento, ao mesmo tempo em que é o motor da história, já que esta última não é senão o Pensamento que se realiza. Repudiando o princípio da contradição de Aristóteles, em virtude do qual uma coisa não pode ser e, ao mesmo tempo, não ser, Hegel põe a contradição no próprio núcleo do pensamento e das coisas simultaneamente. O pensamento não é mais estático, ele procede por meio de contradições superadas, da <em>tese</em> à <em>antítese</em> e, daí, à <em>síntese</em>, como num diálogo em que a verdade surge a partir da discussão e das contradições. Uma proposição (tese) não pode se pôr sem se opor a outra (antítese) em que a primeira é negada, transformada em outra que não ela mesma (&#8221;alienada&#8221;). A primeira proposição encontrar-se-á finalmente transformada e enriquecida numa nova fórmula que era, entre as duas precedentes, uma ligação, uma &#8220;mediação&#8221; (síntese).</p>
<p style="text-align: justify;">A dialética para Hegel é o procedimento superior do pensamento é, ao mesmo tempo, &#8220;a marcha e o ritmo das próprias coisas&#8221;. Vejamos, por exemplo, como <strong>o conceito</strong> fundamental <strong>de “ser”</strong> se enriquece dialeticamente. Como é que <strong>o ser</strong>, essa noção simultaneamente a mais abstrata e a mais real, a mais vazia e a mais compreensiva (essa noção em que o <strong>velho</strong> <strong>Parmênides</strong> se fechava: o ser é, nada mais podemos dizer), transforma-se em outra coisa? É em virtude da contradição que esse conceito envolve. <strong>O conceito de ser é o mais geral</strong>, mas também <strong>o mais pobre</strong>. “Ser”, sem qualquer qualidade ou determinação,  é, em última análise, não ser absolutamente nada, é “não ser”! O ser, puro e simples, equivale ao não-ser (eis a antítese). É fácil ver que essa contradição se resolve no vir-a-ser (posto que vir-a-ser é não mais ser o que se era). Os dois contrários que engendram o devir (síntese), aí se reencontram fundidos, reconciliados.</p>
<p style="text-align: justify;">Próximo tópico: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2010/03/28/o-idealismo-logico/" target="_blank"><strong>O idealismo Lógico</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do Benito Pepe<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">


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		<title>Pequena biografia de Hegel</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 13:25:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Hegel]]></category>

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		<description><![CDATA[Hegel, Georg Wilhelm Friedrich. Nasceu em 27 de agosto de 1770 em Stuttgart em uma família protestante. Com 18 anos em 1788,  iniciou seus estudos em  filosofia e teologia no seminário de Tubingen e foi colega de Holderlin e Schelling. Hegel adquiriu conhecimento perfeito da filologia clássica, sobretudo da língua grega.


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>
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Continuando o Texto: <em>Hegel os Gregos e os “Modernos”: uma fissura para a contemporaneidade </em>– <a href="http://www.benitopepe.com.br/2010/03/28/hegel-os-gregos-e-os-%E2%80%9Cmodernos%E2%80%9D-uma-fissura-para-a-contemporaneidade/" target="_blank">veja a Introdução clicando aqui!</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Hegel, Georg Wilhelm Friedrich. Nasceu em 27 de agosto de <strong>1770</strong> em Stuttgart em uma família protestante. Com 18 anos em <strong>1788</strong>,  iniciou seus estudos em  filosofia e teologia no seminário de Tubingen e foi colega de Holderlin e Schelling. Hegel adquiriu conhecimento perfeito da filologia clássica, sobretudo da língua grega.<span id="more-1152"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Durante seu período em Tubingen, preparou-se para a carreira eclesiástica e seus primeiros escritos trataram de assuntos teológicos. Ao deixar o seminário, porém, afasta-se da religião e os trabalhos que produz refletem a “influência” de Kant. Nunca deixará, no entanto, de se preocupar com as questões religiosas, também  se ateve às questões políticas. Ele dizia que &#8220;a leitura dos jornais é uma espécie de oração da manhã realista&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Hegel viveu também em Berna, na Suíça, onde, inspirado pela leitura de seu compatriota Immanuel Kant, escreveu vários ensaios sobre o cristianismo, que só seriam publicados em 1907. No fim de <strong>1796</strong>, mudou-se para Frankfurt, onde Holderlin lhe conseguira um lugar de preceptor. As esperanças de colaborar com Holderlin, porém, foram frustradas pela loucura que acometeu o poeta. O fato provocou em Hegel uma crise de depressão, que ele combateu entregando-se ao trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o tempo, o período também lhe proporcionou uma &#8220;emancipação&#8221; do pensamento kantiano e um ponto de partida para seu próprio sistema filosófico.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de trabalhar alguns anos como preceptor em famílias ricas,  e com a morte de seu pai em <strong>1799</strong>, Hegel herda um pequeno patrimônio e assim pode se dedicar inteiramente aos estudos. Dessa maneira pôde  habilitar-se como docente livre na universidade de Jena em <strong>1801</strong>, atuando como livre docente viveu em clima romântico e estudou o idealismo de Johann Gottlieb Fichte e de Schelling. Suas conclusões se expressariam na obra<em> Differenz des Fichte</em>&#8216;<em>schen und Schelling&#8217;schen Systems der Philosophie </em>(1801; <em>Diferença dos sistemas filosóficos de Fichte e Schelling</em>), em que creditava a ambos os pensadores a virtude de tentar superar o dualismo kantiano, embora sem chegar a elaborar sistemas coerentes. De qualquer maneira toma posição a favor de Schelling.</p>
<p style="text-align: justify;">De <strong>1807 a 1808</strong>, Hegel foi diretor de um jornal em Bamberg, e de <strong>1808 a 1816</strong>, diretor do ginásio em Nuremberg. Tornou-se, então, professor da universidade de Heidelberg e, em <strong>1818</strong>, foi chamado para Berlim, ocupando a cátedra de filosofia, vaga desde a morte de Fichte, e ali permaneceu até sua morte de cólera, em plena atividade, em 14 de novembro de <strong>1831</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">As principais obras de Hegel são: <em>Diferença dos sistemas filosóficos de Fichte e Schelling (1801); <em> A Fenomenologia do Espírito </em></em><em>(1807) obra onde Hegel se afasta se Schelling e apresenta um tipo de pensamento totalmente original, dotado de marca doravante inconfundível</em><em>;</em> <em>C<em>iência da Lógica </em></em><em>(1812-1816)</em>; <em>A Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Compendio </em><em>(1817) esta obra foi reeditada em 1827 e 1830,  com ampliações. Outra edição, em três volumes, foi feita pelos alunos, entre 1840 e 1845 já depois da morte do mestre, contendo esclarecimentos que Hegel dava nas aulas, portanto esta edição é a mais clara</em>; <em>A Filosofia do Direito </em><em>(1821)</em><em>.</em> Hegel de fato foi um gênio poderoso, sua cultura foi vastíssima, bem como a sua capacidade sistemática, tanto assim que muitos o consideram o Aristóteles e o Tomás de Aquino do pensamento moderno.</p>
<p style="text-align: justify;">Precisamos evidenciar que Hegel tinha interesses bastante variados e uma vasta cultura. Podemos mencionar também alguns dos trabalhos juvenis (desenvolvido entre 1793-1800) e que <strong>são de grande importância para a compreensão da gênese do sistema hegeliano</strong>. Seguramente nestes Escritos da juventude encontramos a chave do hegelianismo, ou pelo menos o verdadeiro Hegel, como endossam Reale (2005) e Koyré (1991) entre outros comentadores, porém negligenciando as obras da idade moderna deixa-se de compreender o Hegel da <em>Lógica</em>.  No período da juventude destacam-se os escritos teológicos. São eles:</p>
<p style="text-align: justify;">1)      <em>Religião popular e cristianismo</em> (fragmentos);</p>
<p style="text-align: justify;">2)      <em>A vida de Jesus </em>(1795);</p>
<p style="text-align: justify;">3)      <em>A possibilidade da Religião cristã</em> (1795/1796, primeira redação, a segunda se dá em 1800, mas fica incompleta);</p>
<p style="text-align: justify;">4)      <em>O espírito do cristianismo e seu destino </em>(1798);</p>
<p style="text-align: justify;">5)      Fragmento de sistema (1800).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">No jornal que Hegel publicou, “Jornal critico de filosofia,”  se destacam dois artigos: <em>Relações entre o ceticismo e a filosofia</em>; e <em>Fé e saber</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Outras obras publicadas pelos seus alunos, além da já mencionada <em>Enciclopédia </em>(de 1840-1845),<em> </em> foram: <em>Aulas sobre a filosofia da história</em>; <em>Estética</em>; <em>Aulas de filosofia da religião</em>; e <em>Aulas sobre a história da filosofia.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Rovighi (1999, p.695)  nos lembra que Hegel “habilitou-se” para o ensino universitário com uma tese, publicada no jornal citado acima, chamada “De orbitis planetarum” onde exalta Kepler e combate Newton, recriminando-o por ter Matematizado a Física, por ter dado caráter físico a grandezas puramente matemáticas. Lembramos que a matematização da física, na modernidade, começa com Galileu Galilei.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Próximo tópico: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2010/03/28/dialetica-hegeliana/" target="_blank"><strong>Dialética Hegeliana</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do Benito Pepe</p>


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		<title>Hegel  os Gregos e os “Modernos”: uma fissura para a contemporaneidade</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 13:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Contemporaneidade]]></category>
		<category><![CDATA[Gregos]]></category>
		<category><![CDATA[Hegel]]></category>
		<category><![CDATA[Introdução]]></category>
		<category><![CDATA[Modernos]]></category>

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		<description><![CDATA[Através deste trabalho de pesquisa sobre a vida, obra e a filosofia de Hegel pretendo mostrar uma panorâmica sobre esse grande filósofo que teve como base de seu pensamento  a Filosofia Grega Antiga (especialmente Heráclito e Parmênides);  a Filosofia Clássica (principalmente Aristóteles)  e a Filosofia dos Modernos (entre eles, Descartes,  Spinoza, Kant, Holderlin, Schiller, Fichte e Schelling).


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>
<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/hegel.jpg" title="" class="shutterset_singlepic55" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/55__160x120_hegel.jpg" alt="hegel" title="hegel" />
</a>
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Introdução</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Através deste trabalho de pesquisa sobre a vida, obra e a filosofia de Hegel pretendo mostrar uma panorâmica sobre esse grande filósofo que teve como base de seu pensamento  a Filosofia Grega Antiga (especialmente Heráclito e Parmênides);  a Filosofia Clássica (principalmente Aristóteles)  e a Filosofia dos Modernos (entre eles, Descartes,  Spinoza, Kant, Holderlin, Schiller, Fichte e Schelling).<span id="more-1149"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O hegelianismo portanto  é tributário não só dos modernos,  do racionalismo cartesiano e do próprio idealismo alemão (no qual ele vai ser o ápice), como também é devoto da filosofia grega.</p>
<p style="text-align: justify;">Dos gregos, podemos lembrar, Heráclito de Éfeso, de quem Hegel herda a ideia de dialética, entendida como estrutura da realidade e do pensamento. De Aristóteles, aceita três noções capitais: a do <em>universal</em>, imanente e não transcendente ao individual (antiplatonismo); a do <em>movimento</em>, ou de <em>vir-a-ser</em>, como passagem da potência para o ato; e, finalmente, a das <em>relações entre a razão e a experiência</em>, cuja necessidade interna deve ser revelada pelo pensamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Do racionalismo cartesiano, Hegel aceita a ideia da racionalidade do real, ou da consciência das <em>res cogitans</em> (coisa pensante) com a <em>res extensa</em> (coisa material); e do spinozismo, em particular, a intuição de que <em>qualquer afirmação é uma negação</em>, proposição de &#8220;importância capital&#8221;, segundo Hegel.</p>
<p style="text-align: justify;">Do criticismo Kantiano, base e ponto de partida da moderna filosofia alemã, Hegel herda, de modo especial, a distinção entre o entendimento e a razão e a ideia de uma lógica transcendental que, remontando às origens do conhecimento, considera os conceitos <em>a priori</em>, em relação aos objetos, formula as regras do pensamento puro e vincula as categorias à consciência de si, ao eu subjetivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Hegel parte da síntese a priori de Kant, em que o espírito é constituído substancialmente como sendo o construtor da realidade e toda a sua atividade é reduzida ao âmbito da experiência, porquanto é da íntima natureza da síntese <em>a priori</em> não poder, de modo nenhum, transcender a experiência. Aí se vê uma forma de imanência.</p>
<p style="text-align: justify;">De Fichte, Hegel aceita a noção de dialética como processo de afirmação, negação e negação da negação, na síntese; e de Schelling, a noção do idealismo objetivo e da identidade do sujeito e do objeto, na consciência do absoluto.</p>
<p style="text-align: justify;">Como veremos em sua biografia, entre seus colegas na universidade em Tubingen estavam o poeta Friedrich <strong>Holderlin</strong> e o filósofo Friedrich <strong>Schelling</strong>, que partilhavam sua admiração pela tragédia grega e pelos ideais da revolução francesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes filósofos e/ou poetas deixaram muitas marcas no pensamento de Hegel. Quando falamos de Hegel temos que lembrar que os fatos históricos são marcas e componentes intrínsecos em sua filosofia, fatos  como a Revolução Francesa e o advento de Napoleão são acontecimentos capitais. Para ele a Revolução é a tentativa de restauração da cidade antiga,  o triunfo da Razão e da Liberdade, a construção do real de acordo com o pensamento,  e Napoleão é &#8220;a alma do mundo&#8221;, a individualidade superior que, perseguindo apaixonadamente seu objetivo, é agente &#8220;de um fim que constitui uma etapa na marcha progressiva do Espírito Universal&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">E não é à toa que Hegel escrevera a seu amigo Niethammer “Vi o Imperador, esta alma do mundo, sair da cidade a cavalo para uma missão de reconhecimento. É verdadeiramente uma sensação maravilhosa (<em>wunderbar</em>) ver um individuo que aqui, concentrado num ponto, sobre um cavalo, estende seu poder sobre o mundo e o domina.”  (Rovighi, 1999 p.696)</p>
<p><strong>Próximo tópico: </strong><a href="http://www.benitopepe.com.br/2010/03/28/pequena-biografia-de-hegel/" target="_blank"><strong>Pequena biografia de Hegel</strong></a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Abraços do Benito Pepe</strong></p>
<p><strong> </strong></p>


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		<title>Referências Bibliográficas do Texto Heidegger e os Gregos</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/12/16/referencias-bibliograficas-do-texto-heidegger-e-os-gregos/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 19:39:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Bibliografia]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta bibliografia que posto agora  se refere ao texto >  “Heidegger e os gregos: o Ser e o Céu” você pode acompanhar este texto seguindo o link no final de cada tópico (postagem). Este texto contém uma pequena parte que tem relação com minha monografia intitulada > “A Filosofia e a Astronomia: Instâncias em que o Thauma Aparece”  da mesma maneira, caso queira, você poderá seguir o link no final de cada tópico apresentado.


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/bibliografia.gif" title="" class="shutterset_singlepic45" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/45__160x120_bibliografia.gif" alt="bibliografia" title="bibliografia" />
</a>
Esta bibliografia que posto agora  se refere ao texto &gt;  “<strong><a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Heidegger e os gregos: o Ser e o Céu</span></a>” </strong>você pode acompanhar este texto <strong>seguindo o link no final de cada tópico</strong> (postagem). Este texto contém uma pequena parte que tem relação com minha monografia intitulada &gt;<strong> “<a href="http://www.benitopepe.com.br/2008/12/27/a-filosofia-e-a-astronomia-instancias-em-que-o-thauma-aparece-capitulo-1/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">A Filosofia e a Astronomia: Instâncias em que o <em>Thauma</em> Aparece</span></a>” </strong> da mesma maneira, caso queira, você poderá seguir o link no final de cada tópico apresentado.<span id="more-966"></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Segue a bibliografia:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">ANDREETA, José Pedro. <em>Quem se atreve a ter certeza?</em> : a realidade quântica e a filosofia. 1. ed. São Paulo: Mercuryo, 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">BROCKELMAN, Paul. <em>Cosmologia e criação</em>: a importância espiritual da cosmologia contemporânea. 1.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">CHÂTELET, François. <em>Uma história da razão</em>: entrevista com Émile Noel. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">CHAUI, Marilena. <em>Convite à filosofia</em>. 13.ed. São Paulo: Ática, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">__________. <em>Introdução à história da filosofia</em>: dos pré-socráticos a Aristóteles, volume 1. 2.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">DESCARTES, René. <em>Discurso do método</em>. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L &amp; PM Pocket, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">HADOT, Pierre. <em>O que é a filosofia antiga? </em>2.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">HEIDEGGER, Martin. <em>Ser e tempo; </em>tradução de Márcia Sá Cavalcante Schuback; Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2006.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">_________________. E<em>nsaios e conferencia;</em> tradução de Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel, Márcia Sá Cavalcante Schuback. 3.ed. Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2006.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">KANT, Immanuel. <em>Immanuel Kant</em>: Textos seletos. Introdução de Emmanuel Carneiro Leão. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">MARCONDES, Danilo. <em>Iniciação à história da filosofia</em>: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 9.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">______________. <em>Textos básicos de filosofia</em>: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">NOVELLO, Mário. <em>O que é cosmologia?</em>: A revolução do pensamento cosmológico. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <em>História da filosofia</em>, 7v.; tradução de Ivo Storniolo; 1.ed. São Paulo: Paulus, 2006.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>Benito Pepe</strong></span></a></p>
<p style="text-align: justify;">


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		<title>O esquecimento de nossa origem Cósmica</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/o-esquecimento-de-nossa-origem-cosmica/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 00:11:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Céu]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>
		<category><![CDATA[Palestras]]></category>

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		<description><![CDATA[Ocorre uma perda, um esquecimento desta nossa origem cósmica. Uma das maneiras que teríamos para nos aproximar um pouco dela seria o estudo da Nova Cosmologia


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>
<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/esquecimento.jpg" title="" class="shutterset_singlepic44" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/44__160x120_esquecimento.jpg" alt="esquecimento" title="esquecimento" />
</a>
Continuando o texto &gt; <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Heidegger e os Gregos: o Ser e o Céu</span></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em nossos dias, da mesma forma que é mais “fácil” estar aí jogado <em>esquecendo</em> o ser e se <em>ocupando</em> em várias atividades e coisas do dia a dia como: trabalho, assistindo à Televisão, indo ao cinema, teatro, “baladas” e outras tantas e diversas atividades; da mesma maneira se <em>esquece</em> o Céu, se esquece o universo, se <em>ocupando </em>com tantas “atividades noturnas”. Assim perdemos o sentido de nossa origem. Conforme comenta Brockelman:<span id="more-962"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O que perdemos, portanto, foi a habilidade de ver nossa vida como parte de uma ordem e uma realidade mais amplas, para além de nossos transitórios desejos e sonhos diários. Ao ver  a natureza e todo o universo como uma “matéria” posta aqui para nossa transformação e uso infinitamente produtivos, reduzimos a realidade a um mero valor extrínseco para nós; ela não é mais vivenciada como intrinsecamente valiosa em si. Por conseqüência, perdemos todo senso de pertencer a um drama e a uma realidade mais vastos e significativos. (2001, p.23)</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ocorre uma perda, um esquecimento desta nossa origem cósmica. Uma das maneiras que teríamos para nos aproximar um pouco dela seria o estudo da Nova Cosmologia, conforme diz  Brockelman há</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(&#8230;) uma realidade além de nós e que, entretanto,  nos inclui. A cosmologia permite um vislumbre dessa realidade mais ampla ao mostrar que a natureza é o resultado de um mistério originador ou do que Vaclav Havel chama o “milagre do Ser” que brilha através dela. (2001, p.82). </em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas hoje em dia é difícil encontrar uma pessoa que se <em>envolva</em> com a astronomia, eu digo envolva no sentido mais profundo da palavra, no sentido mesmo de submergir. Isto se dá,  por três motivos principais: 1) as pessoas buscam normalmente se envolver com coisas que não as façam  pensar muito (querem o lazer simples e despreocupado);  2) muitas vezes buscam algo que possa trazer retorno financeiro e não vêem na astronomia algo com esta possibilidade (principalmente no Brasil);  3) com tanta poluição luminosa em nossas cidades é praticamente impossível se observar o Céu. (isso só ocorre quando viajamos para cidades distantes das grandes metrópoles).</p>
<p style="text-align: justify;">E é neste terceiro ponto que gostaríamos de nos ater. Heidegger menciona o “esquecimento do Ser” através do tempo no mundo ocidental,  como já comentamos anteriormente.  Mas gostaria de evidenciar: nós esquecemos o Ser, porque nos ocupamos demais com tantas e tantas atividades provindas da técnica; nós esquecemos o <em>cosmos, </em>o<em> </em>universo, o Céu porque desenvolvemos uma <em>técnica </em>que da mesma forma e paradoxalmente que nos aprofundou nos confins do universo, “desenvolve” no planeta e na atmosfera da Terra, tanta e tanta poluição de todos os níveis que não nos permitem  “<em>ver</em>” a noite,  aqui destacamos a poluição  luminosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós “somos morcegos” que erroneamente iluminamos o nosso Céu e assim na verdade o “apagamos”, o ofuscamos.  Nós precisávamos do Céu para nossa “busca noturna” mas com tanta luz perdemos esta possibilidade e com isso veio a “fome” e o esquecimento do cosmos, nossa origem.</p>
<p style="text-align: justify;">Como supomos hoje através dos “conhecimentos” de astronomia, foi através de mortes e ressurgimentos de algumas estrelas: “poeiras” que formam estrelas que ao morrer tornam-se novamente poeiras “encontrando-se” com outras  que com elementos químicos cada vez mais complexos formam novas estrelas.  Portanto o nosso Sol e todo o sistema solar assim fora formado. Em outras palavras nós somos “poeira das estrelas”, e assim não há dúvidas que nossa origem é cósmica, nós viemos deste vasto, imenso, infinito ou finito universo, que tem aproximadamente 13,7 bilhões de anos desde o chamado Big Bang.  E da mesma forma que é espantoso, que é um verdadeiro <em>thauma</em> relatar mitos da criação através das diversas religiões,  é da mesma maneira um verdadeiro espanto os relatos da nova cosmologia, conforme diz Dennis Overbye<a href="#_ftn1">[1]</a> citado por Brockelman:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O que poderia aproximar mais do caráter de mito do que a noção de que o universo de fato apareceu, talvez do nada; de que os átomos em nossos ossos e sangue foram formados em estrelas a anos-luz de distância e bilhões de anos atrás; ou de que as partículas ainda mais antigas de que são compostos esses átomos são fósseis de energias e forças que existiram durante o primeiro microssegundo da criação, as quais mal podemos compreender? Somos todos artefatos do universo, lembranças andantes do mistério último. Somos poeiras andantes, poeiras de estrelas andantes. (2001, p.93).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas o nosso questionamento é: se nós nos esquecemos do sentido do Ser, será que nos preocuparemos com esta nossa origem? Kant citado por Châtelet,diz</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Duas coisas enchem o coração de admiração e veneração, sempre novas e sempre crescentes, à medida que a reflexão se dirige e se consagra a elas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim (&#8230;) o primeiro espetáculo,  de uma inumerável multidão de  mundos, aniquila, por assim dizer a minha importância, por ser eu uma criatura animal que deve voltar à matéria de que é formado o planeta (um simples ponto no Universo) depois de (não se sabe como) ter sido dotada de força vital durante curto espaço de tempo. O segundo espetáculo ao contrário eleva infinitamente o meu valor, como o de uma inteligência por minha personalidade, na qual a lei moral me manifesta uma vida independente da animalidade e até mesmo de todo o mundo sensível. (1994, p.102).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Este deslumbramento já ocorre há tempos imemoriáveis. Poderíamos citar os diversos povos do oriente que se fascinavam  muito com o cosmos: os chineses, babilônios, assírios e egípcios; e também povos aqui das Américas como: os   Maias, os Incas e mesmo nossos índios e outros povos chamados “primitivos”; que já se preocupavam e se ocupavam com a observação do Céu, mas vieram os nossos dias e novas ocupações surgiram, a técnica faz com que possamos nos aprofundar no mais distante do cosmos e ao mesmo tempo, faz o povo esquecer deste Céu&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente Galileu Galilei<a href="#_ftn2">[2]</a>, entre outros astrônomos da chamada modernidade, tinha uma visão de “fenômeno” bem diferente das que têm os estudiosos da Nova Astronomia na contemporaneidade, como é o caso dos estudos da física quântica e seus desdobramentos teóricos, ainda tão embrionários, mas inimagináveis naquela época. Entretanto  poderíamos considerar Galileu como aquele que por primeiro toma a iniciativa de observar os fenômenos do cosmos com “outros olhos” em dois sentidos: 1) não eram mais nus, pois se utilizava de um instrumento, uma luneta, para observar o Céu; 2) se utilizava da matemática nos seus estudos experimentais da natureza (elaborando algumas leis entre elas a lei da queda livre dos corpos).</p>
<p style="text-align: justify;">Com o advento da física quântica a ideia de fenômeno, no que se refere à cosmologia muda substancialmente, o sentido de “existência” também; da mesma maneira as “certezas” de outrora agora com o “principio da incerteza” de Heisenberg<a href="#_ftn3">[3]</a> modificam nosso pensamento quanto à questão da existência, como diz Andreeta:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sabemos que tudo o que existe no nosso universo (e também nós mesmos) é constituído de minúsculas partículas de matéria e de energia, e que forças naturais atuam sobre essas partículas, aglomerando-as para formar tudo o que existe. Porém, hoje não existe mais distinção entre matéria e energia. Segundo Einstein, matéria e energia são dois estados diferentes de uma mesma “substancia quântica universal”. Os conhecimentos científicos atuais parecem, portanto, convergir com os da filosofia antiga, que afirmam que tudo o que existe deve provir de uma única fonte. (2004, p.9).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade muitos fenômenos parecem inexplicáveis para o homem, contudo e de qualquer forma, este ser que é capaz de perguntar sobre o Ser,  ainda que nunca tenha as respostas, deve continuar na busca, aliás isto é uma das características deste homem, um constante desbravador, um constante questionador, um ser em  <em>thauma</em> por natureza, como também o é a própria natureza,  o cosmos,  o universo.<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora o senso comum não tem mais o mesmo valor, a “necessidade” de especializações nas diversas áreas, faz com que um indivíduo ou pequenos grupos, tome para si “conhecimentos” que antes não eram tão segmentados e podiam ser compartilhados com um grupo muito maior de pessoas. Hoje o conhecimento mais do que nunca é estreitado e especializado (um generalista sabe um pouco de tudo, um especialista sabe um muito de pouco) e assim ocorre com a humanidade, mas essa “massa” toma “conhecimento” e utiliza-se das novas descobertas sem mesmo imaginar como elas chegaram àquele ponto, e toda essa tecnologia contribui para impulsionar o esquecimento do “ser”; assim o espanto passa a estar nos diversos fetiches, “brinquedos”, mimos que são criados para nos encantar.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem da contemporaneidade atribuído de tantas tarefas e rotinas, não percebe de imediato as novas revoluções no pensamento que ocorrem com Einstein e a física quântica, ou melhor, percebem mas não sabem de onde vem. Nem mesmo nós que estudamos as relações da Astronomia e da Filosofia podemos imaginar o que de fato ocorrerá com o pensamento nos próximos séculos depois de re-começarmos a entender que “tudo faz parte de um Todo” e,  continuando com as palavras de Andreeta:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Vistos no plano atômico, todos os corpos que constituem o universo do ser humano possuem um comportamento dinâmico de troca de partículas. Os átomos que estão agregados aos corpos não são permanentes. Eles fluem constantemente através dos corpos sólidos: a pedra e o corpo físico humano compartilham os mesmos átomos. (&#8230;) Como os átomos fluem constantemente de um corpo para  outro, a separação entre os corpos é, portanto, ilusória. Mesmo que o ser humano queira, não pode se isolar dela e de nada. (2004, p.20).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não podemos nos afastar do <em>thauma</em> originário, do espanto que faz com que estejamos aqui, o Poder de Ser. Precisamos voltar às origens, precisamos voltar a ser crianças,  precisamos  re-des-cobrir a epifania manifesta no mundo, na vida!  Nas palavras de Brockelman:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O que se reclama, então é uma nova maneira de ver as coisas que possa nos ajudar a viver de forma mais apropriada na natureza; na inesquecível expressão de Emily Dickinson,  trata-se de ver as coisas com “um olho desguarnecido”. Precisamos nos deslumbrar com o extraordinário milagre da vida, com a espantosa epifania que ela manifesta. Precisamos ser tocados e transformados em nosso âmago</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Talvez nossa cultura industrial moderna esteja passando por essa transformação em seu modo de ver as coisas, e talvez uma mudança de paradigma esteja permitindo ver a natureza e a vida com novos olhos. (2001, p.25).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Essa mudança de paradigma, sem precedentes  é sem duvida a física quântica e toda a nova revolução que ela vem causar ao pensamento. Então teremos mais uma vez a Astronomia ou Física colaborando na maneira de pensar; e dessa vez esperamos que proporcione com este novo <em>Thauma</em> um retorno ao sentido do Ser e a um relembrar do Céu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h3 style="text-align: justify;">No próximo tópico &gt; Referências Bibliográficas e Bibliografia</h3>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Benito Pepe</span></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas:</strong></p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref1">[1]</a> OVERBYE, Dennis. Lonely Hearts of  the Cosmos. Nova York: Harper Collins, 1991, p.3.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref2">[2]</a> Galileu Galilei (1564-1642) é conhecido como um dos pais da física moderna.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref3">[3]</a> O princípio da incerteza de Heisenberg consiste num enunciado da mecânica quântica, formulado inicialmente em 1927,  impondo restrições à precisão com que se podem efetuar medidas <em>simultâneas</em> de uma classe de pares de observáveis. Por exemplo: não  se pode saber ao mesmo tempo a posição e a velocidade de um elétron.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>


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		<title>“A reviravolta” do Pensamento Filosófico</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 18:58:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamento]]></category>

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		<description><![CDATA[A filosofia não está ligada a “emoção” ou ao “irracional”, mas à Razão. Porém essa razão na filosofia vem com o tempo, no seu início ela não estava pautada na razão, a filosofia não era nem racional nem irracional, era a philosophia. Os pré-socráticos mantinham “mito” e “razão”, e desenvolveram um pensamento ou “imaginação” que deve ser analisado atenciosamente. Na sua origem a filosofia era uma soma de pathos (emoção) + ratio (razão).


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Continuando o texto &gt; <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Heidegger e os Gregos: o Ser e o Céu</span></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">
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	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/43__160x120_retorno.jpg" alt="retorno" title="retorno" />
</a>
No entanto, como dizia Albert Einstein: “a imaginação é mais importante do que o conhecimento”.  E acreditamos que foi e é através dela que a humanidade chegou e segue até os nossos dias. Os conhecimentos de todas as categorias não poderiam existir se não fosse por nossa imaginação;  por isso  gostaria de questionar: porque temos que pensar sempre com a razão? Esta mesma humanidade existe há aproximadamente 2 milhões de anos e esta chamada razão só é mensurada há aproximadamente 2 mil e 500 anos (?)<span id="more-959"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A filosofia não está ligada a “emoção” ou ao “irracional”, mas à Razão. Porém essa razão na filosofia vem com o tempo, no seu início ela não estava pautada na razão, a filosofia não era nem racional nem irracional, era a <em>philosophia</em>. Os pré-socráticos mantinham “mito” e “razão”, e desenvolveram um pensamento ou “imaginação” que deve ser analisado atenciosamente. Na sua origem a filosofia era uma soma de <em>pathos</em> (emoção) + <em>ratio</em> (razão).</p>
<p style="text-align: justify;">A “apropriação” que se passa a ter do pensamento e do Ser é diferente do mútuo pertencer na origem do pensamento. A busca do ser se findou com o querer ser, e o pior é que se deixa de ser.<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O <em>Thauma </em>quanto aos fenômenos da <em>Natureza</em> e quanto ao Ser, permanecerão esquecidos? Algumas situações ocorrem na modernidade e fazem com que o homem se afaste da ideia de imanência e da tentativa de compreender o mundo natural em sua <em>inteireza</em>, como nos lembra Brockelman (2001, p.59-60) e que transcrevo de forma reduzida:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>1. Uma delas é a mundivisão cartesiana que retratava a realidade como dividida em dois aspectos, “espírito” e “matéria”, assim a natureza foi dessacralizada, e uma teologia ou cosmologia natural foi considerada impossível; 2. outra é que até meados dos séculos XIX as ciências naturais tinham-se fragmentado em inúmeras disciplinas separadas, cada uma com focos e formas de discursos diferentes. Assim excluíam o Todo e a interdependência dessas partes; 3. Por último temos que o próprio modelo de fazer ciência parecia impedir uma imagem abrangente do Todo na medida em que o objetivo era estudar e reduzir esses todos (incluindo a “natureza”) às suas partes. Assim os todos – e o Todo – foram simplesmente menosprezados porque a ciência estava demasiado fascinada com as partes para notá-los (e notá-lo).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Questionamos: voltaremos agora na contemporaneidade a tentar compreender esse Ser e esse cosmos em sua inteireza, em sua inter-relação, em sua totalidade?</p>
<p style="text-align: justify;">De alguma maneira penso que Heidegger contribui com essa empreitada,  a partir do momento que ele faz, e propõe, uma releitura dos pré-socráticos de maneira diferente das que foram feitas por Platão e Aristóteles,  por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;">Heidegger nos diz que o mundo ocidental desde Platão degrada com o Ser, e isto vai se passando de geração em geração com todos os filósofos que vieram depois. Os primeiros filósofos como: Anaximandro, Parmênides e Heráclito conceberam a verdade como um <em>desvelar-se</em> do Ser como provaria o sentido etimológico de <em>alétheia </em>(desvelamento do Ser). Heidegger comenta a questão do “Mundo das Ideias de Platão” e o exemplo da “Alegoria da caverna”  para justificar seu posicionamento.</p>
<p style="text-align: justify;">No que tange à <em>contemporaneidade</em> damos ênfase  à questão do esquecimento do Ser mencionada por Heidegger em uma analogia com o esquecimento do Céu, nossa origem cósmica; somos poeira das estrelas&#8230; Desta maneira o espanto, o <em>Thauma</em> que origina a Filosofia e a Astronomia não pode ser esquecido, não podemos perder o sentido da existência, o espanto não pode acabar. Nesse momento reaparece com a física quântica e a Nova Cosmologia a inteireza do cosmos com o homem e o Todo da existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Abrimos um parêntesis e lembramos, sucintamente, a questão da técnica tratada por Heidegger e os desdobramentos que esta “permite” e ao mesmo tempo “des-possibilita” o lembrar-se do Céu. Estamos na era da técnica&#8230; Estamos no cúmulo da metafísica ou de uma “outra metafísica” (?)</p>
<p style="text-align: justify;">Em “A questão da Técnica” (1953) ele critica a sociedade industrial  (uma das causadoras  da modernidade) onde se predomina a ciência. E questiona estes valores e princípios modernos. Como transcreve Marcondes, Heidegger diz que:</p>
<p style="text-align: justify;">“A ciência não pensa.” A ciência e sua aplicação técnica seriam incapazes de pensar o ser, de pensá-lo fora da problemática do conhecimento e da consideração instrumental e operacional da realidade típicos do mundo técnico. Na verdade, o desenvolvimento de nosso modelo técnico e industrial é conseqüência precisamente do “esquecimento do ser” na trajetória da cultura ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">A recuperação do sentido originário de ser e da verdade como manifestação da essência se dá através de uma retomada, de uma releitura, de alguns filósofos pré-socráticos, em especial Heráclito e Parmênides (&#8230;) (2005, p.267-8).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em suma podemos dizer que Heidegger se preocupa com a questão do Ser, ou melhor em retomá-la de uma maneira que ele julgava própria e não mais como fora tomada impropriamente. Segundo Heidegger,  o  que o mundo ocidental fez foi esquecer o Ser&#8230;  Ele chama de “onto-teo-logia” a introdução de “deus” na ontologia e diz que o mundo ocidental passou a se ocupar e pré-ocupar com os entes, Heidegger pretendia diferenciar o ser do ente.</p>
<p style="text-align: justify;">Continuaremos no próximo tópico analisando outro esquecimento: nossa origem cósmica, ou seja, passamos do esquecimento do ser para o esquecimento do Céu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Próximo tópico &gt; <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/o-esquecimento-de-nossa-origem-cosmica/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>O esquecimento de nossa origem Cósmica</strong></span></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Benito Pepe</span></a></p>
<p><strong> </strong></p>


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		</item>
		<item>
		<title>Heidegger e os Gregos: o Ser e o Céu</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/12/12/heidegger-e-os-gregos-o-ser-e-o-ceu/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 00:19:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Céu]]></category>
		<category><![CDATA[Heidegger]]></category>

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		<description><![CDATA[o Nascimento da Filosofia Racional, depois   a “Reviravolta” do Pensamento Filosófico falamos também da  Astronomia e do Esquecimento do Céu e apresentamos a bibliografia


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/heidegger2.jpg" title="" class="shutterset_singlepic42" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/42__160x120_heidegger2.jpg" alt="heidegger2" title="heidegger2" />
</a>
Este texto será dividido em partes, temos nesta primeira parte além de uma <strong>introdução</strong> geral, um tópico falando sobre <strong><span style="color: #000000;">o Nascimento da Filosofia Racional,</span> </strong>depois<strong> </strong>há um tópico<strong> </strong>falando sobre <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/%E2%80%9Ca-reviravolta%E2%80%9D-do-pensamento-filosofico/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>a “Reviravolta” do Pensamento Filosófico</strong></span></a> logo após falamos do<strong> <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/o-esquecimento-de-nossa-origem-cosmica/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Esquecimento de Nossa Origem Cósmica</span></a>. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por fim postamos<strong> </strong>as<strong> <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/16/referencias-bibliograficas-do-texto-heidegger-e-os-gregos/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">Referências Bibliográficas</span></a>.<span id="more-952"></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Introdução</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pretendemos neste texto mencionar a relação de Heidegger com os gregos antigos, especialmente os pré-socráticos, que em sua visão, viam uma outra “manifestação” quando se falava na questão do Ser e/ou da “possibilidade” do desvelamento (<em>aletheia</em>) ou da “ocultação” natural. Heidegger propõe uma releitura dos pré-socráticos de maneira diferente das que foram feitas pela tradição: Platão e Aristóteles entre outros posteriormente.</p>
<p style="text-align: justify;">Na sequência final,  quando falamos do Céu, pretendemos ampliar os sentidos para além de uma epifania (<em>epiphaneia</em>), e ver o Céu como nossa origem cósmica, da mesma maneira, distorcida posteriormente.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à “Filosofia”, precisamos lembrar que ela não era totalmente racionalista como passa a ser em seguida e que continua na contemporaneidade. Esta Filosofia é conhecida como racionalista, mas na sua origem  não era assim. Vemos por fim, através da <strong>nova cosmologia</strong>, uma possibilidade de “reviravolta” que poderia reativar o nosso pensamento à filosofia originária.</p>
<p style="text-align: justify;">Como acreditamos que para esta “reviravolta” a Nova Cosmologia pode contribuir, dedicamos um tópico especial para falar da Astronomia e do esquecimento do Céu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Nascimento da Filosofia Racional</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há um “consenso” para se falar sobre o “nascimento” da Filosofia, ela surge  pelo questionamento dos homens que queriam e buscavam a <em>verdade, </em>mas não queriam “explicações incoerentes”, assim começa um processo de pensamento diferenciado e racional que pudesse contrapor-se, de certa maneira,  às tradições “míticas”. Como comenta Chaui</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A filosofia surgiu quando alguns gregos, admirados e espantados com a realidade, insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a fazer perguntas e buscar respostas para elas, demonstrando que o mundo e os seres humanos, os acontecimentos naturais e as coisas da natureza, os acontecimentos humanos e as ações dos seres humanos podem ser conhecidos pela razão humana, e que a própria razão é capaz de conhecer-se a si mesma. (2005, p.25).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas o questionamento que podemos e devemos fazer desde já é: será que a Filosofia tomou conta do pensamento&#8230;. ou  tirou um “mito” e contribuiu para a criação de outro?</p>
<p style="text-align: justify;">Praticamente todos os filósofos “antes” de Sócrates (séc. VI – V a.C.), por isso  chamados de   –  <em>pré</em>-<em>socráticos &#8211; </em> tiveram como características do pensamento <em>noções</em> que tentam explicar a realidade da natureza.   Aí  a filosofia e a ciência têm seu início.  Entre essas noções, mencionadas por Marcondes, cito a <em>Physis</em> e o <em>Cosmo</em>:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A <em>physis &#8211; </em></strong>Por os primeiros filósofos serem estudiosos ou teóricos da natureza (<em>physis</em>),  portanto o objeto de investigação desses “filósofos-cientistas” era o mundo natural. Eles buscavam explicação através desta mesma realidade e não fora dela, ou seja,  investigavam a própria natureza.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O <em>cosmo &#8211; </em></strong>O termo <em>kosmos, </em>para eles, liga-se as ideias de ordem, harmonia e mesmo beleza (já que a beleza resulta da harmonia das formas; daí  o  termo “cosmético”). O cosmo é assim o mundo natural, o espaço celeste enquanto realidade ordenada de acordo com princípios racionais. O cosmo entendido assim, como ordem, se opõe ao <em>caos</em>, que seria a falta de ordem, o estado da matéria antes de sua organização.  Esta ordem do cosmo é racional, “razão” significando aí leis que regem e organizam essa realidade. (2005, p.24-27)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quanto a <em>physis</em> precisamos lembrar que a palavra vem do verbo <em>phiein</em> que significa surgir, nascer, brotar, “dar à luz”. Isso é importante para entendermos o sentido mais amplo que esta palavra tinha para os gregos antigos e que fará sentido com o que queremos mencionar mais à frente.</p>
<p style="text-align: justify;">Também, podemos elucidar, como lembra Chaui que  foi “graças aos primeiros filósofos gregos e a ideia que a natureza é uma ordem que segue leis universais e necessárias  que”:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>No início do século XVII, Galileu Galilei deu novo impulso à física ao estudar o movimento dos graves ou “pesados” (ou a estabelecer as leis da queda dos corpos) e, para isso, a demonstrar as leis naturais do movimento uniforme e do movimento uniformemente variado.  (&#8230;)  Isaac Newton, no final daquele mesmo século,  a estabelecer as leis matemáticas da física, a demonstrar as três leis do movimento e a chamada “lei da gravitação universal”, que, como o nome indica, é  válida para todos os corpos naturais. (&#8230;)  E, no século XX, levou Albert Einstein a estabelecer uma lei válida para toda a matéria e energia do universo, lei que se exprime na fórmula E=mc2.  (2005, p.20).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Depois vem o período da modernidade e há uma retomada do racionalismo de uma maneira bem particular, quando são refutadas e quebradas muitas teses da Astronomia do passado, como foi o caso do geocentrismo, entre tantas outras refutações. Mas, com todas as “quebradeiras” a única coisa que não se quebrou foram as “esferas cristalinas” por que elas não existiam&#8230; Após tantas reformulações, o que é que sobra para este <em>ser</em>? Émile Noel questiona François Châtelet:  Qual é, então, a pergunta filosófica que Descartes faz?<strong> </strong>Châtelet  responde:</p>
<p style="text-align: justify;">.<em>..poderíamos dizer que até Descartes a filosofia fez esta pergunta:  Que é o ser?  Como ele é? Descartes pergunta: Que é o conhecimento? Isso equivale a validar o trabalho de Galileu, a mostrar em que condições gerais o trabalho de Galileu se torna inteligível. (1994, p.63).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">“Portanto em que consiste o heliocentrismo?” Prossegue Châtelet, “consiste em dizer ao sujeito empírico que está aqui neste mundo: Você  acha que o mundo é como você o vê. Mas vou lhe fazer uma proposta: vamos, em espírito, até o Sol, para observar o mundo a partir dali.” (1994, p.63)  Châtelet continua concluindo que às vezes as coisas podem ser mais simples do que nós imaginamos, mas nós precisamos ver de outro ângulo. Nós precisamos sair de “nosso casulo” e irmos à busca do <em>verdadeiro</em> conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo de <em>racionalismo</em> modifica-se dos tempos gregos para a modernidade no que tange o seu jeito de ser, agora ele está mais pautado na matemática no que diz respeito às ciências naturais e especialmente na Astronomia. Para Descartes até mesmo Deus é uma “evidência” da luz natural e não da luz sobrenatural. É a <em>razão</em> que demonstra a existência de Deus. Não é mais o Deus de Moisés, de Abraão e de Jacó.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No próximo tópico </strong>&gt;  <strong> </strong><a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/12/15/%E2%80%9Ca-reviravolta%E2%80%9D-do-pensamento-filosofico/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>“A reviravolta” do Pensamento Filosófico</strong></span></a></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"><strong><span style="color: #0000ff;">Benito Pepe</span></strong></a></p>


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		<title>A Astronomia de Aristóteles</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 02:17:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[Considerações Finais]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>

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	<img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/30__160x120_aristoteles-rep.jpg" alt="aristoteles-rep" title="aristoteles-rep" />
</a>
Continuando o texto: <a href="../2009/09/19/a-fisica-e-a-astronomia-de-aristoteles-%E2%80%93-uma-visao-geral/" target="_blank">A Física e a Astronomia de Aristóteles</a></strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Lembramos agora a <em>desmatematização</em> da filosofia e da natureza enfocada por Aristóteles em detrimento do valor que seu mestre Platão dava à matemática, aqui se mostra uma das diferenças entre eles. Segundo nos lembra Zingano, Aristóteles diria que:</p>
<p style="text-align: justify;">A matemática é o instrumento científico utilizado para examinar o mundo do ponto de vista de sua quantidade, mas ela não é capaz de nos dar por si só a natureza do mundo. (2005, p.65)<span id="more-822"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Dessa maneira fica claro que Aristóteles apontava a matemática apenas para a quantidade. Então a física de Aristóteles diferentemente do que passará a ser na modernidade é “qualitativa” e não “quantitativa” como vigora a partir de Galileu Galilei que é quem a matematiza “definitivamente”, e seus sucessores seguem o mesmo caminho. Nas palavras de Galileu: “ A matemática é a linguagem da natureza”.</p>
<p style="text-align: justify;">Aristóteles via a natureza e o lugar como algo qualitativo assim seria da “qualidade” de cada substância ou corpo ocupar o seu “lugar natural” e isso é o que faz parte da <em>entelékheia</em> de cada corpo. Então para Aristóteles, impor a um ser algo contrário à sua natureza é uma violência. É o que ocorre, por exemplo, quando retiramos uma pedra do chão, seu “lugar natural”, ao largarmos a pedra ela volta “naturalmente” para o “seu lugar”. Hierarquicamente Aristóteles configura a Terra no centro do “universo”; à sua volta, está a água; o ar está acima da terra e da água e, enfim, acima do ar, está o último elemento atmosférico, o fogo. Portanto  o fogo e o ar sobem naturalmente, enquanto a terra e água caem naturalmente, todos em  busca dos seus lugares naturais.</p>
<p style="text-align: justify;">Não foi à toa que Aristóteles adotou a tese do geocentrismo<a href="#_ftn1">[1]</a> (a terra no centro do “universo”) como para ele o movimento é eterno  adota também a tese do movimento natural, e como a terra é pesada teria que estar no centro, o lugar natural de um corpo pesado, por isso a terra estaria no centro do universo seu lugar natural. A origem desse pensamento vem da questão do mundo fechado e finito porém eterno<strong>. </strong>Para<strong> </strong> Aristóteles o universo é finito (um corpo tem que ter limites) porém ele é eterno, não foi criado ou seja não teve um momento de nascimento e também não terá um fim,  sempre existiu e sempre existirá. A partir desse pensamento ele defende a ideia do movimento eterno,  sempre houve corpos em movimento e corpos em repouso, e a Terra estaria em repouso no centro desse universo, enquanto que  os outros corpos estariam girando em movimentos circulares em torno dela.</p>
<p style="text-align: justify;">O espaço é pleno e não há o vazio, se o vazio existisse seria o mesmo que admitir o não-ser e isso seria uma contradição lógica, dessa forma Aristóteles  de maneira metafísica,  justifica o “quinto elemento” ou “<em>éter</em>” que seria quem estaria preenchendo o espaço entre os corpos celestes e da mesma maneira esses “corpos” seriam constituídos de <em>éter </em>por isso não se deteriorariam, e não teriam outro tipo de mutação a não ser a de translação, diferentemente do que ocorre na Terra e na região sublunar, onde os quatro elementos (terra, água, ar e fogo) esses sim passiveis de toda mutação e transformação.</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa maneira, Aristóteles em seu tratado <em>Do Céu</em>,  postula uma separação “física” e “real” entre a região supralunar (acima da lua) e a sublunar (abaixo da lua, o nosso mundo). Não seria possível um material daquela região “composto de éter” vir para a Terra e nem um material do planeta Terra ir para aquela região, há assim um isolamento definitivo, o céu composto de <em>éter</em> (incorruptível) não poderia misturar-se com a terra. Naquela região incorruptível<strong> </strong>haveria as “esferas celestes”,<strong> </strong>explicação<strong> </strong>dada<strong> </strong>por alguns astrônomos da época e que eram apoiadas e complementadas por Aristóteles para justificar o movimento dos astros “em torno da terra”.  Ali estariam girando ao redor da terra, em “círculos perfeitos”, as estrelas e os planetas<a href="#_ftn2">[2]</a> que estariam “colados” às esferas, cada um na sua “esfera cristalina” correspondente.  Essa tese foi proposta primeiramente por Eudoxo (astrônomo da época de Aristóteles), Calipos (também da época) aumenta a quantidade de esferas e sofistica o sistema, Aristóteles com sua tese do “lugar natural” e do <em>éter</em> ou quinta essência, solidifica essa explicação e o geocentrismo; e posteriormente com Ptolomeu já no séc. II d.C alcança sua maior expressão no <em>Almagesto.<a href="#_ftn3"><strong>[3]</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Para explicar esse complexo de movimentos celeste, Aristóteles recorre ao ápice de toda a sua metafísica, dizendo que há um “primeiro motor”, que é imóvel mas dá origem a todo movimento celeste.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, como dissemos, e é lembrado por Reale</p>
<p style="text-align: justify;">(&#8230;) a física Aristotélica (e também grande parte da cosmologia) é, na verdade, uma metafísica do sensível. Assim não é de surpreender o fato de que a <em>Física</em> esteja prenhe de considerações metafísicas, chegando até a culminar com a demonstração da existência de um Primeiro Motor imóvel: radicalmente convencido de que, “se não houvesse o eterno, não existiria tampouco o devir” (2004, p.209)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Com isso vemos claramente que, a pesar de suas diferenças com seu  mestre Platão, Aristóteles herda muito do Platonismo de maneira a não se separar do supra-sensível.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Considerações finais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aristóteles implanta a lógica (começando do nada) e com ela tem um bom instrumento, um método (um caminho) para estudar a <em>physis</em>, a natureza, o mundo.  Precisamos ter em mente a época em que Aristóteles viveu e seus poucos recursos, dessa maneira podemos perceber que ele foi um mestre e um ícone para o mundo ocidental, não só no que tange à filosofia, como  também para a própria ciência.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a Astronomia de Aristóteles,  abrimos um parêntesis especial para dizer que o tempo que dura o “sistema Aristotélico”, quanto à questão do Céu, é algo que por si só merece uma reflexão. Por exemplo, o sistema geocêntrico defendido por Aristóteles dura quase dois mil anos, isso mesmo! Dois milênios&#8230; até que seja refutado pelo heliocentrismo re-introduzido definitivamente por Copérnico em 1554. (embora Copérnico o tenha tomado de Aristarco de Samos (c. 310-230 a.C.)).</p>
<p style="text-align: justify;">Outro ponto interessante é recordarmos que a separação do “mundo” em dois, sendo  um supralunar  (o dos astros acima da lua);  e um sublunar (o nosso mundo) “aqui em baixo” com sua separação física radical,  só é refutada muito tempo depois com Isaac Newton já no século XVII.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim pudemos ter uma pequena ideia da importância e relevância que Aristóteles teve e tem no mundo ocidental através de seus estudos nos diversos campos do conhecimento e que ainda hoje são considerados quando falamos em física e em astronomia,  portanto  não é à toa que estamos aqui mais uma vez falando de Aristóteles.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Abraços do Benito Pepe</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref1">[1]</a> O geocentrismo (a terra no centro do “universo”)  era um pensamento quase que unânime na época de Aristóteles, uma notável exceção era Aristarco de Samos (c. 310-230 a.C.)  para ele era o Sol que estava no centro do “universo” e a terra girava em tordo dele – ou seja o heliocentrismo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref2">[2]</a> A palavra “Planeta” vem do grego e quer dizer “corpo errante” ou “estrela errante”, aquele que não seguia uma trajetória, não ocupava uma posição constante, ou seja não fazia parte das “estrelas fixas”  no céu.  Assim eram chamados de planetas não só os próprios planetas conhecidos de então: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, como também a Lua e o Sol. É atribuída a Anaxímenes a primeira diferenciação formal entre Estrela e Planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref3">[3]</a> <em>Almagesto</em> (“grande tratado”) é uma obra de Cláudio Ptolomeu composta de 13 livros e ficou famosa por seu nome árabe – <em>Al-Majist</em>. O intricado modelo criado por seu autor era necessário para explicar o movimento aparente dos planetas, preservando-se a ideia (equivocada) de um Universo geocêntrico. Esse modelo seria o paradigma da astronomia por 15 séculos, sendo desbancado pelo modelo heliocêntrico de Nicolau Copérnico, que por sua vez toma a ideia original de Aristarco de Samos.<strong> </strong></p>


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		<title>A  Física de Aristóteles</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/09/24/a-fisica-de-aristoteles/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 21:41:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Movimento]]></category>

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</a>
Continuando o texto: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/09/19/a-fisica-e-a-astronomia-de-aristoteles-%E2%80%93-uma-visao-geral/" target="_blank">A Física e a Astronomia de Aristóteles</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para se falar da física e da astronomia de Aristóteles é preciso ir um pouco antes deste grande filósofo, é nos pré-socráticos onde estão os embriões de um estudo sobre a <em>physis, </em>todavia bem diferente dos estudos aristotélicos.  De qualquer maneira é o estagirita quem retoma de uma forma “substancial” a física, e por isso passa a ser reconhecido por muitos  no mundo ocidental como o pai dessa “ciência”.<span id="more-808"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Quanto aos estudos dos pré-socráticos estavam mais focados no campo dos elementos primordiais, na natureza e nas origens das coisas, na <em>arché. </em>Por exemplo, podemos lembrar aquele que é considerado pelo próprio  Aristóteles como o primeiro filósofo, Tales de Mileto<a href="#_ftn1">[1]</a>, este teria iniciado um “princípio físico”: “Tudo é Água”.<em> </em>Outros “pensadores” completaram os quatro elementos além da “água”, ou seja: “Terra”, “Ar” e “Fogo”. No caso de Aristóteles tem-se como base não essas questões, mas o movimento, e não somente o movimento de translação, no entanto um movimento que seria melhor chamá-lo “mutação” pois envolve mais claramente o sentido que este “filósofo-cientista” queria postular. Como nos lembra Cherman, Aristóteles fala no início do livro III da <em>Física:</em></p>
<p style="text-align: justify;">“A natureza é um princípio de movimento e de mudança e é objetivo de nossas indagações. Devemos portanto estar certos de que entendemos o que é o movimento, pois, se não sabemos isso, também não sabemos o que é a natureza.” (2004, p.22)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Na antiguidade se entendia como física tudo o que se relacionava com a natureza, assim além da física propriamente, tínhamos a química, a biologia, a geologia, e outros estudos que dizem respeito à natureza como é o caso da Astronomia. Lembramos que para Aristóteles a matéria é “qualificada” e os quatro elementos são a matéria em sua mais simples qualificação. Os quatro elementos primordiais (água, ar, terra e fogo) constituiriam, segundo relações complexas, a matéria de tudo o que existe, e variando em suas qualidades passa-se de uma substância a outra. Dessa maneira Aristóteles pensava poder explicar as transformações que ocorrem na natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Distinguindo-se dos Eleatas, que pregavam o não movimento (não mobilismo), o estagirita os refuta resolvendo essa questão. Parmênides dizia que o movimento seria uma passagem do ser ao não-ser. De maneira diversa Aristóteles entende o “movimento” como a passagem de uma forma de ser para outra forma de ser, ou seja do “ser em potência” para o “ser em ato”. O ser tem muitos significados. O “não-ser” quando em  potência real  é capacidade e possibilidade efetiva de chegar ao ato. Entendendo-se o movimento como a passagem da potência ao ato, têm-se várias formas de mutação, considerando especialmente algumas categorias, conforme resume Reale:</p>
<p style="text-align: justify;">1) da substância; a mutação segundo a substância é “a geração e a corrupção&#8221;;</p>
<p style="text-align: justify;">2) da qualidade; a mutação segundo a qualidade é “a alteração”;</p>
<p style="text-align: justify;">3) da quantidade;  a mutação segundo a quantidade é “o aumento e a diminuição”;</p>
<p style="text-align: justify;">4) do lugar; a mutação segundo o lugar é “a translação” (2004, p.207).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quando referimo-nos ao termo “mutação” abrangemos as diversas “modificações” da “substância”, contudo pretendemos  especificamente falar sobre a questão da “translação”, que é mais pertinente a astronomia aristotélica que queremos mencionar. A translação se refere ao movimento no sentido literal, ou seja, a passagem de um “objeto” de um “ponto” para  “outro”.  Veremos isso mais à frente.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Próximo tópico: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/09/30/a-astronomia-de-aristoteles/" target="_blank">A Astronomia de Aristóteles</a></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank">Benito Pepe</a></p>
<p>Para  ver a <strong>Bibliografia e as Referências Bibliográficas</strong> vá ao final do tópico anterior <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/09/19/a-fisica-e-a-astronomia-de-aristoteles-%E2%80%93-uma-visao-geral/" target="_blank"><strong>clique aqui!</strong></a><strong> </strong></p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ftnref1">[1]</a> Tales da colônia grega de Mileto por isso chamado Tales de Mileto  (fim do século VII início do VI a.C.)  possui, antes de tudo, um saber que poderíamos qualificar de científico: prevê o eclipse do sol de 28 de maio de 585, afirma que a Terra repousa sobre a água; mas ele tem igualmente um saber técnico: se lhe atribui o desvio do curso de um rio. Como lembra Hadot (2004 p. 43)</p>
<p style="text-align: justify;">


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		<title>A Física e a Astronomia de Aristóteles – uma visão geral</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 16:33:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/universo-aristotelico.gif" title="" class="shutterset_singlepic26" >
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</a>
Essa é uma sequência do texto: <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/06/09/aristoteles-uma-visao-geral-de-sua-obra-e-doutrina/" target="_blank">Aristóteles uma Visão Geral de sua Obra e &#8220;Doutrina&#8221;.</a></p>
<p><strong>Introdução</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pretendemos neste texto explanar sucintamente sobre a  <em>physis</em> ou “física<em>” </em>tema<em> </em>que desde os seus primórdios  sempre retorna no mundo ocidental, esse assunto não se dá  só na origem da filosofia no mundo grego, mas é retomado em vários períodos da filosofia e da ciência, desde os pré-socráticos, no  período clássico, na modernidade e agora na contemporaneidade com a física quântica; a física sempre esteve em evidência. Falaremos aqui do período clássico especificamente em Aristóteles,  concluiremos com a Astronomia de Aristóteles.<span id="more-802"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Aristóteles divide o “conhecimento” ou as ciências em três ramos: as “<strong>ciências</strong> <strong>teoréticas</strong>” (que buscam o saber em si mesmo) consistem na metafísica, na física,  e na matemática; as “<strong>ciências práticas</strong>” (buscam o saber para, através dele, alcançar a perfeição moral)  incluem a ética e a política; e as “<strong>ciências poiéticas</strong>” (são as que tendem a produção de determinada coisa). Aristóteles considerava  a “teologia” como filosofia primeira o que veio a ser classificado posteriormente como “metafísica”, termo que Aristóteles nunca usou, talvez essa palavra tenha surgido quando foram organizadas as obras deste filósofo por Andrônico de Rodes no século I a.C. As obras que não se enquadravam nos seguimentos anteriores e que ficaram depois da física teriam sido chamadas <em>metafísica</em> (<em>meta</em> = depois, além; <em>physis</em> = <em>física</em><em>).</em> <em>Aquilo que está além da física</em> nos dá “coincidentemente” um amplo sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Mencionamos essa divisão das obras de Aristóteles para esclarecer a distinção que a filosofia primeira, a “teologia” vem a ter em todo o corpus aristotélico, sabemos portanto que as outras, muitas vezes estarão em função desta. Nossa ênfase aloca-se na Física e na Astronomia de Aristóteles, quanto a física o estagirita a considerava a filosofia segunda, mas isso não menosprezava essa ciência muito pelo contrário ele a considerava muito importante,  Abbagnano nos lembra deste ponto quando fala dos fundamentos do Aristotelismo dizendo da:</p>
<p style="text-align: justify;">Importância atribuída por Aristóteles à natureza e o valor e a dignidade das indagações a ela dirigidas. Enquanto Platão pensava que tais indagações só poderiam atingir um grau de probabilidade muito inferior ao conhecimento científico (<em>Tim</em>., 29 c) Aristóteles considerava que nada há na natureza tão insignificante que não valha a pena ser estudado, visto que, em todos os casos, o verdadeiro objeto da pesquisa é a <em>substância</em> das coisas. (2007, p.90)</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a física Abbagnano lembra que</p>
<p style="text-align: justify;">(&#8230;) pode-se dizer que nasceu com Aristóteles, que a considerava “a filosofia segunda” e, no grupo das ciências teóricas, distingui-a da <em>teologia</em><strong> </strong>e da<strong> </strong><em>matemática</em><strong> </strong>(<em>Met</em>.,XI, 7, 1064 b 1) (2007, p.536)</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto a física de Aristóteles é bem diferente da maneira como foi vista pelos seus predecessores tanto quanto pela forma como  será vista posteriormente e mesmo em nossos dias, e não poderia estar tão distante da “metafísica”, conforme lembra Reale.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Aristóteles, porém a física é a ciência das formas e das essências; comparada com a física moderna, a de Aristóteles, mais que ciência, revela-se uma ontologia ou metafísica do sensível. (2004, p.207)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Na próxima postagem falamos mais da:  <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/09/24/a-fisica-de-aristoteles/" target="_blank"><strong>Física de Aristóteles</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do <a href="http://www.benitopepe.com.br">Benito Pepe</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Bibliografia e Referências Bibliográficas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">ABBAGNANO, Nicola. <em>Dicionário de filosofia</em>. 5.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">AUBENQUE, Pierre. “Aristóteles”, <em>Dicionário dos Filósofos</em>, dir. Denis Huisman, trad. C. Berliner, São Paulo: Martins Fontes, 2001. (pp.61-72)</p>
<p style="text-align: justify;">CASTRO, Suzana de. <em>Três formulações do objeto da Metafísica de Aristóteles</em>&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">CHAUI, Marilena. <em>Introdução à história da filosofia</em>: dos pré-socráticos a Aristóteles, volume 1. 2.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.</p>
<p style="text-align: justify;">CHERMAN, Alexandre. <em>Sobre os ombros de gigantes</em>: uma história da física.1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">HADOT, Pierre. <em>O que é a filosofia antiga</em>? 2.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">MARCONDES, Danilo. <em>Iniciação à história da filosofia</em>: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 9.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">______________. Textos básicos de filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <em>História da filosofia</em>, v.1.; tradução de Ivo Storniolo; 2.ed. São Paulo: Paulus, 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">ZINGANO, Marco. <em>Platão &amp; Aristóteles</em>: o fascínio da filosofia. 2. ed. São Paulo: Odysseus editora, 2005.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>


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		</item>
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		<title>A importância da Relação “Tempo-espaço” na Relatividade de Einstein</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/09/04/a-importancia-da-relacao-%e2%80%9ctempo%e2%80%9d-na-relatividade-de-einstein/</link>
		<comments>http://www.benitopepe.com.br/2009/09/04/a-importancia-da-relacao-%e2%80%9ctempo%e2%80%9d-na-relatividade-de-einstein/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 22:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[campos gravitacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Einstein]]></category>
		<category><![CDATA[Relação tempo-espaço]]></category>
		<category><![CDATA[teoria da relatividade geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando o texto sobre Einstein



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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/08/21/albert-einstein-o-fisico-e-maior-pensador-do-seculo-xx/" target="_blank"><strong>Continuando o texto sobre Einstein</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/alberteinsteintempo.jpg" title="" class="shutterset_singlepic24" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/24__160x120_alberteinsteintempo.jpg" alt="alberteinsteintempo" title="alberteinsteintempo" />
</a>
Esse pensamento com relação à questão do tempo muda significativamente com Einstein. O tempo absoluto é muito diferente deste “tempo” simplesmente humano. Outra coisa bem interessante quanto ao “tempo” é que ele passa a ser visto como uma outra dimensão.<span id="more-790"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para localizar espacialmente um objeto, são suficientes três medidas: de <strong>comprimento</strong>, <strong>largura</strong> e <strong>altura</strong>. Assim, com um eixo de três coordenadas, se pode descrever a posição de um ponto no espaço. Para localizar um evento, que ocorre durante um intervalo determinado, exige-se a noção adicional de <strong>tempo</strong>. Assim, combinando o primeiro sistema, tridimensional, com a medida de tempo, chega-se à noção de <strong>espaço-tempo</strong>, <strong>tetradimensional</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">O conceito de espaço-tempo, que relaciona duas categorias tratadas de forma independente pela física tradicional, foi postulado por Albert Einstein na <strong>teoria especial da relatividade</strong>, de 1905, e na <strong>teoria geral da relatividade</strong>, de 1915. O senso comum nunca admitiu conexão entre espaço e tempo. Até o fim do século XIX, acreditava-se que o espaço físico era um plano contínuo de três dimensões &#8211; isto é, o conjunto de todos os pontos possíveis &#8211; ao qual se aplicavam os postulados da geometria euclidiana. As coordenadas cartesianas pareciam naturalmente adaptadas a esse espaço. O tempo era visto então como independente do espaço, como um contínuo separado, unidimensional, totalmente homogêneo em sua extensão infinita. Qualquer &#8220;momento atual&#8221; no tempo poderia ser tomado como uma origem: a partir dessa origem, se media o tempo transcorrido ou a transcorrer até qualquer outro momento passado ou futuro. A mecânica clássica, expressa matematicamente com rigor por <strong>Isaac Newton</strong>, repousa sobre a idéia de espaço e tempo absolutos.</p>
<p style="text-align: justify;">As noções tradicionais sobre espaço e tempo absolutos, no entanto, são teóricas e não intuitivas, como freqüentemente se acredita. Para o senso comum, elas são as únicas possíveis, pois se é muito simples pensar em comprimento e largura, e relativamente simples pensar em comprimento, largura e altura, imaginar um espaço <strong>tetradimensional</strong> é impossível. Para localizar um objeto no espaço, sabe-se que é necessário situá-lo em relação a outros objetos, que funcionam como sistema de referência, ou referencial espacial. O referencial ideal é o sistema de três eixos de coordenadas que partem de uma origem. Observe-se que quando alguém se refere a &#8220;um ponto fixo no espaço&#8221;, na verdade está falando de um ponto cujas coordenadas espaciais, em determinado referencial, são constantes, ou seja, o objeto está em repouso em relação ao referencial. Da mesma forma, quando se diz que um corpo se desloca no espaço, trata-se de um corpo cujas coordenadas num referencial dado são variáveis. A noção de espaço, como a de movimento, é sempre relativa a um referencial espacial. Não existe, portanto, um padrão único ou absoluto de inércia.</p>
<p style="text-align: justify;">A inexistência da inércia absoluta significa que não se pode afirmar que dois eventos ocorridos no mesmo lugar, mas em instantes diferentes, ocorreram realmente no mesmo lugar do espaço. Supondo por exemplo que uma bola ao quicar no interior de um trem em movimento toque o assoalho do veículo a cada segundo, ela será vista quicando sempre no mesmo lugar para um observador situado no interior do trem, ou seja, um observador para quem o assoalho do trem esteja em repouso relativo. Para um observador sentado à beira da estrada, no entanto, a bola vai quicar cada vez vários metros adiante da vez precedente, pois o assoalho do trem está em movimento em relação a ele.</p>
<p style="text-align: justify;">O referencial espacial parece satisfatório para situar objetos, ou pontos, mas para situar os acontecimentos, ou os movimentos, é necessário acrescentar uma coordenada de tempo ao sistema de referência. Pode-se definir um referencial de espaço-tempo associando um relógio a cada ponto fixo de um sistema de coordenadas espaciais. Assim, se estabelece uma relação entre dois sistemas em movimento: caracteriza-se um evento ocorrido num sistema de comparação com outro evento, em outro sistema. O universo em que a coordenada de tempo de um sistema depende tanto da coordenada de tempo quando das coordenadas de espaço de um outro sistema em movimento relativo denomina-se Universo de Minkowski  e constitui a alteração essencial postulada pela teoria especial da relatividade em relação à física tradicional.</p>
<p style="text-align: justify;">As noções de tempo e de repouso ficam também, dessa forma, associadas ao referencial, e se torna impossível afirmar a priori que o intervalo de tempo entre dois acontecimentos seja sempre, em todos os casos, independente do referencial. O que se pode afirmar é que se dois acontecimentos tiveram coordenadas de espaço (<em>x</em>,<em> i </em>e<em> z</em>) e de tempo (<em>t</em>) coincidentes, eles definem o mesmo ponto no espaço-tempo. O <strong>espaço-tempo</strong> é a única verdadeira ideia absoluta. A separação em duas noções diferentes <strong>- </strong>espaço e tempo <strong>- </strong>só é possível quando se escolhe um sistema de referência espacial: um acontecimento fica então localizado em relação a esse referencial. Mas, da mesma forma, pode-se escolher um sistema de quatro coordenadas. O acontecimento, assim, se torna em relação ao espaço-tempo, contínuo tetradimensional.</p>
<p style="text-align: justify;">O universo de Minkowski contém uma classe distinta de sistemas de referência e tende a não ser afetado pela presença da matéria (massa) em seu interior. Em tal universo, todo conjunto de coordenadas, ou de eventos específicos de espaço-tempo, é descrito como um &#8220;aqui-agora&#8221;, ou um ponto universal. Os intervalos aparentes de espaço e tempo entre eventos dependem da velocidade do observador, que não pode, em nenhum caso, exceder a velocidade da luz. Em qualquer sistema de referência inercial, todas as leis físicas permanecem inalteradas.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja também o meu texto “<a href="http://www.benitopepe.com.br/2008/12/02/o-tempo-esta-passando-mais-rapido-2/comment-page-1/" target="_blank"><strong>O tempo está passando mais rápido</strong></a>?”</p>
<p style="text-align: justify;">Abraços do<a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"> Benito Pepe</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Bibliografia</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, Gênios da Ciência – Einstein.<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">ENCICLOPÉDIA, Barsa. Rio de Janeiro – São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações.</p>


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		</item>
		<item>
		<title>A Bomba Atômica, a Teoria da Relatividade e o  Pacifismo buscado por Einstein</title>
		<link>http://www.benitopepe.com.br/2009/08/23/a-bomba-atomica-a-teoria-da-relatividade-e-o-pacifismo-buscado-por-einstein/</link>
		<comments>http://www.benitopepe.com.br/2009/08/23/a-bomba-atomica-a-teoria-da-relatividade-e-o-pacifismo-buscado-por-einstein/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 00:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Benito Pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Bomba Atômica]]></category>
		<category><![CDATA[Einstein]]></category>
		<category><![CDATA[Relatividade]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando o texto sobre Einstein&#8230;



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<p style="text-align: justify;">
<a href="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/teset/lego_einstein.jpg" title="" class="shutterset_singlepic21" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.benitopepe.com.br/wp-content/gallery/cache/21__160x120_lego_einstein.jpg" alt="lego_einstein" title="lego_einstein" />
</a>
Em 1933, um ano após visitar universidades e instituições de pesquisas nos Estados Unidos, Einstein renunciou a seus cargos na Alemanha, onde os nazistas já estavam no poder, e fixou residência em território americano. Passou a ensinar no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, do qual se tornaria diretor. Em 1940 adotou a cidadania americana.<span id="more-767"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Durante esse período, o desenvolvimento de <strong>armas nucleares </strong>e as manifestações cada vez mais freqüentes de racismo no mundo constituíram as principais preocupações de Einstein. Os físicos alemães Otto Hahn e Lise Meitner tinham descoberto como provocar artificialmente a <strong>fissão do urânio</strong>. Na Itália, as pesquisas de Enrico Fermi indicavam ser possível provocar uma <strong>reação em cadeia</strong>, com a liberação de um número cada vez maior de átomos de urânio e, em conseqüência, de enorme quantidade de <strong>energia</strong>. Fermi, que acabara de chegar aos Estados Unidos, e os físicos húngaros Leo Szilard e Eugene Wigner pediram então a Einstein que entrasse em contato com a Casa Branca. Ele escreveu então uma carta ao presidente Franklin Roosevelt em que alertava para o risco que significaria para a humanidade a utilização pelos nazistas da tecnologia nuclear na fabricação de armas de grande poder destrutivo. Logo após receber a mensagem, o chefe de estado americano deu início ao projeto Manhattan, que tornou os Estados Unidos pioneiros no aproveitamento da <strong>energia atômica</strong> em todo o mundo e resultou na <strong>fabricação da primeira bomba atômica. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Embora não tivesse participado do projeto e sequer soubesse que uma bomba atômica tinha sido construída até que <strong>Hiroxima</strong> fosse arrasada, em <strong>1945</strong>, o nome de Einstein passou para a história associado ao advento da era atômica. Durante a segunda guerra mundial, ele participou da organização de grupos de apoio aos refugiados e, terminado o conflito, após o lançamento de bombas atômicas em <strong>Hiroxima</strong> e <strong>Nagasaki</strong>, uniu-se a outros cientistas que lutavam para evitar nova utilização da bomba. Intensificando a militância pacifista, defendeu particularmente o estabelecimento de uma organização mundial de controle sobre as armas atômicas. Em 1945, renunciou ao cargo de diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, mas continuou a trabalhar naquela instituição.</p>
<p style="text-align: justify;">A intensa atividade intelectual de Einstein resultou na publicação de grande número de trabalhos, entre os quais vale destacar <em>Warum Krieg?</em> (1933;<em> Por que a guerra?</em>), em colaboração com Sigmund Freud; <em>Mein Weltbild</em> (1949;<em> O mundo como eu o vejo</em>); e <em>Out of My Later Years </em>(1950; <em>Meus últimos anos</em>). A principal característica de sua obra foi uma síntese do conhecimento sobre o mundo físico, que acabou por levar a uma compreensão mais abrangente e mais profunda do universo. Suas descobertas tornaram possível entender o comportamento das <strong>partículas</strong> animadas de grande velocidade e suas respectivas leis. Os princípios da relatividade revolucionaram a física newtoniana pois, com o emprego de aceleradores, tornou-se possível obter partículas animadas de enorme velocidade, cuja mecânica em muito se afasta das leis newtonianas.</p>
<p style="text-align: justify;">Einstein conseguiu reduzir as leis da mecânica e harmonizá-las com aquelas que regem as propriedades dos campos eletromagnéticos. Com sua <strong>concepção de fóton</strong>, permitiu que mais tarde se fundissem, na teoria ondulatória de Louis de Broglie, a mecânica e o eletromagnetismo, o que no século anterior parecia impossível. Albert Einstein morreu em Princeton, em 18 de abril de 1955.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Teoria da Relatividade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As <strong>hipóteses relativistas</strong> elaboradas por Albert Einstein no início do século XX para explicar a estrutura do cosmos transcenderam o âmbito científico e, com o passar dos anos, se transformaram num <strong>símbolo paradigmático da filosofia </strong>e do modo de entender o mundo durante o que se chamou de era da relativização.</p>
<p style="text-align: justify;">Teoria da relatividade é o modelo da física que, por meio de uma concepção generalizada dos sistemas naturais, descreve o movimento de corpos submetidos a velocidades semelhantes à da Luz. Enunciada fundamentalmente por Albert Einstein, no início do século XX, a teoria da relatividade suscitou ampla renovação científica ao alterar algumas ideias básicas da física clássica e oferecer uma explicação coerente e unificada para grande número de fenômenos da natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Em virtude de sua complexidade e das datas de publicação dos trabalhos de Einstein, a teoria da relatividade se distingue entre o <strong>modelo especial</strong>, ou <strong>restrito</strong>, postulado em <strong>1905</strong> e apoiado em alguns trabalhos precursores, e a <strong>Relatividade Geral</strong>, publicada por Einstein entre 1912 e <strong>1917</strong>, que inclui a noção de Campo Gravitacional e procura condensar num modelo único todas as manifestações físicas do universo.</p>
<p style="text-align: justify;">Historicamente, a teoria da relatividade ampliou as idéias existentes no momento de sua aparição e englobou as teorias clássicas como um caso particular de suas propostas. Assim, a mecânica clássica, baseada nos princípios da dinâmica de <strong>Isaac Newton</strong>, e os fundamentos da eletricidade e do magnetismo, reunidos nas leis enunciadas por James Clerk Maxwell, constituem casos particulares da teoria relativista sob as condições especiais presentes em sistemas com componentes de movimento extremamente lento em comparação com a velocidade de deslocamento da luz que é de aproximadamente 300.000 quilômetros por segundo (velocidade essa capaz de, teoricamente, dar 7 voltas no planeta terra em um segundo – com essa mesma velocidade se chegaria à Lua em um segundo, e no Sol em 8 minutos)</p>
<p style="text-align: justify;">No próximo tópico:  <a href="http://www.benitopepe.com.br/2009/08/27/relatividade-especial-e-o-que-ela-acarretou-quais-foram-as-consequencias/" target="_blank">Relatividade Especial</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Abraços do<a href="http://www.benitopepe.com.br" target="_blank"> Benito Pepe</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Bibliografia</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, Gênios da Ciência – Einstein.<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">ENCICLOPÉDIA, Barsa. Rio de Janeiro – São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações.</p>
<p style="text-align: justify;">


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